Confiança nas instituições de saúde e de educação favorece disposição de se vacinar
Estudo da Escola de Enfermagem ouviu 1,1 mil professores, gestores da educação e profissionais de saúde e revelou forte rejeição a afirmações baseadas em mitos e desinformação
Por Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem
A hesitação vacinal, caracterizada pelo adiamento ou recusa voluntária de vacinas, tem-se mostrado um desafio para as políticas nacionais de saúde na última década – nesse contexto, o papel dos profissionais de saúde e da educação é central para o enfrentamento do fenômeno. O apontamento é fruto de trabalho desenvolvido por pesquisadores do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), da Escola de Enfermagem, em parceria com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
Para a professora Fernanda Penido Matozinhos, líder do Opesv, os trabalhadores da saúde representam um grupo especialmente importante para estimular a confiança nas vacinas. “Profissionais bem-informados, com conhecimento e experiência, que acreditam na segurança e eficácia da vacina, tendem a recomendá-la a seus pacientes”.
De maneira análoga, acrescenta a professora, cabe aos profissionais da educação disseminar informações corretas sobre saúde, contribuindo para a formação de uma sociedade mais segura e saudável. “A escola, com grande influência sobre estudantes, famílias e redes sociais locais, pode ser reconhecida como importante canal de socialização do conhecimento e espaço propício para debates voltados à promoção da saúde e à prevenção de doenças”, afirma.
Os professores, em seu entendimento, devem incorporar a base científica sobre eficácia e segurança, além dos aspectos morais e o entendimento da imunização como dever cívico e educativo. “Para a comunidade escolar, é muito importante investir em formação específica para professores. Isso pode transformá-los em agentes promotores da vacinação”, reforça Fernanda Penido.
Consenso
O estudo contou com a participação de 1.132 professores, gestores de educação e profissionais de saúde da rede pública estadual, que responderam a questões relacionadas a determinantes da aceitação, adiamento ou recusa vacinal. A pesquisa foi realizada por meio de questionário on-line com questões que consideraram o perfil sociodemográfico dos participantes e a percepção sobre fatores relacionados à vacinação.
Em geral, prevaleceu um consenso na percepção dos profissionais de saúde e de educação em relação às vacinas: 98% dos entrevistados concordaram sobre a necessidade de instrução dos pais e responsáveis, 96% defendem a importância de médicos e enfermeiros nesse processo e 89% estão de acordo com as políticas do Programa Nacional de Imunizações.
Também foi observada forte rejeição a afirmações baseadas em mitos ou desinformação. Entre os participantes, 96% discordaram da afirmação de que é mais seguro contrair a doença do que se vacinar e 85% não estão de acordo com a premissa de que vacinas contêm substâncias.
Por outro lado, as questões relacionadas à influência da mídia e à autonomia dos pais quanto à obrigatoriedade da vacinação geraram respostas mais contrastantes entre os participantes do estudo.
Renda e escolaridade
O estudo evidenciou que existe maior propensão à vacinação entre os indivíduos que reconhecem que a postura de governos e instituições de saúde influencia na decisão quanto à imunização. De maneira geral, verificou-se maior confiança nas vacinas entre profissionais da saúde e indivíduos com maior escolaridade e renda, enquanto professores e participantes com escolaridade intermediária demonstraram maior tendência à hesitação vacinal.
A professora Fernanda Penido explica que tanto profissionais de saúde quanto de educação atuam como fontes de informação para a população. “A confiança no governo, nas instituições de saúde, na ciência e nos profissionais de educação constitui um dos principais determinantes da disposição de se vacinar. Portanto, o enfrentamento da hesitação vacinal requer uma abordagem multifacetada, com políticas públicas e instruções voltadas à formação desses profissionais”, argumenta.
Os pesquisadores concluíram que a promoção de estratégias conjuntas entre saúde e educação direcionadas ao ambiente escolar são cruciais para combater o fenômeno da hesitação vacinal. Por meio de intervenções que ampliem a capacitação de gestores e professores sobre vacinas, associadas a políticas públicas de comunicação transparentes e contextualizadas, os profissionais de educação se tornam multiplicadores de informações confiáveis, podendo contribuir para diminuir dúvidas e aumentar a adesão às vacinações.
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