Voltar para o Início Ir para o rodapé
PREPARAÇÃO

‘Aulão do Enem’ reúne milhares de estudantes na UFMG

Evento é fruto de parceria entre o MEC e a Universidade; ministro da Educação destacou poder transformador do exame

Por Luana Macieira

Mesmo sob o calor intenso, cerca de dois mil estudantes se reuniram para o aulão do Enem
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Cerca de dois mil estudantes de cursinhos populares e institutos federais de Minas Gerais participaram, na manhã de hoje, quinta-feira, 1º de outubro, do aulão preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado pela UFMG, em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O aulão faz parte das ações da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), programa do MEC dedicado ao apoio de iniciativas de educação popular e comunitária. A atividade ocorreu no campus Pampulha, em Belo Horizonte.

Os alunos tiveram aulas de redação e de matemática, além de assistirem a um duelo de MCs. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, participou do evento e conversou com os estudantes sobre as provas que os esperam. Ele relembrou a criação do Enem em 1998 e descreveu a história do exame, que hoje é a principal porta de entrada para o ensino superior no país. 

“Quando o Enem foi criado, sabíamos que ele seria uma ferramenta transformadora da universidade pública e do ensino superior brasileiro. Antigamente, o jovem não tinha como tentar ingressar em várias universidades, pois cada vestibular exigia uma taxa própria e os deslocamentos para  a prova. Hoje, ele consegue acessar mais de 300 mil vagas de universidades públicas de todo o  Brasil”, disse.

Ministro Leonardo Barchini contou a história do Enem para os estudantes
Foto: Raphaella Dias | UFMG

O ministro destacou o potencial transformador do ensino superior na vida dos estudantes, principalmente aqueles de famílias mais vulneráveis. Ele pontuou que, nos últimos 17 anos, a “cara” das universidades públicas brasileiras mudou graças ao exame e a outras políticas públicas, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

“Hoje, mais de 50% dos estudantes das universidades públicas são cotistas. Hoje há negros nas universidades, e dois terços dos estudantes das federais são egressos de escolas públicas. Estamos viajando pelo Brasil para dizer aos estudantes que o sonho de ingressar em uma universidade no ensino superior é possível. O Enem, juntamente com outras políticas públicas, é a grande ferramenta dessa transformação social. A universidade é de todo mundo, ela é dos brasileiros.”

Reitor Alessandro: a UFMG é de todos
Foto: Raphaella Dias | UFMG

O reitor da UFMG Alessandro Fernandes Moreira corroborou o que disse o ministro ao afirmar que o Enem possibilitou o acesso democrático às universidades públicas do país. “Nós nos colocamos à disposição do MEC para fortalecer as políticas públicas que ajudam os estudantes a ingressarem no ensino superior. Passamos por momentos difíceis durante a pandemia e precisamos que o Enem retome toda a sua força. A UFMG e o ensino público de qualidade são de todos”, garantiu.

A iniciativa do MEC para promover os aulões do Enem nas universidades públicas brasileiras conta com aulas, revisão de conteúdos e orientações para estudantes na reta final de preparação para o exame. Trata-se de uma estratégia de descentralização das ações preparatórias do governo federal, com o objetivo de aproximar os estudantes da educação superior pública e oferecer orientação pedagógica, suporte técnico e estímulo para que realizem as provas com segurança e autoconfiança, promovendo inclusão e equidade no acesso à universidade.

A professora Jana Ribeiro ministrou a aula de redação, que é considerada, por muitos alunos, a prova mais difícil do Enem
Foto: Raphaella Dias | UFMG

A professora de português Jana Ribeiro, que ministrou a aula de redação para os jovens que compareceram à UFMG, contou que estava muito feliz em poder ajudar os estudantes na reta final de preparação para o Enem. Para Jana, encontrar professores e orientadores ajuda os estudantes a se sentirem mais seguros.

“Um evento como este, focado em cursinhos populares, tem uma importância ainda maior quando consideramos o contexto social da nossa nação. O Enem é a maior porta de acesso ao ensino superior no Brasil, e a educação pública de qualidade precisa ser valorizada e oportunizada. Assim, os aulões são essenciais para promover a educação no país.”

Preparação para todos
Voltado para cursinhos populares de todo o estado, o aulão contou com estudantes de diversas cidades e coletivos sociais. O movimento popular União de Núcleos de Educação Popular para Negras, Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro) foi um dos coletivos que compareceram ao campus Pampulha. Marcílio Souza Almeida, coordenador do movimento, falou da necessidade de preparar os estudantes dos cursinhos populares para que eles consigam competir com aqueles provenientes do ensino privado.

Uneafro: coletivo para ajudar jovens negros a ingressarem no ensino superior
Foto: Raphaella Dias | UFMG

“Lutamos por uma educação antirracista e de qualidade em municípios das comunidades mais periféricas e das comunidades quilombolas. Trouxemos 31 estudantes para o aulão para que eles consigam se preparar para competir, em pé de igualdade, com outros jovens dos grandes centros e que vêm do ensino particular. Hoje temos 70 polos espalhados pelo Brasil para ajudar os jovens negros e periféricos a se prepararem para o Enem”, disse.

