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Obituário

Morre o professor Paulo Bernardo Vaz, do Departamento de Comunicação da Fafich

Paulo B, como era chamado pelos amigos, foi um reconhecido pesquisador nas áreas de imagem, tipografia e publicidade na mídia impressa

Por Flávio de Almeida

Paulo B durante a apresentação de seu trabalho sobre a Folhinha Mariana no evento de Bogotá
Foto: Elton Antunes

Morreu, nesta sexta-feira, dia 26 de dezembro, em Belo Horizonte, o professor Paulo Bernardo Ferreira Vaz, do Departamento de Comunicação Social da Fafich. Paulo B, como era chamado pelos colegas e amigos, desenvolvia pesquisas sobre design gráfico, fotojornalismo, imagem, tipografia e publicidade na mídia impressa. Ele tinha 76 anos e convivia há algum tempo com problemas cardíacos. Estava internado no Hospital Orizonti havia duas semanas e não resistiu a uma cirurgia a que se submeteu no dia de hoje.

O velório será neste sábado, dia 27, no Memorial Zelo (Avenida do Contorno, 8.657, bairro Gutierrez, Belo Horizonte), das 12h30 às 15h30. Não haverá sepultamento.

O professor Elton Antunes, do Departamento de Comunicação Social da Fafich, lamentou a morte do colega, que considera um mestre mesmo sem ter sido seu aluno. “Foi meu grande professor. Um servidor público sério, mas que vivia a universidade com a mesma leveza e prazer que levava a vida. Essa talvez tenha sido a maior lição que ele me ensinou”, afirma Elton, que sempre se reunia com o amigo em confraternizações, além de participar com ele de eventos acadêmicos. O último, realizado em novembro, foi o Encontro da Rede de Cultura Gráfica, em Bogotá, capital da Colômbia. “Paulo apresentou um trabalho sobre a Folhinha Mariana, que mantém até hoje forma gráfica similar às dos jornais do século 19”, relata.

Juntamente com os colegas Ângela Marques e Bruno Souza Leal, Elton Antunes organizou o e-book Paulo B: um perfil em mosaico, um glossário em aberto. A publicação, lançada em 2020 pelo selo do Programa de Pós-graduação em Comunicação, foi motivada pela decisão do professor de encerrar suas atividades acadêmicas voluntárias nas quais orientava dissertações de mestrado e teses de doutorado – ele já havia se aposentado oficialmente em 2012. “Este livro revela os dons partilhados por Paulo B com cada um dos autores que aceitou participar de sua escritura. Cada seção revela, de maneira muito pessoal, os afetos que marcaram a convivência com Paulo durante sua trajetória como professor da UFMG”, explicam os organizadores no texto de apresentação do livro.

Paulo B (de azul) ao lado do colega Elton Antunes (de cachecol vermelho) durante evento realizado em Bogotá, em novembro
Foto: Flickr do II Encontro Internacional da Rede Latino-americana de Cultura Gráfica

Ligação com os livros, imagens e poderes mágicos
Com efeito, a obra busca – e consegue –  sintetizar um mosaico da personalidade multifacetada do professor. Ângela Marques, por exemplo, que foi sua aluna na graduação e depois colega na docência, definiu Paulo B “como irreverente, culto, debochado, extremamente inteligente, refinado e muito, muito ligado aos livros, suas imagens e grafismos. O livro lhe interessa não só como fonte de conhecimento, mas como objeto raro, preciosidade de colecionador”.

Autora de outro artigo, a pesquisadora Gracila Vilaça, aluna do mestre na graduação e orientanda dele no mestrado, destaca o conhecimento aprofundado que Paulo B tinha das imagens – daí o título O cientista das imagens  que atribuiu ao seu texto. “Foi ele quem me apresentou a Piet Mondrian e, por isso, desde então, todas as vezes que encontro as obras do pintor ou referências a elas é a imagem de Paulo B que emerge na minha mente. Naquela época, foi ele quem trouxe para o nível da consciência, sobre pano de fundo teórico, a tendência humana de reconhecer rostos nas imagens à nossa frente. Sejam nuvens, manchas ou quaisquer outras conformações imagéticas espontâneas ou manipuladas pela ação dos seres viventes”, registrou a pesquisadora.

Na mesma obra, Carlos Alberto de Carvalho, outro que manteve convivência estreita com Paulo B, o chamou de “gentil apressado”, enquanto Carla Mendonça ressaltou sua elegância e supostos dotes mágicos que se materializavam em sua “capacidade de desaparecer” de eventos sociais, como encontros, cafés entre amigos e velórios. “Então, inevitavelmente, todos são hipnotizados pela sua presença. Mas quem o conhece já sabe. Talvez seja esse o segredo do seu charme: ele vai desaparecer. Não se sabe quando e muito menos por qual porta: à francesa, bien sûr, de repente, é uma incógnita aonde Paulo Bernardo foi parar. Mas o fato, claro, é que ele foi levar sua elegância para flanar em outros lugares”, escreveu Carla, que foi orientada pelo professor em seu doutorado.

Nascido em Divinópolis, no Centro-oeste de Minas Gerais, Paulo Bernardo era graduado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1974), mestre em Editoração e Audiovisual (1980), Diploma de Estudos Aprofundados (DEA) em Audiovisual e Telemática (1981), doutor em Comunicação e Educação (1983) pela Université de Paris XIII (Paris-Nord) e pós-doutor pela Universidade do Minho (2010). Além da UFMG, onde trabalhou até 2020, Paulo B atuou como docente na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Fumec e na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), onde era professor visitante desde 2024.

Paulo Bernardo Ferreira Vaz deixou o companheiro Julian Oliveira.

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