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Pesquisa propõe escuta individualizada de jovens em transição de gênero

Defendida na pós-graduação em Promoção de Saúde e Prevenção da Violência, dissertação alerta para os riscos de diagnósticos excessivos e abordagens padronizadas

Por Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina

Marcha Trans e Travesti no Centro do Rio de Janeiro
Marcha Trans e Travesti no centro do Rio de Janeiro, em 2023
Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil

Métodos rígidos de atendimento e o excesso de diagnósticos podem limitar a expressão da singularidade de jovens em transição de gênero, indica pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Promoção de Saúde e Prevenção da Violência, da Faculdade de Medicina. Com base na análise de cinco casos clínicos de jovens transgêneros acompanhados pelo programa de extensão Janela da escuta, a pesquisa defende uma abordagem individualizada, pautada na escuta e na compreensão das singularidades de cada sujeito.

“A gente tem uma necessidade de respostas muito rápidas para apaziguar certa angústia da vida, da incerteza do que vai acontecer. Mas é importante ter calma, dar um tempo para esse jovem elaborar uma resposta singular, e não ficar tentando encontrar respostas, que nem sempre vão funcionar para todo mundo”, afirma a autora, Viviane Cunha.

Contraste
A dissertação apresenta casos de adolescentes em diferentes contextos familiares e momentos de elaboração sobre gênero, corpo e sexualidade. Entre os casos analisados estão Ana e Maria Laura, ambas de 14 anos e adotadas. Enquanto Ana enfrenta hostilidade familiar e busca formas próprias de expressar sua feminilidade, Maria Laura recebe um “excesso de atenção” durante sua transição e passa por sucessivas intervenções de especialistas e múltiplos diagnósticos. Para a autora, situações tão distintas demonstram os riscos de respostas previamente estabelecidas que não consideram as particularidades de cada jovem.

Outros casos analisados mostram a presença dos chamados “eventos satélites”, expressão utilizada no estudo para se referir a sofrimentos e angústias que coexistem com as questões relacionadas ao gênero.

A pesquisa sustenta que a análise pode oferecer aos jovens espaço para elaborar suas experiências e construir respostas próprias, para além das expectativas sociais. “A análise é muito particular porque cada um vai trazer esse incômodo de um lugar diferente: da família, do laço social ou da imagem”.

Segundo a pesquisadora, a investigação de casos clínicos também pode contribuir para ampliar a compreensão social sobre as diferenças e sobre os processos de construção da própria identidade. “O que está posto é o desafio de elaborar sobre si mesmo, sua vida, sua história”, destaca.

Leia a matéria completa no Portal da Faculdade de Medicina.

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