Descubra como os jogos digitais podem estimular a criatividade e a aprendizagem
26 de maio de 2026

Ouça também no Spotify!
Por Hugo Gonçalves Almeida,
estudante de Publicidade e Propaganda da UFMG, para a disciplina de Assessoria de Comunicação, sob supervisão de Camila Mantovani
Uma das atuais grandes preocupações de pais, educadores e especialistas em saúde é o tempo que passamos em frente às telas. Celulares, tablets, computadores, TVs… Esses aparelhos estão por toda parte, inclusive na vida das crianças.
É comum ouvir que os pequenos de hoje não brincam mais como antes, que passam horas jogando ou assistindo vídeos e que isso pode ser prejudicial. E essa preocupação tem fundamento: o uso excessivo de telas pode causar impactos negativos no desenvolvimento infantil, como sedentarismo, piora do sono, dificuldades de atenção e menos interação social. Ainda assim, é importante olhar para as telas e, especialmente, para os videogames com a profundidade que o tema exige. O problema principal é o excesso e a falta de limites, não a tecnologia em si.
Muito além de um simples passatempo, os videogames se tornaram parte essencial da vida moderna. Eles inspiram tendências e até provocam reflexões profundas sobre a sociedade… Mas como tudo isso começou? Vamos voltar no tempo!
Na década de 70 e 80, a história dos videogames teve um início simples, quase modesto. Começava a era dos fliperamas. Máquinas barulhentas, luzes piscando e uma disputa acirrada por pontuação tomavam conta das cidades. Jogos como Pong, Pac-Man e Space Invaders marcaram presença em bares, shoppings e centros de entretenimento. Foi o começo de uma revolução silenciosa. Logo depois, os consoles domésticos chegaram para mudar tudo de novo. Atari, Nintendo, Megadrive… De repente, os jogos deixaram de ser uma atração pública e passaram a fazer parte da sala de estar.

Jogo de fliperama. (Créditos: Matheus Bertelli/Pexels).
Com a evolução tecnológica, os gráficos simples e pixelados deram lugar a mundos tridimensionais cada vez mais imersivos e realistas. Hoje jogamos não apenas em consoles potentes, como PlayStation e Xbox, mas também em celulares, computadores e até com realidade virtual. Essa transformação técnica impulsionou a indústria dos games para um patamar impressionante, gerando um mercado que movimenta bilhões todos os anos. Mais do que isso, os videogames se consolidaram como uma forma de cultura acessível a pessoas de diferentes idades, classes sociais e localizações, permitindo diversos modos de jogar. Alguns buscam relaxar, outros competem, aprendem ou se conectam com amigos. E, nesse processo, os jogos oferecem benefícios que vão muito além da diversão, desenvolvendo habilidades variadas, coordenação motora, raciocínio lógico, estratégia e criatividade. Em jogos cooperativos, por exemplo, aprendemos sobre trabalho em equipe, empatia e convivência.

Mulher utiliza óculos de realidade virtual. (Créditos: Kaboompics.com/Pexels).
Assim como toda expressão cultural, os games influenciam e também são influenciados por outras áreas. No âmbito da moda, roupas e acessórios inspirados em personagens icônicos ganham espaço nas ruas. Na música, trilhas sonoras se tornam memoráveis e desencadeiam colaborações frequentes entre artistas e estúdios. Já na arte, os jogos encantam com visuais impressionantes e direções dignas de cinema. Basta olhar para obras como Gris ou Ori and the Blind Forest.
Com a chegada dos jogos online, o fenômeno do pertencimento digital ganhou força. Jogos como Dead by Daylight, Fortnite, Sea of Thieves e League of Legends se tornaram verdadeiros ambientes de convivência. Ali, é possível criar laços, participar de eventos, formar grupos e se expressar. Para muitos, esses mundos virtuais são lugares de acolhimento, onde nascem amizades reais. Os jogos também têm o poder de nos fazer pensar, como é o caso do jogo Papers, Please, no qual é possível assumir o papel de um agente de imigração. À primeira vista parece uma tarefa simples, mas logo surgem os dilemas éticos: seguir ordens ou ajudar quem precisa? O jogo nos confronta com a burocracia, o poder e as consequências de nossas decisões.
Outros títulos, como This War of Mine, mostram a guerra pela perspectiva dos civis. Já Life is Strange aborda temas como bullying, amizade, identidade e perda. Esses jogos não apenas divertem, mas provocam sentimentos, reflexões e questionamentos. No fim das contas, os videogames, para além do lazer, se conectam com cultura, arte, crítica e interação. E o mais bonito é que os jogos fazem tudo isso de forma acessível, envolvente e, muitas vezes, transformadora.

Jogo Ori and the Blind Forest. (Créditos: Divulgação/Nintendo).
Por isso, quando falamos sobre as crianças e o uso de telas, uma pergunta importante se destaca, além da informação sobre quanto tempo elas passam ali: o que estão vivendo ao utilizar essas tecnologias? A professora Sonia Livingstone, acadêmica britânica das áreas de criança, mídia e internet, defende que proibir o acesso às tecnologias tende a gerar resistência. A mediação ativa, consciente e criativa é o caminho mais eficaz para promover autonomia, julgamento crítico e uso saudável.
A tecnologia, quando bem integrada, pode fortalecer vínculos e repertórios. Os excessos devem ser evitados, mas ignorar completamente o poder criativo, educativo e social dos videogames é fechar os olhos para uma das expressões culturais mais fortes do nosso tempo. A cultura dos games está em toda parte e pode ter muito mais a oferecer do que você imagina.