Pesquisa da UFMG identifica fatores associados à violência contra crianças no Brasil
Cerca de 39 mil casos foram registrados em 2022; o lar aparece como o principal local de ocorrências
Por Portal da Escola de Enfermagem
Em 2022, foram notificados no Brasil quase 39 mil casos de violências contra crianças. A maioria das vítimas (39,4%) tinha entre dois e cinco anos de idade. O tipo de violência mais frequente foi a negligência (50,7%), seguido da física (23%) e da psicológica (14,5%). O consumo de bebida alcoólica pelo agressor ocorreu em 10,6% dos casos notificados.
Esses são alguns dos dados que constam do estudo Fatores associados à notificação de violência na infância no Brasil, coordenado pela professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem. O trabalho foi publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva.
Os dados têm como fonte o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Conforme apurado, a residência é o principal local de ocorrência (88,3%), e a força corporal figurou como o meio de agressão mais frequente, em 21,1% dos episódios.
Ciclo
A participação das mães nas práticas violentas, registrada em mais da metade dos casos, sinaliza, de acordo com Deborah Malta, para a perpetuação de um ciclo de violência que começa nas famílias de origem dessas mulheres. “Aquelas mães que enfrentam violência doméstica por parte dos companheiros, em muitos casos, foram agredidas também em suas famílias de origem. Isso contribui para a propensão a reproduzir tais práticas com os filhos”, argumenta Deborah Malta.
No entendimento da professora, esse ciclo deve ser levado em conta na elaboração de intervenções eficazes, que visem interromper o padrão de violência e promover ambientes familiares mais saudáveis e seguros.
O enfrentamento à violência, ainda segundo a coordenadora do estudo, enseja a readequação da organização tradicional dos sistemas de saúde, justiça e serviços sociais — o que se materializa na atuação específica e interdisciplinar, visando ao cuidado integral, à prevenção e à proteção das crianças. “No ambiente intrafamiliar, os cuidados integrais devem ser estimulados e incentivados por políticas públicas, programas e serviços que melhorem o vínculo familiar e a parentalidade positiva”, conclui Deborah Malta.
Leia a íntegra da matéria no portal da Escola de Enfermagem.
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