Por Fernando Silva,
Assessor de Comunicação do Espaço do Conhecimento UFMG

 

O Espaço do Conhecimento UFMG apresentou, na manhã do último sábado, 17 de outubro, o Espaço Experimental IAIA – Inteligências Ancestrais Afrodiaspóricas. Viabilizado pelo patrocínio do Instituto Unimed-BH (IUBH), por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o projeto propõe um espaço de criação, pesquisa e compartilhamento de conhecimentos que reconhece a potência das tecnologias, das artes e dos saberes construídos pelas populações negras ao longo da história. Localizado no segundo andar do museu, IAIA convida o público a pensar outras possibilidades de produção de conhecimento a partir de referências afrodiaspóricas. Diferente de uma exposição tradicional, o espaço se constitui como um ambiente experimental, em constante construção, que reúne artistas, pesquisadoras e visitantes em torno de diferentes formas de inteligência e criação.

A programação de apresentação do projeto começou com uma performance narrativa da artista e pesquisadora Gabriela Guerra, que compartilhou reflexões sobre a infância, o processo de reconhecimento de sua identidade negra e as experiências de viver com vitiligo. Em seguida, Gil Amancio, artista e curador do projeto, e Mauro Rodrigues, músico e professor da Escola de Música da UFMG, conduziram uma performance sonora com flauta, percussão e voz.

 

Gabriela Guerra, Mauro Rodrigues e Gil Amancio. (Créditos: Ana Carolyna Gonçalves | Divulgação Espaço do Conhecimento UFMG).

 

Na sequência, a diretora do Espaço do Conhecimento UFMG, Profa. Camila Mantovani, agradeceu às instituições parceiras, aos artistas, aos grupos de estudantes e às equipes de pesquisa que contribuem para a construção do projeto. Ao falar sobre a proposta de IAIA, ressaltou seu caráter experimental e as possibilidades de explorar diferentes formas de criação e compartilhamento de conhecimentos. “O projeto valoriza os saberes afrodiaspóricos e o papel de diferentes tecnologias e inteligências, presentes na arte, na música, na oralidade e na ancestralidade, para a produção e a circulação de conhecimentos”, afirmou.

Encerrando a programação da manhã, Gil Amancio compartilhou com o público as ideias que deram origem ao projeto, apresentando exemplos de tecnologias afrodiaspóricas e refletindo sobre a possibilidade de reconstruir narrativas históricas a partir de outras referências. A proposta nasceu de uma provocação em torno da inteligência artificial. Para o artista, pensar a tecnologia a partir de outras perspectivas significa questionar quais conhecimentos são reconhecidos como inteligência e quais referências orientam a construção dos futuros possíveis. “Um passo onde a gente está exercitando justamente isso, como reconstruir nossa história. Como pensar outros mundos a partir de outras referências.”, explicou Gil durante a apresentação.

 

Multiartista e curador do Espaço Experimental IAIA Gil Amancio. (Créditos: Fernando Silva | Divulgação Espaço do Conhecimento UFMG).

 

A escolha do nome IAIA também surgiu desse processo de reflexão. Inicialmente, a ideia era brincar com a sigla IA, de inteligência artificial, propondo uma inteligência ancestral. Em uma conversa com o pensador indígena Ailton Krenak, Gil apresentou a proposta e discutiu possibilidades para nomear o projeto. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de IAIA (Yayá), associada às mais velhas, guardiãs de conhecimentos e saberes ancestrais. O nome sintetiza a intenção de reconhecer outras formas de inteligência, para além daquelas frequentemente associadas às tecnologias digitais. 

A apresentação do Espaço Experimental integrou uma programação que se estendeu pela tarde e pela noite do dia 17 de outubro, com outras duas atividades dedicadas às relações entre memória, território, ancestralidade e produção de conhecimento. Às 14h, o museu recebeu a roda de conversa “Ovulário: Racionais MC’s e Nêgo Bispo – RAPensando o Território”, conduzida por Lelê Alves e Lídia Sousa, integrantes do Grupo de Estudos Discente de Rap, História e Literatura Aplicada da UFMG. À noite, às 19h, o Planetário do Espaço do Conhecimento recebeu a sessão “Ao Cair da Noite, Eu Me Guiarei pelo Brilho dos Seus Olhos”. A obra parte de anúncios de fuga de pessoas negras escravizadas publicados em jornais do século XIX para reconstruir astronomicamente os céus observáveis nas datas e nos locais registrados, e segue na programação museu entre outubro e novembro de 2026.

 

Espaço Experimental IAIA
Instalado no segundo andar do Espaço do Conhecimento UFMG, IAIA é um espaço experimental coletivo de criação, pesquisa e compartilhamento. Sua programação reúne artistas e pesquisadores em atividades como oficinas, residências, performances, encontros e exibições audiovisuais, criando oportunidades para conhecer e experimentar múltiplas formas de produção de conhecimento. A curadoria do projeto é de Gil Amancio, Ray Ariana e Carina Castro. O Espaço Experimental IAIA é viabilizado pelo patrocínio do Instituto Unimed-BH via Lei Municipal de Incentivo à Cultura e integra as ações do Espaço do Conhecimento UFMG, em parceria com o Ciberterreiro (CNPq/UFMG), voltadas à aproximação entre diferentes maneiras de produção e compartilhamento de saberes.

 

Curadores do Espaço Experimental IAIA. Da esquerda para direita; Carina Castro, Gil Amancio e Ray Ariana. (Créditos: Ana Carolyna Gonçalves | Divulgação Espaço do Conhecimento UFMG).

 

O Espaço do Conhecimento UFMG estimula a construção de um olhar crítico acerca da produção de saberes. Sua programação diversificada inclui exposições, sessões de planetário, debates, oficinas e ações educativas diversas. O Espaço integra a Pró-reitoria de Cultura (Procult) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta com a Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade (FRMFA) e a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) no desenvolvimento de seus projetos. Integrante do Circuito Liberdade, o museu é fruto da parceria entre a Universidade e o governo do estado de Minas Gerais. As ações do Espaço do Conhecimento UFMG são viabilizadas por Leis de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH, e apoio da Supermix, da Blip e da Construtora Ápia.

 

Sobre o Instituto Unimed-BH

O Instituto Unimed-BH completou 20 anos em 2023. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, valorizando espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$ 190 milhões por meio das leis de incentivo municipal e federal, fundos do idoso e da criança e do adolescente, com o apoio de mais de 5,6 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. Em 2023, mais de 20 mil postos de trabalho foram gerados e 2 milhões de pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.