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Memória e imaginário

Centro Cultural abrigará residência artística sobre sonhos, gênero e criação

Atividade propõe experiência artística de pesquisa, criação e experimentação com mulheres e pessoas LGBTQIA+

Vitória Amaral conduzirá os participantes em cinco encontros
Foto: Caio Marqz

O Centro Cultural UFMG está com inscrições abertas para a residência artística Vamos sonhar juntes?, que será ministrada de 17 de setembro a 16 de outubro pela artista Vitória Amaral, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A proposta busca investigar de que maneira os sonhos podem se transformar em matéria para a criação artística, por meio de ações, performances e espaços de reflexão, estabelecendo relações entre experiências individuais e questões coletivas relacionadas a gênero, identidade, memória e imaginário. Os interessados devem se cadastrar pelo formulário on-line.

A professora guiará os participantes durante cinco encontros, a fim de construir uma experiência artística de pesquisa, criação e experimentação a partir dos sonhos de mulheres e pessoas LGBTQIA+. A iniciativa vai explorar as relações desses grupos com gênero, identidade, memória e imaginário. O registro fotográfico e a produção da residência estão a cargo do artista Caio Marqz.

A residência tem carga horária total de 40 horas e é gratuita. A atividade ocorrerá na Sala 2 do Centro Cultural UFMG, das 14h às 18h. Serão formadas duas turmas – uma às quintas-feiras, outra às sextas-feiras – com 20 vagas cada, abertas a pessoas a partir de 17 anos. Ao final, os participantes que concluírem todos os encontros receberão certificado.

Sobre o projeto
Vamos sonhar juntes? surgiu como desdobramento de um projeto chamado Pedagogia do imaginário e feminismo, que foi desenvolvido entre 2023 e 2024, com foco no reconhecimento e na valorização da produção de artistas mulheres da América Latina. O projeto também dá continuidade a uma trajetória de pesquisa dedicada à articulação entre arte, educação e diferentes contextos sociais, de modo a aproximar universidades, escolas, grupos culturais e comunidades.

“A proposta parte da compreensão de que sonhar também pode ser uma forma de imaginar outros modos de existência”, destaca-se no texto de divulgação. Inspirada pela artista Ana Teixeira e pela obra Cala a boca já morreu!, que aborda questões relacionadas ao silenciamento feminino, Vitória Amaral desenvolveu reflexões e experiências com estudantes de Cabo Verde, em 2021. Ao longo de sua trajetória acadêmica e artística, também participou de ações e experiências em diferentes países da América Latina.

Durante a pandemia de covid-19, a artista integrou grupos virtuais de apoio e debate sobre a violência contra as mulheres, questão que ganhou ainda maior visibilidade no período de isolamento social. Essas experiências contribuíram para a construção de uma pesquisa que articula arte, corpo, natureza, gênero, imaginário e experiência coletiva.

Sobre a ministrante
Vitória Amaral atua como docente na graduação e na pós-graduação em Artes Visuais da UFPE e é pós-doutora em Arte/Educação e Feminismo pelo Instituto de Investigaciones Feministas da Universidad Complutense de Madrid (2011–2012). Realizou um segundo pós-doutorado sobre a América Latina entre 2023 e 2024, com pesquisas e experiências em países como Colômbia, Guatemala, Equador, Peru, Chile e Argentina. É doutora em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo (USP) e mestra em Antropologia pela UFPE. Sua pesquisa concentra-se na educação em artes visuais, com ênfase no estudo das imagens, e fundamenta-se na Teoria do Imaginário, na Abordagem Triangular, nas teorias decoloniais e nas perspectivas dissidentes na e da arte.

A dimensão artística de sua pesquisa também se desenvolve por meio de experiências coletivas, interculturais e performáticas. Durante a pandemia, criou e integrou grupos de conversação com mulheres cis e trans, por meio de encontros virtuais realizados pelo Google Meet. “Esses espaços constituíram redes de escuta, acolhimento, diálogo e apoio mútuo entre mulheres de diferentes territórios, envolvendo grupos de Rosário e Buenos Aires, na Argentina; Santiago, no Chile, e diferentes regiões do Brasil”, relata a artista.

“Todas as experiências – os encontros, as escutas, as viagens, os rituais, as performances, os corpos, as paisagens e as narrativas de mulheres latino-americanas – constituem matéria e fermento para sua produção artística e para suas pesquisas em Arte/Educação. São experiências que alimentam uma prática fundada no diálogo entre arte, imaginário, feminismos, decolonialidade, natureza e resistência”, completa. A artista tem diversos artigos e livros publicados, entre os quais se destaca Mulheres não devem ficar em silêncio (2019).

Categoria: Cursos

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