Universidade Federal de Minas Gerais

Diogo Domingues
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Perini: onde está o erro?

Ensino da gramática deve abandonar dogmas e respeitar o português falado, defende Mario Perini

sexta-feira, 7 de maio de 2010, às 8h00

Para que se ensina gramática na escola? Se o objetivo é ensinar a escrever bem, não vale a pena. O raciocínio em forma de pergunta e resposta é do linguista e professor Mario Alberto Perini, crítico do que se denomina gramática tradicional e autor de diversos livros. Segundo ele, a gramática é ensinada de um ponto de vista não científico, como um conjunto de dogmas, sem espaço para debate. “Não é assim que se estuda biologia. Você faz experiências para validar a teoria. Assim, pode descobrir que um postulado está errado. Quando se trata da gramática, ao contrário, aquilo é verdade, e ponto final. Quem está errado é o mundo”, ele argumenta.

Perini vai abordar o assunto em palestra neste sábado, 8, a partir das 10h, na Faculdade de Letras, no campus Pampulha. A palestra – com o tema Ciência e pseudociência na tradição gramatical – é parte da série Letras Debate e terá como debatedora a professora Delaine Cafieiro Bicalho. Na ocasião, a editora Parábola vai lançar o último livro de Perini, Gramática do português brasileiro.

Mario Perini afirma que a gramática que se ensina na escola está muito longe do português que se fala, “é no máximo algo parecido com a língua escrita de cem anos atrás”. Ele exemplifica: enquanto as pessoas dizem normalmente “me dá ele”, os gramáticos insistem em pregar a forma “dá-mo”, que não se usa mais nem mesmo em textos formais.

Professor aposentado e hoje voluntário da Fale, Perini defende que as gramáticas se atualizem de acordo com as pesquisas realizadas nas últimas décadas. Sempre pronto a dar exemplos, ele lembra que as tradicionais cinco categorias de transitividades verbais (transitivo direto, indireto etc.) estão superadas. “Hoje podem-se analisar os verbos de diversas outras formas, para que se perceba uma série de diferenças no comportamento deles quando aparecem com e sem complemento”, ele ressalta. Além da complexidade das transitividades verbais, ele trata em seu último livro de assuntos como as diversas classes de advérbios (“as palavras sim e não são classificadas da mesma forma, mas têm usos diferentes”) e o reconhecimento de que são arcaicos o pretérito mais que perfeito (fizera, chegara) e a mesóclise (dar-lhe-ei).

Realidade da língua
As diversas obras utilizadas no ensino da gramática têm diferenças insignificantes, e os grandes problemas, segundo Mario Perini, estão em todas elas. “O ensino baseado nas ideias cristalizadas nesses livros faz de conta que a língua falada não existe e informa que falamos português errado. Mas como pode ser errada a língua que todo mundo fala?”, questiona o pesquisador, para quem, tirando pequenas distinções de nomenclatura, o conteúdo das gramáticas não muda há mais de um século.

Gramática do português brasileiro, segundo o autor, tem propostas de novas análises, extraídas de suas pesquisas e de outros estudiosos. Perini defende que se ensine gramática como disciplina científica – para isso é preciso contar com descrições mais de acordo com a realidade da língua e “ter atitude menos autoritária, que dê liberdade para o debate”.

Embora ressalte que a gramática não é simples – segundo ele, é ainda mais complexa do que aparece nos livros tradicionais –, Perini denuncia que ela tem noções mal definidas, e que falta coerência nas descrições. O autor volta a provocar: “Escola existe para dar educação ou para preparar para concursos?” De acordo com ele, provas de português de processos seletivos para empregos públicos incluem questões que equivalem a perguntar, num teste de medicina, sobre a forma de contrair malária e esperar como resposta “nos ares da noite”. “Pensávamos que Saturno tinha nove satélites, mas já se descobriu que são mais de 20, e é isso que se ensina hoje. Da mesma forma deve ser no campo da gramática”, reforça Perini (leia mais sobre ele em perfil publicado no Boletim UFMG).

O Letras Debate acontece quinzenalmente, aos sábados, das 10h às 12h, no auditório 1007 da Faculdade de Letras. Os eventos são voltados para alunos de graduação e para professores do ensino básico. Não há necessidade de inscrição. Veja programação do semestre. Outras informações pelos telefones (31) 3409-6009, 3409-6060 e 3409-6061; ou por e-mail: colgra@letras.ufmg.br.

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