Cida Moura, da ECI, é homenageada em Moçambique
Ela e outros nove professores desenvolveram estudo que viabilizou a criação de curso superior em Ciência da Informação na Universidade Eduardo Mondlane, a principal do país
Por Teresa Sanches
A professora Maria Aparecida Moura, da Escola de Ciência da Informação (ECI), foi homenageada durante sessão solene realizada por ocasião das comemorações dos 50 anos de independência de Moçambique e dos 15 anos de criação do curso de graduação em Ciência da Informação na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, na semana passada.
No biênio 2006-2007, a docente da UFMG coordenou estudo financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do projeto Pró-África, ao lado da professora moçambicana, Wanda Maria Peres do Amaral, também homenageada, sobre a viabilidade de criação do curso Ciência da Informação, na universidade pública mais antiga de Moçambique, a Eduardo Mondlane. Anteriormente, Cida Moura, como é carinhosamente conhecida na comunidade acadêmica, já havia sido uma das formadoras dos 17 pesquisadores e estudantes que se graduaram em Ciência da Informação na ECI da UFMG, entre 1994 e 2000, por meio de cooperação inédita entre as duas instituições.
Após ministrar a palestra Autoridade epistêmica em tempos de inteligência artificial generativa: implicações para a organização e circulação do conhecimento científico, que integrou a programação celebratória em Maputo, Cida Moura foi “surpreendida pela homenagem”, que se estende aos demais docentes da ECI, colaboradores do projeto, conforme pronunciamento da diretora da ECA, Ezra Nhampoca: “A Ciência da Informação moçambicana tem um elo muito forte com a Ciência da Informação brasileira, e isso se deve, em grande medida, à facilidade linguística e ao desenvolvimento de ações de cooperação técnica entre os dois países, bem como ao interesse de individualidades renomadas que acreditaram no projeto. Entre elas e pela parte da equipe brasileira, a professora doutora Cida Moura, nossa oradora hoje, como é carinhosamente chamada e que aqui está conosco. E os professores Alcenir Soares dos Reis, Maria Guiomar da Cunha Frota, Helena Maria Tarchi Crivellari, Marta Pinheiro, Rosemary Dore Heijmans, Manoel Palhares Moreira, Fabrício José Nascimento da Silveira, Aparecida Maciel da Silva Shikida e Denise Catarina Silva.”
A professora da UFMG conta que recebeu a homenagem com muita alegria: “Foi especial por retornar a Moçambique, 17 anos após a primeira visita, e reencontrar minha parceira de projeto, a professora Wanda do Amaral, com seus 85 anos, e observar que as parcerias entre docentes, discentes e profissionais da informação podem contribuir efetivamente para o desenvolvimento social, cultural e educacional de um país”, disse Cida.
Cooperação Sul-Sul nos 75 anos da ECI
Na percepção de Cida Moura, a parceria contribuiu para o amadurecimento e o fortalecimento da Ciência da Informação em Moçambique, que já conta com oferta de pós-graduação e um prédio com melhor estrutura. Além disso, o curso vem trabalhando conjuntamente com instituições de outros países e trabalhando sob perspectivas mais amplas: “O momento foi muito especial e coincide com a celebração, aqui na UFMG, dos 75 anos da Escola de Ciência da Informação. Consideramos que a cooperação Sul-Sul pode dar frutos e contribuir efetivamente para o desenvolvimento das nações.”
A docente recorda que, no início do estudo, viabilizado pelo Pró-África do CNPq, os pesquisadores identificaram elevado índice de analfabetismo em Moçambique. “Mas também observamos elementos importantes, que funcionavam bem na sociedade moçambicana, como os serviços de e-mail e celular”, exemplifica.
Após levantamento e tabulação de dados e informações, a equipe brasileira liderada por Cida Moura e a moçambicana, por Wanda do Amaral, verificaram a necessidade de propor uma formação em Ciência da Informação que contemplasse a realidade social, cultural, política e tecnológica do país. As negociações institucionais seguiram até 2008, ainda com participação da equipe da UFMG, e, no ano seguinte, a Universidade Eduardo Mondlane aprovou a criação do curso.
Ex-colônia portuguesa, após a independência até a década de 1990, Moçambique contava apenas com um curso de ciências documentais em nível médio, além de 28 profissionais, graduados e pós-graduados na área em instituições do exterior, conforme relatou a professora Wanda do Amaral, em 2007, durante visita de comitiva moçambicana à UFMG. Naquela época, o atendimento à demanda das unidades de informação das empresas, do Estado, da academia e das instituições civis era feito, majoritariamente, por especialistas formados em outras áreas ou pelos trabalhadores da informação, os documentalistas, que desempenharam importante papel na história recente do país.
Durante a homenagem, a diretora Ezra Nhampoca também destacou a primeira parceria da Universidade Eduardo Mondlane com a UFMG, ainda na década de 1990, que considerou “estratégica” para a formação específica de parte dos seus funcionários (documentalistas) em Biblioteconomia e Arquivologia. “Essa estratégia foi determinante, não só para a UEM, mas, sobretudo, para a área como um todo, no país.” Segundo ela, foi assim que em 1998 surgiu o Instituto Médio de Ciências Documentais (CIDOC), que viabilizou uma abordagem mais estruturada no treinamento em Biblioteconomia e Arquivologia e a posterior parceria que resultaria na criação do curso de Licenciatura em Ciência da Informação em Maputo.
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