Participação do curso do campus Montes Claros tem possibilitado intercâmbio de docentes e acadêmicos em universidades da América do Sul

Professora Cláudia Vieira em palestra na Universidade de Córdoba, na Colômbia
Foto: Acervo pessoal

A acreditação do curso de Engenharia de Alimentos no Programa de Mobilidade Acadêmica Regional para Cursos Acreditados pelo Sistema ARCU-SUL (MARCA) tem possibilitado o intercâmbio entre estudantes de graduação e professores do campus Montes Claros e representantes de universidades de países membros e associados do Mercosul. O convênio que tem duração de três anos começou em 2025. “No primeiro ano, já conseguimos a mobilidade de duas alunas do curso de Engenharia de Alimentos para a Universidade de Córdoba, em Montería, na Colômbia. E também eu tive a possibilidade de fazer a mobilidade. Passei 15 dias na Universidade de Córdoba, tive a oportunidade de conhecer vários professores, fazer parcerias, também proferi uma palestra, dei uma entrevista na rádio da Universidade, então eu acho que eu representei bem a UFMG dentro da UniCórdoba”, avalia a professora Cláudia Vieira, coordenadora acadêmica do curso de Engenharia de Alimentos no MARCA da UFMG.

Professora Cláudia Vieira em entrevista à rádio da UniCórdoba
Foto: Acervo pessoal

O Programa de Mobilidade Acadêmica Regional para Cursos Acreditados pelo Sistema ARCU-SUL (MARCA) é uma iniciativa do Setor Educacional do Mercosul para promover a mobilidade de estudantes de graduação e professores/coordenadores entre os países membros e associados do Mercosul. Entre seus principais objetivos estão a internacionalização da educação superior, o estímulo à cooperação entre instituições de ensino e a integração regional entre os membros do Mercosul. Organizada em triênios, a mobilidade ocorre sempre no segundo semestre de cada ano pelo período máximo de 5 meses, contando com auxílios pagos pelos países de origem e de destino. É garantido, pela universidade de origem, o pleno reconhecimento acadêmico das atividades desenvolvidas na universidade de destino. Atualmente, o programa engloba mobilidades dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Enfermagem, Medicina, Odontologia, Engenharias, Arquitetura, Economia e Geologia para universidades na Argentina, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Uruguai. A 13ª Edição do Programa Marca (2025-2027) conta com 13 projetos acadêmicos com participação brasileira, o que envolve 24 universidades brasileiras e 42 cursos de graduação.

Internacionalização da graduação

Além das duas acadêmicas que fizeram intercâmbio em 2025, atualmente, um aluno de Engenharia de Alimentos está cursando um semestre na Universidade Autônoma Gabriel René Moreno (UAGRM), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Magno Silva Filho começou as atividades no país vizinho em julho deste ano. “A experiência tem sido muito enriquecedora, tanto no aspecto acadêmico quanto no pessoal. Estar na Bolívia tem me permitido conhecer uma nova cultura, conviver com pessoas de diferentes realidades e enxergar minha própria formação por outra perspectiva. Santa Cruz de la Sierra tem sido um lugar de muito aprendizado, e cada experiência, desde a convivência com os colegas até as atividades na universidade foi e está sendo importante para meu crescimento”, relata.

Magno recebe título de estudante embaixador internacional do programa de mobilidade
Foto: acervo pessoal Magno Silva filho

Da experiência na Colômbia, ele afirma que trará para Montes Claros uma visão ampliada da formação universitária. “O intercâmbio me permite perceber como diferentes culturas e realidades podem contribuir para a construção do conhecimento e para a formação de profissionais mais preparados. Também volto com mais confiança, autonomia e vontade de compartilhar o que aprendi com meus colegas da UFMG. Espero que minha experiência possa incentivar outros estudantes a aproveitarem as oportunidades de mobilidade acadêmica, porque muitas vezes sair do nosso ambiente habitual nos ajuda a reconhecer novas possibilidades e até a olhar de outra forma para aquilo que já conhecemos”.

Magno Silva Filho com colegas intercambistas da Universidade Autônoma Gabriel René Foto: Acervo pessoal

Para o estudante, a oportunidade amplia as possibilidades profissionais. “Academicamente, tenho a oportunidade de conhecer outras metodologias de ensino, entrar em contato com diferentes perspectivas da Engenharia e ampliar meus conhecimentos na área de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química. O desenvolvimento do espanhol também é muito importante para minha vida profissional, porque amplia minhas possibilidades de comunicação e atuação na América Latina. Além disso, a experiência de estudar em outro país desenvolve autonomia, adaptabilidade e capacidade de lidar com desafios. São competências que pretendo levar para minha carreira e que considero importantes para qualquer profissional”.

