Universidade Federal de Minas Gerais

Foto: Fernando Ruiz
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Mapa da Educação Superior foi apresentado pela diretora do Iesalc e ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazzola. Participou do evento o vice-ministro da Educação Superior da Colômbia Gabriel Burgos Mantilla

Desigualdade é a marca da educação superior na América Latina e no Caribe

terça-feira, 3 de junho de 2008, às 21h46

Marcílio Lana, Cartagena das Índias (Colômbia) - O Mapa da Educação Superior (Mesalc), estudo desenvolvido pelo Instituto Internacional da Unesco para a Educação Superior da América Latina e do Caribe (Iesalc), revela uma realidade de contrastes, desigualdades, mas também apresenta avanços. O estudo, coordenado pelo venezuelano Klaus Jaffé e o brasileiro José Renato Carvalho, foi apresentado esta tarde durante coletiva de imprensa realizada no Centro de Convenções de Cartagena das Índias, na Colômbia.

Foto: Fernando Ruiz
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Jornalistas de diversos veículos internacionais participaram da coletiva de imprensa, que aconteceu na tarde desta terça-feira

Cerca de 30 jornalistas acompanharam, durante aproximadamente duas horas, a apresentação da diretora do Iesalc e presidente da Conferência Regional para a Educação Superior (CRES 2008), Ana Lúcia Gazzola. Também participou da conferência de imprensa o vice-ministro de Educação Superior da Colômbia, Gabriel Burgos. Integram o estudo dados e estatísticas de 28 dos 33 países que integram a Unesco.

Para a diretora do Iesalc, a realidade de contrastes impõe sérios desafios para governos, organismos e sociedade, incluindo as instituições de ensino. “É desafiador pensar em políticas regionais com o grau de diferenças que existe, com o grau de singularidades da região, mas é preciso pensar um conjunto de políticas integradas que dêem conta de promover a transformação e a igualdade entre os diversos sistemas de educação”, refletiu Ana Lúcia Gazzola.

Os resultados, de acordo com a diretora do Iesalc, Ana Lúcia Gazzola, permitem apontar premissas para a educação superior na América Latina e no Caribe: a necessidade de aumento da capacidade de acesso à educação superior e da taxa de cobertura (relação entre as matrículas no ensino superior e a população entre 18 e 24 anos), aumento da qualidade da educação superior, necessidade de ampliação dos sistemas de acreditação e avaliação do ensino superior na região, aumento da produção científica e disseminação da produção em diversos países, redução da taxa de analfabetismo e a universalização da educação básica de qualidade. Ao mesmo tempo, segundo Ana Lúcia Gazzola o Mesalc vai permitir que a região se conheça melhor e, conhecendo, possa propor projetos e propostas factíveis de serem realizadas. “Esse conhecimento vai permitir a criação de redes de trabalho e cooperação”, explica a diretora do Iesalc.

De acordo com as informações do Mesalc, na região da América Latina e do Caribe existem cerca de 8.910 instituições de ensino superior. Dessas, apenas 1.231 (13,81%) são universidades ou centros universitários. Para a diretora do Iesalc, este é um dado relevante. Para Ana Lúcia Gazzola, não é um dado frio, mas um indicativo de qualidade e, provavelmente, da inexistência da regulação dos sistemas em cada país. “Normalmente, são as universidades e centros universitários que passam por processos de avaliação e este é o processo que assegura a qualidade do ensino oferecido pelas instituições de ensino. Então, temos um sistema altamente desequilibrado”, destaca Ana Lúcia Gazzola.

Contraste
“Os dois países, México e Brasil, que possuem sistemas de pós-graduação mais sólidos da região, são aqueles que têm, juntos, os maiores índices de analfabetismo”, destacou Ana Lúcia Gazzola. No Brasil existem 14,3 milhões de analfabetos, no México, 6,3 milhões. O analfabetismo é, para a diretora do Iesalc, um dos mais graves problemas da região. São 37 milhões de analfabetos na América Latina e no Caribe. Para Ana Lúcia Gazzola, este é um problema que está possivelmente no centro dos baixos índices de desenvolvimento e uma das razões para a posição de dependência dos países da região em relação aos países do chamado Primeiro Mundo.

A realidade brasileira é um exemplo da situação de contrastes. O país tem o maior percentual de analfabetos, mas é o que tem o sistema de pós-graduação mais sólido, com a formação de aproximadamente 11 mil doutores no último ano. O Brasil é ainda o país com o maior número de instituições de educação superiores particulares.

Setor estratégico
O estudo revela também a relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Produto Interno Bruto (PIB). Os dados são animadores, pois mostram uma tendência de aumento de investimentos na área de educação, mas para a presidente da CRES 2008, o percentual relativo ao PIB investido na educação ainda é insuficiente. “O ideal é que os países estivessem destinando mais recursos para a educação. Cuba, com 10% do PIB direcionados à educação, é um exemplo”, comparou Ana Lúcia Gazzola. Outra necessidade é o aumento de recursos para as áreas de ciência e tecnologia. “A região deveria, ao menos, destinar cerca de 1% do PIB para essas áreas, mas estamos muito longe disso”, lamentou.

“Na América Latina e no Caribe, as universidades respondem pela produção de 85 a 90% do conhecimento. “Portanto, é necessário que se discuta o papel da educação superior na produção do conhecimento na região, pois as instituições de ensino superior são atores estratégicos para o desenvolvimento dos paises”, determina. “Precisamos nos integrar à sociedade do conhecimento. As nações que não forem capazes de apoiar e desenvolver políticas permanentes de educação vão continuar dependentes”, sentencia.

PingIfes
O sistema utilizado para construir a base de dados do Mapa da Educação Superior (Mesalc) foi desenvolvido por uma equipe formada por cerca de 30 pessoas do Laboratório de Computação Ciêntífica (LCC) da UFMG. O sistema é responsável pela organização da base de dados que o Ministério da Educação do Brasil utiliza para definir os recursos destinados anualmente para as instituições federais de ensino superior (Ifes) e também para o projeto Reuni (Plano de Expansão e Reestruturação do Ensino Superior).

O sistema já é utilizado pelo MEC há quatro anos. No próximo ano, será incluída a possibilidade de incluir no banco de dados as informações sobre os hospitais universitários.

Confira síntese
da apresentação do Mesalc.

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