Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisa discute impacto da repetência sobre os alunos de baixo desempenho escolar

segunda-feira, 4 de outubro de 2010, às 8h22

O aluno que não tirou boas notas deve “tomar bomba”? Essa é uma pergunta central nas discussões sobre o atual panorama do ensino no Brasil, principalmente quando se trata das séries iniciais. Diversas redes públicas de ensino, como a de Minas Gerais, já há algum tempo adotam o sistema de progressão continuada, que avança o aluno independentemente de seu desempenho e trabalha, no ano seguinte, as dificuldades que ele apresentou juntamente ao conteúdo novo. Mas muitos educadores e pais defendem que a repetência é a maneira mais eficaz de fazer com que o aluno aprenda o conteúdo necessário.

Essa polêmica motivou a realização da pesquisa Repetir ou progredir? Uma análise da eficiência da repetência nas escolas públicas de Minas Gerais, desenvolvida por pesquisadores de três universidades mineiras e divulgada este ano. O estudo é baseado nos resultados do Programa de Avaliação do Ciclo Inicial de Alfabetização (Proalfa) de 2008 e 2009. Foram analisadas as avaliações de mais de 40 mil alunos, repetentes e não repetentes, das redes estadual e municipal.

“Fomos incentivados pela possibilidade de usar uma base de dados recente, que poderia fornecer resultados empíricos para contribuir com o debate atual sobre a eficácia da repetência na vida escolar das crianças e com a premissa de que a retenção não garante maior aprendizado ao aluno”, afirma Vania Candida da Silva, doutoranda em Demografia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Cedeplar) e uma das responsáveis pelo estudo.

Acompanhada por Juliana Ruas Riani (Faculdade de Itaúna) e Tufi Machado Soares (Universidade Federal de Juiz de Fora), a pesquisadora analisou os resultados do Proalfa e percebeu que, entre os alunos que apresentaram baixo desempenho em 2008, os não repetentes mostraram evolução maior do que os repetentes na prova aplicada em 2009. “Ao que tudo indica, a reprovação tem efeito mais negativo nas crianças do que positivo”, resume Vania.

Razões e soluções
Para os três pesquisadores, os resultados do trabalho são apenas preliminares e ainda há muito o que debater em relação à questão, apesar de que as discussões tendam a caminhar para o consenso de que a repetência não é a melhor alternativa. “Além do desgaste emocional e da repercussão na autoestima da criança, expô-la ao mesmo conteúdo novamente, sem trabalhar especificamente suas deficiências, não tem-se mostrado um método eficiente”, reforça Vania da Silva.

O estudo mostra que o desempenho do estudante está diretamente relacionado à qualidade da escola. Por isso, a pesquisadora do Cedeplar defende que se invista na qualificação dos professores e na adoção de novas metodologias. Ela aconselha que sejam usados os resultados de provas como o Proalfa e das próprias avaliações internas como ferramentas de suporte na definição de estratégias para melhoria do desempenho dos estudantes.

“O ideal é que as deficiências dos alunos sejam detectadas e trabalhadas por meio de estratégias pedagógicas diferenciadas, que garantam a continuidade do processo de aprendizagem, sem que a retenção seja necessária”, afirma Vania. “Diversos países têm adotado o fim da reprovação ou sua redução a níveis mínimos, e estudos empíricos mostram que isso não acarreta perda de qualidade da educação”, acrescenta

Avaliação de desempenho
O Programa de Avaliação do Ciclo Inicial de Alfabetização (Proalfa) foi criado em 2005 por uma parceria estabelecida entre o Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação (Ceale/FaE) e a Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais (SEE/MG). Seu objetivo é medir o desempenho de alunos das séries iniciais das redes públicas estaduais e municipais.

Com o apoio do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed), são aplicadas, anualmente, avaliações que verificam os conhecimentos em leitura e escrita adquiridos pelos estudantes após dois anos de escolaridade (3º ano do ensino fundamental). Os alunos que apresentam desempenho considerado “baixo” repetem a prova no ano seguinte, independentemente do ano que estejam cursando.

Segundo os realizadores da pesquisa, a base de dados do Proalfa foi escolhida por apresentar informações atuais, confiáveis, de fácil acesso, e que abrangem toda a rede de ensino pública de Minas Gerais, além de superar uma limitação da maioria dos estudos que tratam da questão da repetência: a ausência de dados longitudinais.

(Edição 1.713 do Boletim UFMG)

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