Universidade Federal de Minas Gerais

Luana Macieira/UFMG
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Cláudia: aproximação entre pacientes melhora qualidade de vida

Transtorno depressivo é a principal causa da redução da qualidade de vida em pacientes com hepatite C

segunda-feira, 29 de setembro de 2014, às 5h50

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 170 milhões de pessoas têm hepatite C ao redor do mundo, doença virótica que pode levar a sérios problemas hepáticos, como a cirrose. Detectável por um exame de sangue, a maior dificuldade de tratamento reside no fato de que a maioria dos doentes não sabe que portam o vírus.

Quando a descoberta acontece, ela quase sempre vem acompanhada de transtornos depressivos, como revela a dissertação Qualidade de vida em pacientes com hepatite C crônica, defendida pela pesquisadora Cláudia Cristina da Cunha no Programa de Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG.

Para compreender os principais fatores que afetavam negativamente a vida dos pacientes com hepatite C, a pesquisadora aplicou um questionário quantitativo em 124 pessoas em tratamento no Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG. Os pacientes entrevistados tinham entre 20 e 74 anos; 58% eram mulheres, e 49% viviam com renda familiar inferior a R$1.200.

“A hepatite C é uma doença silenciosa, o paciente convive com ela por anos, sem sentir nada, levando uma vida normal. O peso do diagnóstico, na maioria dos casos, leva a um estado depressivo, o que reduz consideravelmente a sua qualidade de vida”, explica Cláudia da Cunha.

O questionário abordava questões básicas relacionadas com a qualidade de vida dos pacientes. Eles responderam a perguntas que avaliavam atividades simples do cotidiano, como a facilidade de subir e descer escadas e carregar sacolas. As perguntas também contemplavam outros aspectos físicos, emocionais, sociais, da vitalidade e saúde mental. Os dados obtidos mostraram que 38% dos pacientes em tratamento já apresentavam transtorno depressivo.

“O agravante é que esses pacientes, além de se preocupar com a hepatite, precisam tratar a depressão, uma doença grave e difícil de lidar”, diz a pesquisadora. Ela acrescenta que há pesquisas que sugerem que a depressão é causada pelo próprio vírus da hepatite, uma vez que ele já foi encontrado no Sistema Nervoso Central (SNC). “Esses estudos ainda não são conclusivos, mas o índice de 38% de pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma informação que precisa ser investigada mais profundamente. A presença do vírus da hepatite C no sistema nervoso do paciente poderia ser uma das causas dessa depressão”, diz.

Estigma
Todos os anos são registradas 350 mil mortes por complicações decorrentes da hepatite C no mundo, doença cujo vírus pode permanecer no organismo humano sem se manifestar por mais de 30 anos. Segundo Cláudia Cristina da Cunha, a maioria das pessoas foi contaminada em transfusões de sangue ou procedimentos cirúrgicos.

“A desinformação cria o estigma. Quando é diagnosticada com a doença, a pessoa sofre preconceito até mesmo dos familiares, que imaginam que ela adoeceu porque teve uma conduta sexual promíscua ou pelo uso de drogas. Esses pacientes acabam isolados por medo de contágio familiar, o que aumenta a depressão”, explica a pesquisadora.

Um segundo fator apontado como causador da depressão na pesquisa é o próprio tratamento, doloroso e que exige muita disciplina. “Ele é feito com um medicamento, o interferon, que causa muitos efeitos colaterais. O tratamento debilita fisicamente, causando fraqueza, fadiga e sonolência. Todos esses fatores vão diminuir a qualidade de vida do paciente, tornando-o mais suscetível a quadros depressivos”, afirma.

A pesquisadora ressalta, ainda, que o desconhecimento das formas de transmissão da doença precisa ser combatido para que o estigma e o preconceito diminuam. “A transmissão da hepatite C ocorre por meio do contato com sangue contaminado, seja por transfusão, acidentes com material contaminado ou por meio de drogas injetáveis. O paciente não precisa ser isolado do seu convívio social”, diz.

Trabalho multidisciplinar e troca de experiências
No Ambulatório do Hospital das Clínicas da UFMG, os pacientes são tratados por equipe multidisciplinar, que reúne farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas, médicos, psiquiatras e enfermeiros. O ambulatório também recebe um grupo de pacientes que se reúne uma vez por mês para a troca de experiências sobre a doença. Para a pesquisadora, esse tipo de contato faz doentes e familiares encararem a enfermidade sob uma perspectiva menos negativa. “É interessante estimular encontros de pacientes para que aceitem melhor a doença, ajudando uns aos outros. Quando estão juntos, fica mais fácil afastar a depressão e aumentar os níveis de qualidade de vida”, afirma.

O grupo é aberto ao público e se reúne na última quarta-feira do mês, na Faculdade de Medicina da UFMG. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 9912-0506.

Dissertação: Qualidade de vida em pacientes com hepatite C crônica
Autora: Cláudia Cristina da Cunha
Orientadora: Eliane Costa Dias Macedo Gontijo
Coorientadora: Luciana Diniz Silva
Defendida em 11 de junho de 2013

(Luana Macieira)

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