Neste semestre, no campus Montes Claros, o estudante da Universidade de Córdoba, Andrés Fernandez, faz um semestre do curso de Engenharia de Alimentos. “Tem sido uma experiência muito boa. A professora Cláudia, os demais professores e meus colegas têm me ajudado bastante com o idioma, o aprendizado. Eles têm tornado tudo mais fácil”.

Andrés Fernandez em atividade de laboratório
Foto: Edijane Gonçalves I UFMG

Além das novidades aprendidas em sala de aula, o estudante está animado com a participação em eventos acadêmicos. “Na aula produtos do cerrado a gente tem a oportunidade de praticar as coisas que vê no laboratório, os métodos, a possibilidade de conhecer muito mais os produtos do cerrado, que são coisas que a gente não tem lá. É bom para levar e compartilhar a forma com que aqui aproveitam os produtos típicos, todos os frutos que tem na região. Além disso, Eu vou participar também dentro da Semana do Conhecimento e fazer uma apresentação lá em Belo Horizonte. E, em novembro, vou participar do Congresso Brasileiro de de Ciência e Tecnologia de Alimentos, em Salvador”.

Professora Cláudia Vieira e Andrés Fernandez
Foto: Edijane Gonçalves I UFMG

O balanço das vivências na UFMG, até o momento, tem sido positivo. “Para mim, é um sonho realizado. A professora Mónica e os professores da Colômbia sabem o quanto trabalhei lá para poder fazer parte desse convênio, de ter a possibilidade de vir para o Brasil, que eu sempre gostei. Então, a oportunidade que o convênio MARCA me deu, o jeito que ele acolhe a gente, facilita o processo. Eu acho que é um sonho realizado mesmo”.

Construção de possibilidades

Minicurso ministrado pela professora Mónica Sotelo
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Entre os dias seis e 15 de outubro, a professora Mónica Sotelo, da UniCórdoba esteve no campus Montes Claros. Na ocasião, a docente participou de atividades da Semana do Conhecimento e ministrou uma palestra para pós-graduandos do mestrado em Alimentos e Saúde. “É a primeira vez que venho à UFMG em Montes Claros. Há um ano, tivemos a visita da professora Cláudia Vieira na Universidade de Córdoba, na Colômbia, quando compartilhamos experiências em pontos comuns relacionados aos alimentos. Tem sido uma experiência magnífica compartilhar com colegas trabalhos conjuntos e possibilidades de projetos futuros. Esperamos que estes laços e estas redes  de mobilidade de via dupla continuem para professores e estudantes”, relata.

Professoras Mónica Sotelo e Cláudia Vieira
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Mónica Sotelo destacou alguns pontos que talvez possa aplicar na Colômbia. “Algo que vejo como muito importante é a forma como trabalham no laboratório. E gostei muito da relação que existe entre estudantes de todos os níveis. A graduação trabalha com o mestrado, escutei que vêm pessoas de cursos técnicos e todos têm um relacionamento com uma finalidade em comum. Este ponto é um aprendizado que talvez podemos replicar na Colômbia. A infraestrutura é muito robusta, temos algumas coisas em comum outras diferentes, mas de maneira geral levo uma impressão muito boa de ver o que os colegas fazem por aqui. E tenho vontade de voltar”.

Este ano, representantes da UFMG Montes Claros devem voltar à Colômbia. De acordo com a professora Cláudia Vieira, ela e a técnica do laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento de Produtos Alimentícios, Mariuze Oliveira devem participar de um encontro que será realizado em Caldas. “É uma oportunidade, tanto para os docentes, quanto para os alunos também, de se  aprimorarem com essa troca de conhecimento, de experiências, dentro da Engenharia de Alimentos. Porque cada universidade tem a sua particularidade e cada universidade tem a sua própria estrutura”, ressalta.

O intercâmbio já tem gerado possibilidades para além da graduação. “A professora Mônica já foi convidada, junto com outra professora, para fazer parte do comitê científico do próximo Simpósio de Engenharia de Alimentos (Simeali), que vai realizado em 2027, e será internacional. O próximo Simeali vai contar com a presença de docentes da Universidade Córdoba, na Colômbia, da Universidade de Asunción, no Paraguai, e da Universidade de Valência, na Espanha. Então, vai ser um evento muito importante, bilíngue, nesse caso vai ter o espanhol e o português. E vai continuar sendo híbrido, que foi uma coisa que deu certo no último ano. Oportunidades estão surgindo a partir dessa acreditação do Sistema Arcu-Sul”, afirma Cláudia Vieira.

(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)