Luiz Marques, da Unicamp, debate ecocídio e saídas para a crise climática
Autor da obra 'Capitalismo e colapso ambiental', vencedora do Prêmio Jabuti, pesquisador vai ministrar conferência e minicurso na UFMG
Por Núcleo de Comunicação Institucional do IEAT/UFMG
O historiador, ambientalista e professor aposentado do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Marques estará na UFMG de 17 a 21 de agosto como convidado do programa Cátedras Alternativas ao Neoliberalismo do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat) da UFMG. Durante sua estada na Universidade, o pesquisador ministrará conferência e um minicurso abertos ao público, abordando os impactos da emergência climática e os desafios para a construção de alternativas diante da aceleração da crise socioambiental.
Na segunda-feira, 17 de agosto, às 10h30, Luiz Marques ministra a conferência Ecocídio e construção de alternativas: os limites térmicos da sobrevivência e a perda do controle humano sobre o fogo. A atividade será realizada no auditório Baesse, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), no campus Pampulha. A conferência terá mediação dos professores Patrícia Kauark, diretora do IEAT, e Juarez Guimarães Dias, coordenador da Cátedra IEAT Alternativas ao Neoliberalismo. As inscrições devem ser realizadas previamente pela plataforma Even3.
Mortes e fogo
Tomando como referência o Sexto Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), segundo o qual mesmo aumentos relativamente pequenos da temperatura média global são capazes de provocar mudanças significativas na frequência e na intensidade de eventos climáticos extremos, a conferência examinará dois dos principais impactos associados ao aquecimento global: o aumento da mortalidade provocado por ondas de calor cada vez mais intensas, frequentes e prolongadas e a crescente perda de controle sobre os incêndios florestais.
Durante a apresentação, Luiz Marques discutirá como o aumento das temperaturas afeta especialmente as populações urbanas, em razão das chamadas ilhas de calor, e analisará exemplos do avanço de incêndios florestais de grandes proporções no Brasil e em outros países. Além de destruir ecossistemas e reduzir a biodiversidade, esses eventos intensificam a poluição atmosférica, atingem regiões distantes dos focos de queimada e reforçam o próprio processo de aquecimento global, criando um ciclo de retroalimentação da crise climática.
Minicurso
Nos dias 19, 20 e 21 de agosto, Luiz Marques vai ministrar o minicurso Ecocídio e construção de alternativas, das 19h às 21h, no Centro Popular de Educação e Cultura Carolina Maria de Jesus, localizado na Rua Sapucaí, 571, no bairro Floresta. As vagas são abertas a estudantes de graduação, pós-graduação e ativistas vinculados à UFMG. Os participantes receberão certificado, mediante inscrição prévia pela plataforma Even3.
Partindo de evidências científicas sobre a aceleração das mudanças ambientais globais, o minicurso discutirá como diferentes processos vêm comprometendo a habitabilidade da Terra e as alternativas políticas e sociais que podem contribuir para enfrentar esse cenário. A atividade tem como ponto de partida o alerta feito, em 2023, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, de que “a única surpresa é a velocidade da mudança” diante do agravamento da crise climática, largamente compartilhada pela comunidade científica.
Ao longo dos três encontros, Luiz Marques apresentará os principais eixos que caracterizam esse processo de aceleração, entre eles a degradação da biosfera global, com destaque para o Brasil, a emergência climática e seus impactos, a poluição químico-industrial e o agravamento de fenômenos sociais e políticos, como o aumento das desigualdades, dos orçamentos militares, da extrema-direita e dos impactos associados ao avanço da inteligência artificial.
Sobre a convidado
Luiz Marques é professor livre-docente aposentado do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. De 2021 a 2024, Marques foi professor sênior de Humanidades e Ambientalismo na Ilum Escola de Ciência, vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). É membro dos coletivos 660, Ecovirada e Rupturas, especializados na reflexão sobre o ecossocialismo e a crise ambiental contemporânea.
Após consolidar trajetória acadêmica como pesquisador de História da Arte Medieval e do Renascimento – período em que também participou da criação da Escola de Arte do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) – Luiz Marques passou a dedicar suas pesquisas às relações entre capitalismo, crise ecológica e mudanças climáticas, consolidando-se como um dos principais pesquisadores brasileiros dedicados aos estudos sobre a crise ecológica contemporânea. É autor de obras de referência sobre o tema, como Capitalismo e colapso ambiental, vencedora do Prêmio Jabuti, O decênio decisivo: propostas para uma política de sobrevivência, e Ecocídio: por uma (agri)cultura da vida, que será lançado em Belo Horizonte durante sua passagem por Belo Horizonte.
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