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Tecnologia de ponta

Empresa residente no BH-TEC é a ‘deep tech’ do ano na América Latina

FabNs, startup nascida na UFMG, superou mais de 400 concorrentes; ela desenvolveu o nanoscópio óptico Porto, equipamento que gera a maior resolução espacial do Hemisfério Sul

Por Agência BH-TEC

Visão lateral do nanoscópio Porto, principal produto da FabNS
Foto: arquivo FabNS

Uma empresa de instrumentação científica nascida no Laboratório de Nanoespectroscopia da UFMG alcançou o topo da inovação latino-americana. Residente do BH-TEC, a FabNS foi eleita a Deep Tech do Ano de 2026 após superar mais de 400 startups concorrentes de diferentes países da região. Deep tech é um termo que designa startups que desenvolvem processos e tecnologias avançados.

A empresa venceu primeiro a categoria Industry, technology and infrastructure e avançou para a disputa entre as sete campeãs setoriais. Depois de nova apresentação para a comissão julgadora, conquistou também o primeiro lugar geral e recebeu R$ 30 mil.

A seleção começou com mais de 400 startups inscritas. Desse universo, 21 empresas avançaram às semifinais, divididas em sete categorias, com três concorrentes em cada uma.

As semifinalistas tiveram cinco minutos para apresentar suas tecnologias, o estágio de desenvolvimento e o potencial de impacto. Uma vencedora foi escolhida em cada categoria e convocada ao palco principal para um novo pitch, desta vez com três minutos.

Percurso e conceito
A trajetória da FabNS parte da pesquisa científica desenvolvida na UFMG e avança para a criação de equipamentos e soluções de instrumentação. A empresa integra a comunidade residente do BH-TEC, ambiente em que mantém contato com outros negócios de base tecnológica, centros de pesquisa e possíveis parceiros.

Esse percurso está no centro do conceito de deep tech. São empresas formadas com base em conhecimento científico avançado, com ciclos de desenvolvimento mais longos e tecnologias destinadas a enfrentar problemas complexos da indústria e da sociedade.

O prêmio avaliou critérios como base científica, diferenciação tecnológica, maturidade, potencial de impacto e capacidade de transformar pesquisa em solução de mercado.

A Feira de Startups do Deep Tech Summit aproxima empresas de base científica de investidores, corporações e parceiros estratégicos. Estavam aptos a concorrer negócios formalmente registrados em países da América Latina e atuantes em áreas como saúde, energia, agronegócio, novos materiais, indústria avançada, mineração e tecnologia.

“O reconhecimento é de todo o nosso time. Chegar até aqui mostra a força de uma empresa que nasceu da ciência e trabalha para transformar conhecimento em tecnologia”, avalia Taiguara Tupinambás, CCO da FabNS.

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Nanoscópio é o carro-chefe
Criada em 2020, a FabNS tem como principal produto o nanoscópio óptico Porto, dotado da maior resolução espacial do Hemisfério Sul, capaz de revelar estruturas na escala de um nanômetro e apoiar pesquisas em áreas como novos materiais, energia, eletrônica e saúde.

A tecnologia combina nanoantenas ópticas patenteadas, softwares próprios e um sistema formado por mais de 2 mil componentes eletrônicos. Um dos primeiros equipamentos foi utilizado em uma pesquisa sobre a supercondutividade do grafeno que ganhou a capa da revista Nature, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo.

Em 2023, a FabNS exportou o Porto para a Universidade Humboldt de Berlim, na Alemanha, referência internacional em pesquisa científica. A operação marcou a entrada de uma tecnologia brasileira de espectroscopia óptica de campo próximo em um dos mercados mais avançados do mundo.

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