Brasil no Oscar: O mais importante é o debate e a visibilidade para o filme, destaca o professor da UFSCar Leandro Saraiva
O roteirista lembrou que não vencer não diz sobre a qualidade de ‘O Agente Secreto’ e ressaltou a carreira sólida de Kléber Mendonça
Nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, o roteirista e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que escreveu os roteiros dos filmes ‘Funk – Baile de Favela’, de Aly Muritiba, e ‘A Fúria’, de Ruy Guerra, e das séries ‘Cidade dos Homens’ e ‘9 mm’, autor do livro ‘Manuel, o primo pobre dos manuais de roteiro’, Leandro Saraiva, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
Pelo segundo ano seguido, muitos brasileiros aguardaram com ansiedade a cerimônia do Oscar, uma das principais premiações do cinema. Foi nesse domingo, em Los Angeles, nos Estados Unidos e o Brasil fez história mais uma vez. “O Agente Secreto”, dirigido por Kléber Mendonça Filho, igualou o número de indicações do filme mais indicado na história do país, “Cidade de Deus”, ambos com 4 indicações. Concorrendo a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura, o longa não venceu em nenhuma categoria.
Sucesso de público, até o momento, “O Agente Secreto” já foi visto por mais de 2,4 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e continua em cartaz. A produção se passa no Brasil de 1977 e aborda a ditadura civil-militar com foco em pessoas perseguidas pelo regime e como o ambiente empresarial e de pesquisa do país sofreu os efeitos do autoritarismo estatal.
Marcelo, professor universitário especializado em tecnologia vai de São Paulo para o Recife, fugindo do passado e, depois de uma ameaça de morte. São várias camadas presentes que fazem com “O Agente Secreto” vá muito além de ser somente um filme sobre a ditadura. Elementos da cultura de Recife, como a lenda da Perna Cabeluda, toques de humor, trilha sonora, a escolha do elenco, com destaque para Dona Sebastiana, a senhora que recebe o protagonista e outras pessoas que estão fugindo para se manterem seguros.
O professor Leandro ressaltou que o resultado não significa derrota para o filme e o cinema brasileiro porque o mais importante foi levantar o debate e democratizar a discussão cinematográfica. Para o roteirista, vencer no Oscar tem uma ligação muito relativa com a qualidade das obras. Ele falou muito sobre ‘O Agente Secreto’, os elementos da produção, a direção de Kléber Mendonça Filho e o desejo de que a mobilização em torno dessa premiação continue impulsionando o cinema brasileiro, que tem muitas produções de qualidade.
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