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‘Panorâmica Perspectiva’ discute novas formas de experimentar a arte 

Professor Eduardo de Jesus, do Departamento de Comunicação da Fafich, reflete sobre o papel do artista contemporâneo, que já não pode mais ser enquadrado em suportes estanques

Por Ana Fatorelli

A história da relação entre arte e imagem em movimento é feita de passagens. Das vanguardas do século XX ao surgimento da videoarte, dos cinemas aos museus e galerias, linguagens, suportes e práticas artísticas se atravessam e se contaminam, abrindo novas formas de experimentar a arte. Esse é o percurso da conversa com o professor Eduardo de Jesus, do Departamento de Comunicação Social da UFMG, no novo episódio do programa Panorâmica Perspectiva

Um dos primeiros capítulos dessa história está nas vanguardas do século XX. Em Um cão andaluz (1929), de Luis Buñuel e Salvador Dalí, a imagem da navalha atravessando um olho tornou-se um marco do cinema moderno, anunciando um gesto de ruptura. Era preciso cortar um modo de olhar para abrir espaço a outro, menos preso à narrativa clássica e mais aberto à experimentação e ao inesperado. 

Décadas depois, o surgimento do vídeo amplia esse horizonte. Incorporado às performances e a outras práticas artísticas, a videoarte dilui as fronteiras entre os meios, tornando tudo mais flexível. A partir desse momento, deixa de fazer sentido definir o artista por um único suporte. “Hoje a gente diz simplesmente ‘o artista’, sem colocar muita especificação, porque ele pode fazer filme, pintar quadros, fazer performance, desenhar, trabalhar com vários meios e vários suportes”, resume Eduardo de Jesus.

Entre a caixa preta e o cubo branco
Esses encontros também transformam os espaços da arte. A caixa preta do cinema e o cubo branco das galerias são duas formas históricas de organizar a experiência das imagens. De um lado, a sala escura, que concentra o olhar na projeção. De outro, o espaço expositivo pensado para acolher a obra. Entre uma e outra, surgem aproximações, sobreposições e novos modos de ocupação. “O cubo já não pode ser tão branco”, resume o professor. 

Ao aproximar o conceito de heterotopia, formulado por Michel Foucault, da experiência dos museus e galerias, Eduardo de Jesus chama a atenção para outra dimensão dessas transformações: o tempo. Uma obra pode durar poucos minutos, oito horas ou um dia inteiro. O visitante entra no meio da projeção, retorna mais tarde e permanece o tempo que desejar. 

Em um contexto em que a vida social, política e cultural é profundamente mediada por imagens, pensar seus modos de circulação e de exibição também pode significar compreender como elas produzem sentidos, estabelecem relações e são apropriadas e reorganizadas.

O programa Panorâmica Perspectiva convida o público a experimentar outras formas de olhar a partir do encontro entre arte contemporânea, cinema e audiovisual. 

Direção: Ana Fatorelli
Roteiro e produção: Ana Fatorelli e Ramon Frank
Apresentação: Ramon Frank
Imagens: Alan Garcia e Lucas Tunes
Edição de imagem: Marcelo Duarte
Videografismo: João Teixeira Jr.
Tecnologia e suporte: Adilson Ferreira
Assistência administrativa: Rozilaine Gil e Renata Lages
Coordenação administrativa: Sandra Antunes
Coordenação técnica: Lucas Tunes
Coordenação de conteúdo: Ariane Gervásio
Vice-direção do Cedecom: Flávio de Almeida
Direção do Cedecom: Fábia Lima 

Categoria: Arte e Cultura

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