Presidente da comissão de Inteligência Artificial da UFMG apresentou cuidados a serem tomados nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão

Evento reuniu docentes, servidores técnico-administrativos e acadêmicos Foto: Edijane Gonçalves I UFMG

O documento Princípios e diretrizes para o uso responsável da Inteligência Artificial na UFMG , lançado no dia 13 de agosto em Belo Horizonte, foi apresentado à comunidade acadêmica do campus Montes Claros em uma aula magina na manhã desta segunda-feira, 17. Produzido pela Comissão Permanente de Inteligência Artificial da Universidade, o guia oferece recomendações para o uso da tecnologia em atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão. Participaram do evento, o reitor Alessandro Fernandes Moreira, a vice-reitora Alamanda Kfoury, o diretor do campus Montes Claros Hélder dos Anjos Augusto, o vice-diretor do campus Alcinei Azevedo e o presidente da Comissão de Inteligência Artificial, professor Ricardo Fabrino Mendonça.

O reitor Alessandro Moreira destacou o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Durante a abertura do evento, o reitor Alessandro Moreira destacou a importância do uso responsável da Inteligência Artificial. “A gente está em uma trajetória, da questão da Inteligência Artificial, eu acredito que o mundo inteiro está, em que alguns falam assim, “estou sendo atropelado”, outros rejeitam, outros tentam ser adequados. Mas  qual tem sido a trajetória da Universidade? Então, tem um ponto muito importante que eu acho que é o eixo central, que é o uso ético e responsável da Inteligência Artificial, nós somos uma instituição de ensino, nós somos referência, então a gente tem que ser realmente uma luz, um referencial para o uso da Inteligência Artificial. Então, é essa trajetória de formação, o uso ético e responsável, a gente teve uma fase de percepções da comunidade, agora a gente entrega para a instituição um guia de princípios e diretrizes em construção, acho que esse é outro ponto importante também”.

Diretor do campus Montes Claros, Hélder dos Anjos Augusto
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

O diretor do campus Montes Claros, Hélder Augusto, falou sobre a relevância da regulamentação do uso destas ferramentas no âmbito acadêmico. “Essa proposição do mundo contemporâneo que nós estamos vivenciando e a inteligência artificial, de forma direta ou indireta, já vinha sendo coagitada, talvez com outras denominações, para os grandes pensadores a nível do Brasil e fora do Brasil. E essa iniciativa de a gente adotar protocolos, as prerrogativas para o uso dessa ferramenta é de extrema importância. Então, gostaria de parabenizar essa iniciativa”.

A comissão de Inteligência Artificial da UFMG foi criada em 2023
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

O presidente da Comissão de Inteligência Artificial da UFMG, professor Ricardo Fabrino Mendonça, iniciou a aula magna Inteligência Artificial e Universidade explicando os objetivos do documento. “Temos trabalhado, desde novembro de 2023, em torno da construção de diretrizes, de uma política de Inteligência Artificial e de uma configuração mais ampla que tenha essa palavra entendida nesse ponto de vista, não como uma condição que vem como um conjunto de diretrizes, de regras, de leis, mas como um espaço dentro de uma instituição que pertence a todos nós, no sentido de suscitar discussões, de gerar debates que, de alguma forma, afetam o nosso cotidiano”.

Benefícios e desafios

Os cuidados em relação ao uso da IA na gestão também foram apresentados Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Mendonça apresentou ainda os benefícios do uso da Inteligência Artificial em diferentes áreas como a Medicina e as Ciências Agrárias. E também falou brevemente sobre os riscos e cuidados a serem tomados no cenário atual no contexto acadêmico. “Há uma série de riscos, de perigos que atravessam o cotidiano. O primeiro desses temores é que sempre que a gente vai falar da evolução de Inteligência Artificial, as pessoas estão muito preocupadas em geral com a integridade acadêmica. E quando a gente vai, de alguma forma, trabalhar nas camadas do fenômeno, é um fenômeno muito mais complexo em termos da quantidade de benefícios e de riscos que apresentam para o nosso fazer, seja para o desenvolvimento do conhecimento, para as práticas de ensino, para os projetos de extensão e para a própria gestão acadêmica”, ressaltou.

De acordo com o documento, no campo da pesquisa, uso de sistemas de IA não transfere para a tecnologia a responsabilidade pelos resultados produzidos. As diretrizes divulgadas no evento recomendam que pesquisadores somente deleguem a essas ferramentas as tarefas que compreendam completamente ou cujos resultados possam examinar criticamente.  Em relação ao ensino, o documento aconselha que cada plano explicite se o uso de IA é permitido e, quando for o caso, estabeleça condições para sua utilização. As prescrições também alcançam a gestão universitária. Para gestores e servidores técnico-administrativos, o documento propõe transparência no uso da IA em processos administrativos e cuidados especiais com a proteção de dados. Também desaconselha o emprego da tecnologia em processos de tomada de decisão com alto potencial de violação de direitos, como avaliações funcionais e pareceres disciplinares.

A comunidade acadêmica pode tirar dúvidas ao final da aula magna
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Ao final da aula magna, os participantes puderam tirar dúvidas em relação ao uso da Inteligência Artificial na Universidade. O professor Ricardo Fabrino Mendonça finalizou com uma reflexão sobre o uso destas ferramentas. “A principal recomendação é o cuidado com proteção de dados, com dados sigilosos, cuidados que nós temos que ter nesse sentido, e de pensar mecanismos e possibilidades para a gestão. De pensar como é que a gestão central tem o papel de induzir discussão transversal, transdisciplinar, estruturação de centros de pesquisa, a discussão de processos em diálogo com a sociedade, então como é que a gente pode ter um papel de protagonistas com a universidade, um papel protagônico nesse sentido que é o que compete a universidade. Embora a gente tenha muitos receios, muitos temores, nós temos muita gente desenvolvendo pesquisa de ponta, pensando criticamente nessas tecnologias e com potenciais gigantescos para que a gente de alguma forma também participe de uma sociedade que está buscando compreender e entender como é que lida com essas tecnologias, com seus potenciais e com seus riscos”.

(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)