A UFMG lançou, nesta quinta-feira, 13, documento que reúne recomendações para a utilização dos recursos de Inteligência Artificial nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e de administração, desenvolvidas no âmbito da instituição.

O guia “Princípios e Diretrizes para o uso responsável da Inteligência Artificial na UFMG” foi produzido pela Comissão Permanente de Inteligência Artificial da Universidade, da qual participam as professoras Patrícia Nascimento Silva, diretora da DEDD e docente da Escola de Ciência da Informação, e Vilma Lúcia Macagnan Carvalho, docente do Instituto de Geociências (IGC) e ex-diretora da unidade, no período entre 2022 e 2026.

Durante a abertura do evento, sediado no Auditório da Reitoria, no Campus Pampulha, o reitor da UFMG, o professor Alessandro Fernandes Moreira, destacou as preocupações com a ética, com a transparência e com o desenvolvimento de competências para o uso responsável dos recursos da tecnologia como pontos centrais do guia. “A questão do letramento digital é fundamental. Se olharmos a comunidade acadêmica como um todo, cada um tem uma percepção, uma aprendizagem, uma habilidade, por isso eu ressalto o trabalho que tem sido realizado junto com a nossa DEDD, que será fundamental na busca dessa transformação digital”, afirmou.

Avanço tecnológico sem retrocesso social 

Presidente da comissão, o professor Marco Antônio Sousa repassou, brevemente, o percurso traçado pelo grupo, instituído há dois anos sob a liderança do professor Virgílio Almeida, docente emérito do Departamento de Ciência da Computação (DCC) e uma das maiores autoridades em IA no mundo, a pesquisa realizada com a comunidade acadêmica, desenvolvida pela professora Patrícia Nascimento Silva, e os referenciais que nortearam os trabalhos, incluindo leis, nornativas, recomendações, formuladas por instituições nacionais e internacionais.

Para Marco, docente da Faculdade de Direito, as prescrições acerca do emprego da IA são uma das principais questões a serem discutidas. “O avanço tecnológico, quando acontece de maneira desregulada, implica uma série de riscos. Eu, particularmente, não consigo perceber como avanço algo que fere direitos, que viola garantias, que compromete o meio ambiente, que prejudica as relações de trabalho, que precariza o trabalho. Avanço tecnológico sem responsabilidade é retrocesso civilizatório”, colocou o presidente da comissão, ressaltando a importância de entender os problemas e as potencialidades desses recursos para mitigarmos os riscos envolvidos na sua utilização.

Soluções viáveis e coletivas 

Durante a sessão de debate com o público, a diretora de EaD e Educação Digital da UFMG enumerou algumas de suas principais preocupações, como a proteção de dados confidenciais e estratégicos, como projetos, trabalhos acadêmicos em avaliação e resultados de pesquisa ainda não publicados e da infraestrutura para emprego desses recursos na UFMG.

“A infraestrutura precisa ser discutida coletivamente. Uma das grandes preocupações é não termos ilhas, mas, sim, trabalharmos no coletivo para não atendermos somente uma parte da Universidade e esquecermos de outras. Nós estamos num momento exploratório, de testar e fazer um grande laboratório envolvendo todas as áreas para trazermos ferramentas viáveis e confiáveis para fazermos um investimento institucional”, explicou a professora Patrícia Nascimento Silva.

Assista à cerimônia de lançamento do guia no canal da UFMG no YouTube.