Quatro dias, 548 inscritos, cerca de 140 trabalhos para apresentação em seis linhas temáticas, 20 palestrantes de cinco países, 13 oficinas e minicursos. Esses são os números do 21º Congresso de Ensino Superior a Distância (ESUD) e do 10º Congresso Internacional de Educação Superior a Distância (CIESUD), promovidos pela UFMG e pela Associação Universidade em Rede (UniRede), no Campus Pampulha, entre 11 e 14 de novembro.
Com o tema “Disrupção Política e Tecnológica na EaD”, os eventos foram iniciados na noite da terça-feira, 11, com cerimônia de abertura sediada no Auditório da Reitoria.
A mesa de abertura foi composta pela reitora da UFMG Sandra Regina Goulart Almeida e pelo vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira; pela diretora de Educação a Distância e Educação Digital (DEDD/UFMG) e coordenadora geral do ESUD 2025, Vilma Lúcia Macagnan Carvalho; pelo coordenador geral do congresso e professor do departamento de Ciências Contábeis, Samuel Durso; pela diretora adjunta da DEDD/UFMG, Ana Carolina Almeida, e pela atual presidência da UniRede, a presidente Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e o vice-presidente Alexandre Martins dos Anjos, professor da Universidade Federal do Mato Grosso.
Primeira a discursar, Maria Carmen, presidente da UniRede, abordou os desafios enfrentados atualmente pelas instituições de ensino superior públicas do país que ofertam cursos a distância, como a exigência para que atividades presenciais correspondam a, pelo menos, 50% da carga horária total dos cursos de licenciatura, a forma de financiamento da EaD, que ainda é feita majoritariamente por meio de editais de fomento, e a garantia da sustentabilidade das ofertas sem
A professora falou, ainda, sobre a atuação na UniRede na defesa do desenvolvimento do ensino de EaD de qualidade e destacou a importância do congresso também como momento de articulação política.
“O ESUD é, hoje, o principal e mais estratégico espaço para debate da EaD no setor público. Agradecemos à UFMG por sediar a sua versão 2025 e esperamos encontrar novos e disruptivos modelos, financeiros e pedagógicos, para garantir a oferta dos cursos de forma sustentável e com qualidade”, defendeu.
Coordenadora-geral do ESUD 2025 e diretora da DEDD/UFMG, a professora Vilma Lúcia Macagnan Carvalho agradeceu a dedicação da equipe à organização e realização do congresso, em especial à diretora adjunta da DEDD, Ana Carolina Almeida, e à UniRede, por confiar na UFMG para organizar os congressos.
“Sediar o ESUD é um reconhecimento da importância institucional da UFMG e uma oportunidade para mostrar mais uma face da nossa atuação, que é a inserção da educação digital no escopo do nosso trabalho”, destacou a diretora da DEDD/UFMG.
Encerrando a cerimônia, a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, deu as boas-vindas aos participantes do congresso e manifestou sua satisfação por receber o ESUD 2025 no momento em que a Universidade está prestes a completar 100 anos, em setembro de 2027.
As comemorações do centenário, que já começaram, têm incluído discussões dos temas “universidade e democracia” e “a universidade do futuro e o futuro da universidade”, que, ressaltou a reitora, precisam incluir reflexões sobre a educação a distância.
“A EaD, assim como a educação superior como um todo, deve estar alinhada com os valores propostos pelas Conferências Regionais de Educação Superior (CRES), organizadas pela UNESCO: educação superior é um bem público social, direito de todos e um direito humano e dever dos Estados. Não pode jamais ser considerada uma mercadoria para o lucro”, defendeu.
Competências críticas em tempos disruptivos
Na sequência, Camillia Matuk, professora da Steinhardt School of Culture, Education and Human Development da New York University, proferiu a conferência “Critical STEM Literacies in time of technological disruption”, ou “Competências essenciais em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) em tempos de disrupção tecnológica”, na tradução livre.
Durante a palestra, a docente defendeu a importância do letramento para interpretar, de forma crítica, informações das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática num momento marcado por intensas inovações tecnológicas e pela proliferação de correntes de desinformação e divulgação de fake news.
Para isso, ela, que desenvolve projetos de educação científica com estudantes da educação básica em escolas públicas nos EUA e em outros países, propõe uma abordagem mais humanizada das pesquisas em ciências exatas e naturais, a consideração sobre como a forma como o contexto afeta a coleta e a interpretação dos dados e a adoção da epistemologia plural, reconhecendo as contribuições de outras ciências, como as sociais, e de outros saberes não hegemônicos.
