UFMG consolida-se como referência nacional em vacinas, diz ministro da Saúde
Alexandre Padilha visitou, neste sábado, as instalações do CTVacinas, onde é desenvolvido imunizante contra a forma predominante da malária no país
Por Redação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou neste sábado, 10 de outubro, as instalações do CTVacinas da UFMG, onde é desenvolvida a Vivaxin, primeiro imunizante contra o Plasmodium vivax, causador da forma predominante da malária no país. A vacina recebeu, na última quarta-feira, dia 7, autorização da Anvisa para dar início aos testes com humanos.
Ao lado da vice-reitora Alamanda Kfoury e de pesquisadores do CTVacinas, o ministro Padilha esteve nos laboratórios em que são realizados os estudos da vacina, conversou com jornalistas e acompanhou uma apresentação sobre o imunizante no auditório do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).
“Esse marco [a autorização para o início dos testes da Vivaxin em humanos] consolida o CTVacinas como uma grande referência no Brasil em desenvolvimento de vacinas. É uma estrutura que prepara o país para enfrentar futuras pandemias”, avaliou o ministro, que afirmou, ainda, que “a memória da pandemia de covid-19, que provocou a morte de 700 mil pessoas, não pode ser superada”.
Sobre a nova vacina, Padilha lembrou que ela deve se inserir no conjunto de políticas de saúde pública para combater a doença, endêmica no Brasil, principalmente na Amazônia, onde representa um flagelo para os povos Yanomami “Felizmente, alcançamos a menor taxa de ocorrência de malária nos últimos 47 anos e, pela primeira vez, tivemos menos de 50 óbitos em um ano”. destacou. No entanto, a malária continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil e em outros países tropicais. Somente a forma da doença causada pelo P. vivax registrou 9,9 milhões de casos em 2024.
Durante sua apresentação, Alexandre Padilha destacou os investimentos feitos pelo governo federal em estruturas de pesquisa da UFMG nos últimos anos. Segundo ele, foram aplicados R$ 133,5 milhões no desenvolvimento de vacinas e testes, sendo R$ 60 milhões no Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), que está sendo implantado no BH-TEC. As três fases dos testes clínicos da Vivaxin custarão R$ 12 milhões, também bancados pelo Ministério da Saúde. Padilha mencionou, ainda, o convênio firmado no início do mês entre a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a Unidade Emprapii Inovação de Fármacos e Vacinas (FarmaVax) da UFMG para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a hemofilia.
O caminho das vacinas
Coordenador do CTVacinas, o professor Ricardo Gazzinelli afirmou que o estágio alcançado pela estrutura no desenvolvimento de imunizantes da UFMG foi pavimentado pela experiência da SpiN-TEC, a primeira vacina 100% brasileira contra a covid-19. “Foi ela que nos ensinou o caminho das vacinas, incluindo a Vivaxin”, disse ele. ressaltando que a vacina contra o novo coronavírus, que já conclui os estudos de fases 1 e 2 e aguarda autorização para iniciar os testes de fase 3, revelou-se segura e imunogênica.
A diretora da Anvisa, Daniela Marreco, afirmou que a Vivaxin é uma “expressão” do marco legal da ciência e relatou os esforços feitos pela agência reguladora para acompanhar e dar celeridade à avaliação de processos relacionados a produtos estratégicos para a saúde brasileira. “Um exemplo é comitê de inovação, criado neste ano, que analisa tecnologias invodoras como a Vivaxin”.
A vice-reitora Alamanda Kfoury enalteceu os esforços de pesquisadores, técnicos e estudantes que trabalharam no desenvolvimento do imunizante e reafirmou o compromisso da UFMG com a produção do conhecimento, com a formação de quadros qualificados e com o fortalecimento do SUS: “A vacina salva vidas, e isso não é mera retórica. O estado de Nova York decretou recentemente situação de emergência por causa de um surto de sarampo, doença perfeitamente prevenível por vacina”.
Segura, imunogênica e estável
Coube à pesquisadora Ana Clara Gazzinelli fazer um relato sobre os resultados alcançados até agora com a Vivaxin, desenvolvida em colaboração com a USP e com o laboratório Cristália, De acordo com ela, o imunizante revelou-se seguro nos testes com modelos experimentais, imunogênica – ou seja tem capacidade para gerar resposta imunológica ao P.vivax – e estável em temperatura ambiente, o “que é fundamental para o armazenamento e distribuição pelo SUS”.
A Vivaxin é um imunizante de subunidade proteica, baseado em uma proteína recombinante denominada PvCSP-All epitopes, que reúne regiões conservadas e epítopos de diferentes variantes da proteína circunsporozoíta (CSP) do parasita, incluindo VK210, VK247 e P. vivaxlike. Essa estratégia assegura a indução de uma resposta imunológica ampla, capaz de reconhecer diferentes variantes do P. vivax e impedir o estabelecimento da infecção.
O estudo clínico
O estudo de fase 1 será realizado em Belo Horizonte, no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG. Seu objetivo é avaliar a segurança, as reações à vacina e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica. Os resultados obtidos nessa fase deverão orientar as próximas etapas do desenvolvimento, necessárias para avaliar a proteção contra a doença.
O protocolo registrado prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, sem infecção prévia por malária. Serão avaliadas três dosagens da candidata, com participantes distribuídos em grupos que receberão Vivaxin ou placebo. O esquema prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. O acompanhamento terá duração prevista de 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento dos participantes. A expectativa é que os testes comecem nos próximos meses.
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