Ordália: muitos veem o ensino superior como algo distante
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Ordália da Assunção Santos, professora de um cursinho popular de Diamantina, contou que trouxe seus alunos para que eles pudessem, além de assistir ao aulão, conhecer o campus Pampulha. “Muitos deles veem a universidade pública e o ensino superior gratuito e de qualidade como um sonho distante. Então, trazê-los ao campus Pampulha também ajuda nesse sentido: eles percebem que a universidade é aberta e que qualquer um pode se preparar para ingressar aqui. Trazê-los à UFMG ajuda a despertar o sonho de um futuro melhor”, disse. 

Esse sonho é compartilhado por João Carlos, Pedro Carlos e Cauã, entre os milhares de estudantes que participaram do encontro. Os três vieram de Governador Valadares para o aulão e falaram da ansiedade pelo exame que se aproxima. “O Enem é uma prova realmente difícil e que pode decidir o nosso futuro. Sabemos que precisamos nos preparar muito bem. Cada aula assistida, cada simulado feito é um passo em direção à realização do sonho de cursar o ensino superior. Esperamos voltar aqui, no futuro, como estudantes da UFMG”, disse João.

João, Pedro e Cauã: sonho de regressar à UFMG como estudantes
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Enem e o ingresso na UFMG
Neste ano, o Enem ocorre nos dias 8 e 15 de novembro, dois domingos. O exame é o principal mecanismo de acesso à educação superior no Brasil, e suas notas são utilizadas para seleção de estudantes por meio do Sisu e do Prouni, além de serem utilizadas para acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em convênios com instituições de ensino superior de Portugal. 

Em 2026, a UFMG ofertou 6.552 vagas em 87 cursos de graduação por meio do Sisu. Além das vagas de ampla concorrência, há aquelas reservadas pelo sistema de cotas, distribuídas em modalidades definidas com base em critérios como renda familiar, pertencimento étnico-racial (negros, quilombolas ou indígenas) e condição de pessoa com deficiência.

Há, também, o processo seletivo de Habilidades, seleção que combina as notas do Enem com provas de habilidades específicas para os cursos da área de Artes. Os cursos de Licenciatura em Educação do Campo (Lecampo), Formação Intercultural para Educadores Indígenas (Fiei) e Licenciatura em Letras-Libras – além de programas de vagas adicionais para estudantes indígenas aldeados e refugiados – têm processos seletivos específicos.

A vice-reitora Alamanda Kfoury, o reitor Alessandro e o ministro Leonardo Barchini chegando para o aulão na UFMG
Foto: Raphaella Dias | UFMG

A partir de 2028, 30% das vagas dos cursos de graduação da UFMG serão preenchidas pelo processo seletivo Seriado UFMG. O modelo – cujas provas já vêm sendo aplicadas desde 2026 – coexistirá com as formas atuais de acesso. Sua seleção é realizada por meio de avaliações aplicadas ao longo de três anos consecutivos, ao final de cada série do ensino médio.

Duelo de MCs animou os estudantes que assistiram ao aulão no campus Pampulha
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Notícias relacionadas:

Institucional Calouros chegam à UFMG com motivações e aspirações distintas

A primeira segunda-feira de agosto foi marcada por muita emoção e ansiedade entre os quase 2,6 mil calouros que iniciam, hoje, sua trajetória nos cursos de graduação da UFMG. Para recebê-los, os campi Pampulha e Saúde oferecem uma programação que inclui conversas sobre diversos temas, como o funcionamento das avaliações acadêmicas, as políticas de permanência […]

Institucional Em nova série, TV UFMG reconstitui trajetória dos processos seletivos da Universidade

A UFMG foi criada em 7 de setembro de 1927 como Universidade de Minas Gerais (UMG) em decorrência da união de quatro escolas de nível superior que já existiam em Belo Horizonte: a Faculdade de Direito, a Escola Livre de Odontologia, a Faculdade de Medicina e a Escola de Engenharia. Nas décadas seguintes, a Universidade […]

Mostra Sua UFMG Seriado UFMG é apresentado a 700 professores da rede básica

Na ativa aos 70 anos, 50 deles vivenciados como professor de biologia e coordenador pedagógico de escola de educação básica, o professor Olavo Campos acompanhou todas as mudanças de processos seletivos realizadas pela UFMG, desde seu primeiro vestibular integrado, em 1969 – para ingresso em 1970 –, até 2013, quando a Universidade preparava e aplicava seus próprios vestibulares. […]

Categoria: Institucional

Mais lidos

Semana

Notícias por categoria

Escolha a categoria:
Institucional

Sugira uma pauta

Acesse o formulário e sugira uma pauta para ser discutida.

Sugerir Pauta

Feed RSS

Receba atualizações das últimas notícias publicadas.