“Precisamos dar ferramentas para que os estudantes se sintam mais empoderados e tenham mais autonomia para lidar com a investigação científica porque, ainda que eles não se tornem pesquisadores, eles serão consumidores de informações”, concluiu Camillia.
Entre painéis e trabalhos, educação a distância em pauta
Nos dias seguintes, a programação do ESUD 2025 incluiu a realização de 13 minicursos e oficinas, ministrados por especialistas nos temas abordados, na quarta e na quinta-feira, e de cinco painéis seguidos por debates sobre questões atuais ligadas ao cenário, desafios e possibilidades que marcam o cenário atual da educação a distância no Brasil e no mundo, entre a quarta a sexta-feira.
As atividades foram concentradas no Centro de Atividades Didáticas – Ciências Naturais (CAD 1), com a utilização secundária de espaços do Instituto de Ciências Biológicas e da Faculdade de Ciências Econômicas (Face/UFMG).
Novo Marco Regulatório da EaD; aplicações éticas do uso da Inteligência Artificial, estratégias inovadoras para o ensino-aprendizagem, a transformação social promovida pela EaD pública e a Educação Aberta e Digital no contexto tecnológico. Pesquisadores de instituições brasileiras, chinesa, norte-americana e sueca encabeçaram as discussões, que defenderam a necessidade de financiamento perene e institucional para a EaD em substituição ao fomento por editais; a adoção de mecanismos de avaliação e controle para evitar a cartelização da oferta de cursos na modalidade e assegurar sua qualidade; o uso consciente e responsável das novas tecnologias no processo de ensino e a revisão das exigências da carga horária presencial das graduações a distância, especialmente das licenciaturas, definidas pela legislação atual.
Já as apresentações dos cerca de 140 trabalhos aprovados para esta edição foram organizadas em quatro sessões, realizadas nas tardes da quarta e da quinta-feira e na manhã da sexta-feira, em salas do CAD 1 e do (ICB/UFMG).
Flaviane Flores Vieira de Magalhães, doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e tutora da Licenciatura em Teatro a Distância da instituição, apresentou o trabalho “A Formação de Artistas-docentes-pesquisadoras/es na Licenciatura em Teatro a Distância da UFBA”, que aborda as especificidades do ensino de teatro na modalidade. Atuando na tutoria, ela destacou que a educação a distância tem permitido que artistas e professores de cidades interioranas da Bahia obtenham formação superior sem precisarem migrar para grandes centros.
Para a pesquisadora, as discussões do congresso reforçaram a necessidade de considerar as diferentes realidades do país no desenho de políticas públicas e práticas educacionais. “O ESUD é uma oportunidade para pensar a interiorização das ofertas de ensino público e atentar aos diversos territórios. A gente está num país gigantesco, com contextos muito complexos. Na sexta-feira, a gente ouviu a fala de um coordenador de polo da região amazônica que nos provocou a pensar essas diferenças e a necessidade de estratégias territorializadas, que surjam da base, em diálogo com estudantes, tutoria e os contextos locais”, avaliou.
Eventos paralelos
Simultaneamente à programação principal, o ESUD 2025 abrigou outros dois eventos: o Seminário Inova EaD e o INOVATEC.
O Seminário Inova EaD foi realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, no Auditório Nobre do CAD 1, com o objetivo de divulgar as ferramentas desenvolvidas com o apoio do edital Inova EaD, lançado pela Capes em 2023, bem como os resultados de sua disseminação junto às comunidades acadêmica e escolar. Ao longo desses três dias, professores de diversas instituições de ensino apresentaram soluções inovadoras aplicadas ao ensino a distância fomentadas pelo edital.
Realizado na quinta-feira, 13, o INOVATEC foi promovido pelo Núcleo de Inovação e Tecnologia em Educação, Ciências e Sustentabilidade (InovaTec), vinculado à Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT) da UFMT, no Campus de Várzea Grande.
O núcleo promoveu o painel “Metodologias Ativas e STEAM na Educação Superior”, visando estimular a reflexão e o diálogo sobre a incorporação da abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) na formação inicial e continuada de professores, e o workshop para o Fórum de Coordenadores de Polo UAB, ambos na mesma tarde, no Auditório 1 da Face.
Confira fotos do congresso nos álbuns do ESUD 2025 no Flickr da DEDD UFMG.
Foto: Carolina Vilhena/DEDD UFMG