Acervo Projeto República/UFMG
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Em 1968, tropas da PM ocuparam o ex-prédio da Fafich, onde será construído o Memorial

Parceria entre UFMG e Ministério da Justiça traz para Belo Horizonte sede do Memorial da Anistia Política

terça-feira, 28 de abril de 2009, às 7h32

A UFMG e o Ministério da Justiça formalizam hoje parceria que prevê a criação da sede nacional do Memorial da Anistia Política no coleginho do antigo prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich). O imóvel, situado no bairro Santo Antônio, passará por uma reforma e receberá acervo contendo materiais relativos aos 60 mil processos de indenização que foram apresentados na Comissão da Anistia Política. O Memorial também contará com diversos dossiês administrativos, fotos, imagens, relatos, testemunhos, livros, áudios e vídeos recebidos pela Comissão por ocasião da campanha de doação de arquivos referentes ao período da ditadura militar. A estes documentos se somará ainda o acervo preservado pela própria UFMG, que inclui cerca de 10 mil fotos e 400 filmes da época.

A assinatura da parceria acontecerá em Brasília, às 16h, com a presença do reitor da UFMG, Ronaldo Pena, do ministro da Justiça, Tarso Genro, do vice-presidente da República, José Alencar, do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, além dos ministros mineiros Patrus Ananias, Luiz Dulci e Hélio Costa. Na ocasião, a Prefeitura de Belo Horizonte assinará também um acordo com a UFMG em que se comprometerá a dar o suporte necessário para a implantação do Memorial. A perspectiva é de que a primeira etapa da obra, de transformação do espaço em museu e centro de documentação, seja concluída até o final do ano. Uma segunda etapa, que inclui a construção de dois anexos, deverá ser finalizada em 2010.

A criação do Memorial da Anistia Política se dá no mesmo momento em que a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, coordena a criação do Memórias Reveladas, centro de referências que abrigará documentos oficiais do governo militar. “São projetos complementares. O nosso Memorial constituirá o acervo das vítimas e testemunhas, sendo que grande parte dele será composto de doações. A ministra, por sua vez, pretende reunir os arquivos oficiais, produzidos pelos militares. É uma iniciativa importante que demandará muito trabalho, pois diversos documentos continuam guardados a sete chaves. São informações que ainda não foram reveladas”, explica a vice-reitora da UFMG, Heloísa Starling.

Reflexão
Na opinião da vice-reitora, o Memorial tem a importância de estimular a reflexão sobre o período militar e, consequentemente, possibilitar o debate sobre a consolidação da nossa democracia. “O espaço abrigará um riquíssimo material de pesquisa que traz o ponto de vista das vítimas do regime, muitas vezes ocultado pela História. São documentos que permitirão à Universidade elucidar ainda mais as questões ligadas à ditadura. Há muitos fatos desconhecidos, e os eventos daquela época deverão emergir com outra força. Ao mesmo tempo, a sociedade terá acesso a informações que permitirão criar uma visão mais aprofundada sobre o período. Acredito que o Memorial terá impactos significativos no debate político”, diz ela.

Heloísa Starling relata ainda que, para fomentar a apropriação do espaço pelo público, estão sendo discutidas ideias como a realização de cursos livres, de shows e de exibições de cinema. O objetivo é dar vitalidade cultural ao ambiente, estabelecendo um calendário de atividades com eventos temáticos sobre a ditadura. Além disso, a própria construção do Memorial se dará através de um intercâmbio com a sociedade, que poderá constribuir com o acervo, e com a comunidade do bairro Santo Antônio. O projeto prevê, por exemplo, a construção de uma praça, sugestão dos moradores da região.

Escolhas
A localização da sede do Memorial foi decidida por um comissão criada em 2007 pelo Ministério da Justiça. Foram avaliados imóveis do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte. Heloísa Starling acredita que vários aspectos contribuíram para a escolha da capital mineira, entre eles a importância de alguns fatos históricos da luta contra a repressão. Mas o fator que mais pesou na decisão, segundo a vice-reitora, foi a atuação da UFMG. “A nossa Universidade é a que mais tem se preocupado com os estudos da ditadura. Esta não é uma preocupação de um ou outro reitorado, mas sim da instituição como um todo. Desde a gestão do professor Cid Veloso, foram realizados grandes eventos que envolvem a memória do período militar. Não é à toa que nosso acervo sobre esta época é enorme”, argumenta.

Um outra decisão importante foi a escolha de Daniela Thomas para assumir a museografia do Memorial. Natural do Rio de Janeiro, Daniela é filha do cartunista Ziraldo. Iniciada no teatro, ela realizou importantes trabalhos de cenografia em peças de destaque, além de ter escrito roteiros teatrais. Tornou-se cineasta, e tem em seu currículo os filmes Terra estrangeira (1994) e Linha de passe (2007), ambos dirigidos em conjunto com Walter Salles.

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