Universidade Federal de Minas Gerais

Morre a professora Tânia Mara Cançado, criadora do Projeto Cariúnas e do Centro de Musicalização Infantil

sábado, 7 de maio de 2016, às 10h25

Fotos: Foca Lisboa/UFMG
Tania1.jpg Morreu neste sábado, 7, aos 67 anos, a professora Tânia Mara Lopes Cançado, aposentada da Escola de Música. Pianista premiada em vários concursos nacionais, foi idealizadora de dois projetos de extensão na Escola de Música que se tornaram referência nacionais – o Centro de Musicalização Infantil (CMI) e o Projeto Cariúnas.

A professora, que deixou três filhos, lutava, nos últimos anos, contra um câncer. Seu corpo começa a ser velado às 13h30 de hoje, no Cemitério Parque da Colina, e o sepultamento será às 16h.

Trajetória
Com mestrado e doutorado pela Shenandoah University (EUA), Tânia Cançado fez graduação e especialização na Escola de Música da UFMG, da qual se tornou docente em 1978, tendo sido vice-diretora de 1986 a 1990 e diretora na gestão 1990-1994. Era pesquisadora dos temas ritmos africanos, ritmos haitianos, habanera cubana, choro-tango brasileiro, ragtime americano.

De acordo com o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, Tânia Cançado começou a destacar-se em 1984 no cenário musical com o show Tributo a Ernesto Nazareth, em homenagem ao cinquentenário de morte do compositor. Em 1991, apresentou-se na Itália, a convite da embaixada brasileira em Roma.

Projetos e voluntariado
Uma de suas mais destacadas contribuições para o ensino de música, o CMI oferece cursos de educação musical para bebês, crianças e adolescentes, contribuindo para a formação de alunos da Escola de Música. Suas instalações abrigam várias disciplinas dos cursos de graduação e Pós-graduação.

Outra iniciativa de extensão por ela idealizada, em 1997, na Escola de Música, o Projeto Cariúnas “incentiva a vida como obra de arte e ensina a arte como meio de melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes", segundo informa texto disponível no site do projeto. O Cariúnas atende 207 alunos, com atividades de musicalização, dança, canto-coral, criação, teclado, violão, aulas de instrumentos de sopro (saxofone, flauta transversal, trompete, trombone, flauta doce) e percussão.

O gosto pelo trabalho voluntário era uma característica da professora, que, no fim da década de 1980, antes de criar o Cariúnas, investiu em projeto de música com crianças em vulnerabilidade social. E até recentemente, acompanhada pela amiga Maria do Carmo Campara, também professora aposentada da Escola de Música, visitava presídios nos quais apresentava recitais de coral e piano.

Tania.jpg

O que eles disseram
"Tânia Mara exerceu influência fundamental em minha formação artística, profissional e humana, pois sempre foi muito mais que uma mestra. Com seu imbatível entusiasmo construiu uma bela carreira como pianista e docente. Muitos graduandos que passaram pelo CMI se tornaram docentes em instituições de peso no país, além dos que abriram novas escolas de música e outros que se tornaram regentes em orquestras e corais de expressão. Após se aposentar, criou ainda o Projeto Cariúnas. Tânia Mara conseguiu multiplicar o Bem e a Arte neste mundo tão carente de sensibilidade e altruísmo."
Jussara Fernandino, vice-diretora do CMI

"Trabalhei com a Tânia Mara no início dos anos 1990, na Escola de Música. Quando penso nela, me vêm à cabeça as ideias de generosidade e de compartilhamento. Tânia se dedicava a aplainar desigualdades sociais por meio da música e das artes."
Isabel de Oliveira, jornalista

"Tive a oportunidade de acompanhar, como sua secretária, alguns sonhos que se transformaram em projetos de sucesso. Toda a sua dedicação na administração da Escola não a distanciava do seu maior dom: a boa música e o carinho com todos ao seu redor. Dona de uma alegria e de um alto astral que contagiavam e encantavam, era dotada de um dom de agregar e acolher pessoas."
Eliana Alves de Oliveira Ribeiro, servidora aposentada da Escola de Música

"A Tânia foi uma pessoa muito importante na formação musical e pessoal de muitos dos músicos que atuam hoje em Minas e mundo afora. No CMI, onde a conheci, ainda era Tia Tânia, e não apenas nos ensinava música, mas fazia com que nos sentíssemos pessoas especiais e vitoriosas. Com isso, mudou as nossas vidas, nos abrindo portas e possibilidades. Abraçou com tanta paixão essa missão de musicalizar o mundo que deixa uma marca em todos os que tiveram o privilégio de com ela conviver."
Leonardo Cunha, criador e maestro da Orquestra Opus

"À frente do Projeto Cariúnas, ela fez um reconhecido trabalho de resgate de crianças de áreas de risco. E pela música concretizou esse objetivo, haja vista o número expressivo de jovens que, oriundos deste projeto, todos os anos, vêm cursar a graduação na Escola de Música da UFMG. Idealista, batalhadora, generosa, são alguns dos adjetivos que descrevem esta amiga que, antes de tudo, não abandonou sua garra pela vida, sua crença no ser humano!"
Maria do Carmo Souza Campara, professora aposentada da Escola de Música

"A principal característica que percebia na professora Tânia, além de sua musicalidade pulsante, era a alegria. Eu a conheci no palco, como aluno, em 1985, em um concerto com obras de Ernesto Nazareth, divulgando a música brasileira de maneira ímpar. Sua trajetória profissional é, sem dúvida, parte significativa do alicerce que sustenta a Escola de Música da UFMG."
Mauro Chantal, professor adjunto da Escola de Música

"Em minha trajetória encontrei um exemplo de ser humano que me fez definir caminhos, mudar atitudes, ter uma postura mais cuidadosa para comigo mesmo e para com o próximo. Ninguém jamais havia me dito com tanta certeza que acreditava em mim, no meu amor pela música e que por meio dela eu poderia alçar voos mais altos, alcançando a Universidade. À Tânia Mara Lopes Cançado minha gratidão, meu respeito, meu amor! Viverá sempre nos corações de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela."
Reginaldo Costa, professor do Projeto Cariúnas

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