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Promoção ou relegação?

Função social do ensino profissional é tema de livro da Editora UFMG

Obra será lançada gratuitamente durante simpósio franco-brasileiro, na IFRN, em Natal

Por Setor de Imprensa | Editora UFMG

obra também problematiza os modelos de educação profissional orientados pela padronização e pelo treinamento rápido, contrapondo-os a perspectivas que compreendem a formação como processo contínuo e associado à emancipação dos sujeitos
Obra problematiza modelos de educação orientados pela padronização, contrapondo-os a perspectivas que compreendem a formação como processo contínuo e de emancipação dos sujeitos
Imagem: Divulgação (expandida com uso de IA)

A educação profissional, vetor de oportunidades, pode também contribuir para a reprodução de desigualdades sociais? Essa é uma das questões centrais de A função social do ensino profissional: relegação ou promoção?, livro da socióloga francesa Laure Minassian, que será lançado nesta sexta-feira, dia 21, às 9h, durante o 2º Simpósio Franco-Brasileiro de Educação Profissional, que ocorre no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Traduzida por Mathieu Bocher, a publicação, resultado de parceria entre a Editora UFMG e a Editora IFRN, está disponível gratuitamente em formato digital.

O lançamento será acompanhado de uma conferência on-line com a autora, Laure Minassian. A atividade contará com tradução simultânea e integra a programação do simpósio, que promove o intercâmbio acadêmico entre pesquisadores brasileiros e franceses em relação aos debates sobre os desafios e as perspectivas da educação profissional.

Ambivalência histórica
A edição brasileira de A função social do ensino profissional: relegação ou promoção? amplia o acesso a uma reflexão sobre um campo educacional que ocupa posição estratégica nas políticas de formação para o trabalho. Ao longo da obra, Minassian examina a ambivalência histórica da educação profissional: de um lado, apresenta-se como possibilidade de formação, inserção profissional, continuidade dos estudos e promoção social; de outro, como espaço que pode reproduzir processos de segregação e desigualdade.

A autora articula perspectivas históricas, políticas e sociológicas para analisar diferentes modelos de educação profissional, estabelecendo comparações entre experiências europeias e latino-americanas. Entre os temas abordados estão a democratização do ensino, as desigualdades de gênero e classe, as relações entre educação e trabalho e as trajetórias dos egressos da formação profissional no mercado de trabalho e no ensino superior.

Espaço de possibilidades
Na edição brasileira, o prefácio, assinado por Márcio Azevedo, do IFRN, e por Cláudia Battestin, da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), destaca a necessidade de compreender a educação profissional para além da preparação para uma profissão.

Os autores do prefácio lembram que as lutas históricas pelo direito à educação gratuita e de qualidade fizeram da escola um espaço de possibilidades para diferentes segmentos da classe trabalhadora. Nesse sentido, a educação profissional pode representar acesso não apenas à formação para o trabalho, mas também à cultura, à autonomia e à continuidade dos estudos. Ao mesmo tempo, os especialistas ressaltam que a função social da educação nem sempre esteve associada à cidadania e à democratização. A história da educação profissional também é marcada por processos de diferenciação e desigualdade, o que torna necessário analisar criticamente as políticas e os modelos de formação destinados aos diferentes grupos sociais.

O livro aborda questões como a relação entre escola e trabalho, a formação para o mercado e para o mundo do trabalho, as carreiras profissionais, as desigualdades de gênero e as possibilidades de democratização da educação. A obra também problematiza os modelos de educação profissional orientados pela padronização e pelo treinamento rápido, contrapondo-os a perspectivas que compreendem a formação como processo contínuo e associado à emancipação dos sujeitos.

Laure Minassian é socióloga da educação, especializada em educação e desigualdades escolares. É engenheira de pesquisa na Diretoria de Formação Acadêmica da Universidade de Nantes e pesquisadora na Universidade Paris 8. Mathieu Bocher é tradutor e professor de francês com vasta experiência internacional. Mestre pela Sorbonne Nouvelle – Paris III, ele é fluente em quatro idiomas (francês, português, espanhol e inglês) e morou no Brasil por nove anos.

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