Universidade Federal de Minas Gerais

Campus UFMG Pampulha recebe 15 ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha

28 de abril de 2014

De 5 a 10 de maio a Praça de Serviços do campus Pampulha da UFMG recebe a décima quinta edição da tradicional Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha. Durante toda a semana associações de artesãos montam estandes e expõem peças de decoração, roupas e acessórios. O evento contará com a presença de 22 municípios participantes do Projeto Artesanato Cooperativo e integra as ações do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha, no que diz respeito ao eixo de atuação Geração de Ocupação e Renda.

Considerando que uma das grandes dificuldades do artesão do Vale é expor e vender o seu produto, a parceria da UFMG com as prefeituras dos municípios participantes do Programa Polo, e com as associações de artesãos, cria a oportunidade de negociação dos produtos através de sua exposição no campus da Universidade. Em cada ano, é tradição a homenagem aos mestres artesãos do Vale do Jequitinhonha. Este ano, o homenageado será o ceramista, de Itinga, Ulisses Mendes, bem como a também ceramista Noemiza Batista, de Caraí.

A Pró-reitoria de Extensão da UFMG, por meio do Polo Jequitinhonha, realizou sua primeira feira no ano de 2000. De lá para cá, todos os anos vêm ocorrendo a feira na Praça de Serviços, sendo que em 2001 a Diretoria de Ação Cultural da UFMG assumiu a produção da Feira, incorporando-a em seu calendário permanente. O evento é agendado para a semana que antecede o Dia das Mães, por ser uma ocasião que movimenta o comércio e aumenta o volume de vendas.

Atrações culturais populares da região também compõem a semana dos artesãos do Vale. Participam, este ano, o Grupo Boi de Janeiro e Nega Maluca de Maria Trovão (Itaobim), Grupo Converso, o Coral Flor de Liz (Itinga) e o Cataventoré. Além disso, serão exibidos, durante todo evento, documentários sobre os mestres homenageados e outros mestres homenageados em feiras passadas. O documentário “Os meninos e o boi”, que discorre sobre a Folia de Reis na cidade de Rubim (Baixo Jequitinhonha), também será exibido durante a feira.

Os documentários poderão ser assistidos em estandes especiais a serem montadas no meio da Praça de Serviços. Também em estandes especiais, ficarão expostos produtos de artesãos que se destacaram nacional e internacionalmente, além da exposição: “Noemisa Batista - vida e obra”. A exposição contará com peças de Noemisa pertencentes ao acervo do Museu de História Natural e Jardim Botânico, imagens de fotógrafos do Vale do Jequitinhonha e exibição do DVD da Mestra.

Homenageados

Mestre Ulisses Mendes nasceu em 1955, em Itinga, Minas Gerais. Aprendeu a trabalhar o barro com sua mãe. Em seu trabalho Ulisses retrata o povo: pescadores, camponeses, trabalhadores da terra, da terra seca. Sofredores e sonhadores, que lutam para fazer da terra e da semente o alimento. Os trabalhos de Ulisses falam de um povo: o povo do Vale do Jequitinhonha, que confia e espera o tempo chuvoso para fazer desabrochar o grão, um tempo melhor, tempo de fartura. São imagens que denunciam a pobreza, o desencanto, o esquecimento, a penúria e o sofrimento. Acentua o papel do artista na sociedade atual e as dificuldades enfrentadas pelos mais pobres que se dedicam aos afazeres rurais.

Noemisa Batista dos Santos nasceu em 1946, no Ribeirão da Capivara, município de Caraí. Aprendeu a moldar o barro com a mãe, que era paneleira. Criou um estilo próprio e inconfundível de retratar cenas do cotidiano, com beleza e lirismo, sendo considerada uma das artistas mais criativas da região. Flores e ramos são detalhes que encantam e disputam com o olhar o tema central de suas peças.

Atrações Culturais

Grupo de Cultura Popular Boi de Janeiro e Nega Maluca de Maria Trovão Itaobim-MG
O Folguedo do Boi de Janeiro é um dos principais elementos da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha. O Grupo de Cultura Popular Boi de Janeiro e Nega Maluca de Maria Trovão, oriundo da cidade de Itaobim, é composto por cerca de 45 pessoas. Seus membros têm de 3 a 80 anos de idade. O grupo carrega a mesma alegria de 63 anos atrás quando Maria Trovão saiu pelas ruas nessa grande folia. Hoje a Mestra é Efigênia, que, juntamente com os outros importantes membros do grupo, sai pelas ruas e povoados de Itaobim e cidades vizinhas levando animação, felicidade e resistência da cultura popular do Vale do Jequitinhonha.

