Filosofia na Praça – edição segundo semestre de 2026

(Espaço do Conhecimento UFMG)

 

O que aconteceria se levássemos a sério a ideia de que pensar não é apenas definir conceitos, mas também aprender a olhar? E se algumas das perguntas mais importantes da filosofia não fossem formuladas apenas por argumentos abstratos, mas por imagens capazes de deslocar nossas certezas e reorganizar nossa maneira de compreender a experiência? Talvez a história da filosofia possa ser lida também como a história das figuras que inventamos para pensar: cavernas e rios, navios e jardins, espelhos e labirintos, máscaras e constelações. Imagens que não apenas ilustram ideias, mas que nos ensinam a perceber, interrogar e habitar o mundo de outros modos.

Ao longo de sua história, a filosofia não pensou apenas por meio de definições, demonstrações e conceitos abstratos. Desde os fragmentos dos pensadores pré-socráticos até as grandes construções da tradição, filósofas e filósofos recorreram também a metáforas, alegorias, analogias e imagens para formular problemas, explorar experiências e tornar visível aquilo que o pensamento busca compreender. A caverna e o sol de Platão talvez sejam os exemplos mais conhecidos, mas estão longe de ser os únicos. O rio de Heráclito, o navio do Estado, o jardim, o labirinto, o espelho, a máscara, a árvore, o rizoma e a constelação compõem um vasto repertório de figuras que atravessa a história da filosofia e revela que pensar é, muitas vezes, aprender a ver de outro modo.

A filosofia também se vale de experiências mentais. O anel de Giges, o barco de Teseu, o burro de Buridan, a posição original de Rawls, o cérebro na cuba, o quarto chinês ou o problema do bonde são exemplos de situações imaginárias que desafiam nossas intuições e nos convidam a examinar conceitos, testar argumentos e explorar as consequências de determinadas crenças. Nesses exercícios, a imaginação não representa uma fuga do rigor filosófico, mas uma de suas ferramentas mais férteis.

Longe de serem simples adornos da linguagem ou recursos didáticos, metáforas, imagens e experiências mentais ajudam a orientar a atenção, aproximar ideias aparentemente distantes e iluminar aspectos da experiência que poderiam passar despercebidos. Elas não servem apenas para ilustrar pensamentos já prontos. Participam da própria atividade de filosofar. As imagens também pensam.

Partindo dessa hipótese, o Filosofia na Praça convida a comunidade para um exercício coletivo de reflexão sobre os diferentes modos de filosofar. Ao longo de dez encontros, pesquisadoras e pesquisadores de distintas áreas explorarão metáforas, figuras e experiências mentais que marcaram a história da filosofia ou que continuam oferecendo maneiras originais de compreender a experiência humana. Cada palestra buscará mostrar como determinadas imagens e experimentos do pensamento podem abrir novas perspectivas sobre quem somos, como vivemos e como atribuímos sentido às nossas experiências.

O nome do projeto, Filosofia na Praça, remete à prática de Sócrates, que dialogava com os cidadãos no espaço público da ágora, examinando conceitos, valores e crenças ligados à vida comum. Inspirado nessa tradição, o projeto reafirma a filosofia como saber público, voltado ao diálogo com a cidade e seus conflitos. Realizar os encontros no Espaço do Conhecimento UFMG, situado na Praça da Liberdade, reforça simbolicamente essa vocação: pensar a sociedade a partir de um espaço aberto ao encontro entre o saber acadêmico e a experiência social.

 

Programação – 2026

Clique aqui e confira!

 

Agosto

05/08 – Vitor Sommavilla (Filosofia/UFMG) – Filosofia, Ginástica e Adolescência

12/08 – Frederico Soares de Almeida (Filosofia/UFMG – Colégio Santo Agostinho) – A metáfora na filosofia de Paul Ricoeur

19/08 – Milena Oliveira Pires (Filosofia/UFMG) – Quando a ignorância não é uma bênção: o custo epistêmico do desconhecimento

26/08 – Deborah Guimarães (Filosofia/UFMG) – Pensar é aprender a olhar: imagens, mundo e experiência na fenomenologia

 

Setembro

02/09 – Jean Vargas (Filosofia/UFMG) – A grande noite: um giro anticolonial

09/09 – Patricia Lucchesi (Filosofia/UFMG) – A falácia do milagre grego e outras mitologias de origem

16/09 – Wanderson Barbosa (Sociologia/UFMG) – Escavar as ruínas da memória: linguagem e testemunho na experiência literária moderna

23/09 – Elizabeth Rabelo (Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais) – A vida da morte no Cemitério do Bonfim: contribuições da filosofia de Paul L. Landsberg

30/09 – Fernando Rey Puente (Filosofia/UFMG) – Da invisibilidade ao anonimato: o anel de Gyges (República II) no século XXI

 

Outubro

07/10 – Lorena Martoni (Direito/UFMG) – A metáfora do contrato como figura para pensar e justificar a ordem política

 

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Coordenação: Jean dos Santos Vargas

Promoção: Departamento de Filosofia/UFMG

Apoio: Espaço do Conhecimento UFMG

Inscrições: de 21 de julho a 04 de agosto, presencialmente, durante o horário de funcionamento do museu (terça a domingo, das 10h às 17h, e sábados, das 10h às 21h)

Local: recepção do Espaço do Conhecimento UFMG
(Praça da Liberdade, 700 – Funcionários – Belo Horizonte/MG)

Número de vagas: 45, além de 10 vagas para cadastro reserva

Carga horária: 30h

Informações: filosofianapraca@gmail.com