Cataventoré
O Cataventoré iniciou a carreira no ano 2000, com uma proposta autoral marcada por referências da cultura popular de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro. O grupo busca, de maneira especial, a sonoridade de instrumentos artesanais, sendo vários deles fabricados pelos próprios integrantes. A instrumentação utilizada inclui pífano, cavaquinho, zabumba, tarol, caixa, pandeiro, além de outros. O show da banda traz uma sonoridade envolvente, no ritmo do baião, do arrasta-pé, do samba, do maracatu. A banda atualmente traz a seguinte formação: Daniel Magalhães (pífano), Chico Bastos (pífano e cavaquinho), Mateus Oliveira (percussão), Júlio Ponzo (percussão) e Felipe Bastos (percussão). Informações sobre a banda: www.cataventore.blogspot.com / www.myspace.com/cataventore

Grupo Conversos
“Conversos” é composto por jovens que visam evidenciar os problemas existentes na sociedade, onde por meio do teatro denunciam a realidade. O grupo tende a romper com os modos hegemônicos, funcionando para além da diversão, mas também como valiosa ferramenta de mobilização, reflexão e consequente transformação social. Acabam por fazer protagonismo jovem, onde por meio da arte discute, mesmo que de forma indireta, processos políticos em suas comunidades, a sociedade capitalista além de outros temas que buscam refletir a realidade em que estão inseridos.
Espetáculo: Conversos de um povo
A peça “Conversos de um povo” retrata os causos, histórias e lendas do Vale do Jequitinhonha, a simplicidade do povo, que vive em meio a tantas dificuldades, mas que não perde a esperança de que tudo um dia não passe mesmo de causos para contar.
É protagonizada por diversos personagens que vivem histórias de amor, assombração, contos, causos engraçados, sofrimento e luta. A peça propõe uma avaliação crítica sobre as dificuldades e sofrimentos enfrentados pela população em um vale pobre, mas muito rico em cultura.

Documentário: Os meninos e o boi
O documentário Os meninos e o boi apresenta a Folia de Reis, seus personagens e a brincadeira do Boi de Janeiro da cidade de Rubim/MG, por meio de imagens e depoimentos de membros de duas folias locais. Mostra o envolvimento das crianças na festa, a sua participação como espectador, a imitação e a recriação, revelando, ao mesmo tempo, a grande força de transmissão que as seduz pelo desejo de continuidade. As falas, imagens e gestos expressam a alegria do pertencimento e as contradições vividas em relação à fé, manutenção da tradição, apoio e inovação.

Histórico da Feira

Situado no Nordeste de Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha é composto, hoje, por 83 municípios, dos quais 52 estão organizados nas microrregiões Alto, Médio e Baixo Jequitinhonha, e 54 estão integrados à área mineira da SUDENE. A região caracteriza-se por pequena oferta de emprego, intenso fluxo migratório e grandes problemas estruturais urbanos.

A saída para tal situação foi encontrada na atividade manufatureira, produção de rapadura, farinha, doces e artesanato (manufaturas domésticas ou comunitárias). Porém, essas atividades, desenvolvidas majoritariamente por mulheres, são vistas, segundo o diagnóstico, como “atividades de complementação de renda”, e não como postos de trabalho.

Complementares ou não, é certo que essas atividades, juntamente com o aumento de benefícios sociais do tipo aposentadoria e bolsa-escola, movimentam o comércio local.

Fortalecer as atividades manufatureiras em outra perspectiva, ou seja, como processo coletivo de geração de renda, pode ser uma alternativa plausível de construção de um novo perfil profissional que ajude a elevar a autoestima dos grupos produtivos, proporcionando-lhes condições de aumentar seus rendimentos, de forma organizada, consolidando o fazer artesanal na região.

Sendo assim, o artesanato constitui-se como ponto fundamental para geração de renda, oportunidade de divulgar a arte do Vale, e ainda como forma de fortalecimento das associações. Torna-se importante reforçar a atuação autônoma das artesãs, capacitando-as para resolver os principais problemas relativos à produção e comercialização de seus produtos. É importante também que as referidas associações estejam preparadas para

O Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha reafirma, desde 1996, a presença da Universidade na região do Vale do Jequitinhonha. Os projetos que compõem o Programa estão alocados em cinco eixos de atuação: Cultura, Educação, Meio Ambiente, Saúde e Desenvolvimento Regional e também no eixo Geração de Ocupação e de Renda.

A área de Geração de Ocupação e de Renda, área de Cultura, e também a área de Saúde e Desenvolvimento Regional têm no artesanato uma de suas principais bases. Considerando que uma das grandes dificuldades do artesão é exatamente expor e vender sua produção, a parceria da UFMG com as prefeituras dos municípios participantes do Programa Polo, com o possível apoio de outras instituições interessadas, cria a oportunidade de negociação dos produtos através da proposta de uma feira. Apoiada nessa ideia, a Pró-reitoria de Extensão, por meio do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha, tornou possível a realização, no ano 2000, da primeira Feira do Vale do Jequitinhonha nas dependências do Campus UFMG, como uma das atividades da Semana do Conhecimento.

Desde 2001, a Diretoria de Ação Cultural da UFMG assumiu a produção da Feira, incorporando-a ao seu calendário permanente. A Feira é agendada para a semana que antecede o Dia das Mães, por ser uma ocasião que movimenta o comércio e, consequentemente, aumenta o volume de vendas. Como estratégia para atrair o público e também para dar maior visibilidade aos artistas do Vale, são oferecidas apresentações abertas e gratuitas, no mesmo local da Feira, sempre no horário do almoço.

Durante todos esses anos, outras ações aconteceram no Vale do Jequitinhonha, especialmente na área de Geração de Ocupação e de Renda. A Universidade teve a oportunidade de conhecer melhor os artesãos, seus trabalhos, suas dificuldades e necessidades, passando a aproveitar o momento em que estavam na Universidade para promover atividades entre eles, envolvendo também os alunos e professores. Dessa forma, em 2005, foram realizados encontros na Escola de Belas Artes para a troca de conhecimentos na área de cerâmica. Em 2007, essa atividade foi ampliada e tornou-se uma oportunidade de troca entre os artesãos e a comunidade em geral. Foram oferecidas, no mesmo ano, oficinas ministradas pelos próprios artesãos e por professores e alunos da Universidade.

Programação

De 5 a 9 de maio - Exposição - Noemisa: vida e obra.

De 5 a 10 de maio - Feira na Praça de Serviços - Campus Pampulha, sendo 2ª, 3ª, 4ª e 6ª das 9h às 18h; 5ª das 9h às 19h; Sábado de 9h às 14h.

De 5 a 7 de maio - Aulas abertas com Mestre Ulisses na Escola de Belas Artes.

Terça-feira 6 de maio: 12h30 Grupo Teatral Conversos/Caraí; Lançamentos dos documentários: Mestra Dona Pretinha (Itaobim) e Os meninos e o boi (Rubim).

Quarta-feira 7 de maio: 12h30 Grupo Cataventoré; Lançamentos dos documentários: Mestra Dona Ana do Baú (Minas Novas) e Mestra Dona Geralda Leite (Francisco Badaró);

Quinta-feira 8 de maio: 17h Homenagem aos Mestres; Lançamentos dos documentários: Mestre Ulisses Mendes (Itinga). Mestra Noemisa Batista (Caraí); 18h Coral Flor de Liz (Itinga)

Sexta-feira 9 de maio: 10h Bate papo com Mestre Ulisses - Praça de Serviços; 12h30: Boi Janeiro de Maria Trovão (Itaobim); Lançamentos dos documentários: Mestra Dona Zizi (Jequitinhonha), Família Pereira (caraí).

Serviço: 15ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha na UFMG
Data: 05 a 10 de maio de 2014
Local: Praça de Serviços da UFMG – Campus Pampulha

Contatos:
Projeto Artesanato Cooperativo:
(31) 3409-5511 / projetos@dac.ufmg.br - Terezinha Furiati

Suporte de Comunicação do Programa Polo Jequitinhonha:
(31) 3409-4067 / polojequitinhonhaufmg@gmail.com – Laura Pimenta e Cinthya Oliveira