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RESULTADOS
DE OFICINAS AGITAM DIAMANTINA
18/07/03
Ana Fazito
O Fórum de Arte Contemporânea
Limites: Rupturas e Desdobramentos termina neste
fim de semana em Diamantina. Além dos eventos programados
pela coordenação, a maioria das oficinas, como
já é tradição no Festival da UFMG,
apresenta o resultado do que foi nelas produzido. De sexta-feira
a Domingo, as intervenções artísticas
na cidade acontecem a todo momento e em vários lugares.
Na área de artes cênicas, a professora
da oficina Performance em Telepresença, Bia
Medeiros, preparou uma intervenção em frente
à Escola Estadual Leopoldo Miranda às 19h30.
Os trabalhos dos alunos serão projetados e eles estarão
em contato direto com várias pessoas espalhadas pelo
mundo, através da rede mundial de computadores. Já
Rita Gusmão, professora da oficina Perfomatividades,
fez ao longo da semana três intervenções
cênicas nas ruas de Diamantina: um varal poético,
a malhação de Judas e por último um fragmento
da peça Hamlet.
Os alunos da oficina Corpo, Movimento,
Palavras, ministrada por Patrícia Hoffbauer, fazem
uma mostra do que aprenderam, no próprio auditório
da Escola Leopoldo Miranda, nesta sexta, às 18 horas.
Depois, as três professoras e seus alunos se encontram
em frente à escola. Patrícia e Rita interferem
nas projeções de Bia e fazem uma improvisação.
Artes Plásticas
Intervenções Suburbanas,
oficina ministrada pela artista plástica Maria Angélica
Melendi, faz também nesta sexta-feira intervenções
plástica em vários pontos da cidade, como no
Mercado Velho, na Igreja da Matriz e outros lugares do centro.
Leda Catunda, professora da oficina Pintura
Contemporânea, expõe os trabalhos de seus
alunos na própria escola Leopoldo Miranda, onde as
pinturas foram executadas.
A literatura e a mídia arte
Às 18 horas, as escritoras Margo Glantz,
do México, e Betty Mindlin, que fala da literatura
indígena, estarão no Espaço B, café
e livraria de Diamantina, junto com seus alunos para apresentarem
os textos que foram produzidos nas oficinas Literatura
Mexicana – os limites do feminino e Literatura
Indígena. As escritoras também apresentarão
suas obras através da leitura de fragmentos de seus
livros.
As oficinas de Mídia-Arte Arte
Eletrônica: Conceito e Prática, de Lucas
Bambozzi, e Mídia Imediata, Arquitetura Instantânea,
de José dos Santos Cabral, estarão juntas em
um percurso que vai do chafariz da cidade até o mercado.
Os alunos da primeira fazem intervenções com
projeções dos vídeos que desenvolveram
e os da segunda criam os ambientes onde esses filmes serão
projetados.
Música no Sábado
O espetáculo resultado da oficina
de Vídeo-Improvisação: Live Images,
ministrada por Luiz Duva acontece no Sábado às
23h30. Na praça de esportes de Diamantina, os alunos
e du-V-a, codinome do professor, interagem com o público
através de conversas, conflitos entre imagens , sons
e palavras, tudo isso dentro de um ambiente de música
eletrônica.
Na música, o professor da UFMG Mauro
Rodrigues e seus alunos da oficina Ateliê de Música,
Performance e Criação se apresentam no
Sábado, às 18h30 no Conservatório Lobo
de Mesquita. São pequenas peças musicais, produzidas
em grupos em dinâmicas de improvisação.
Na mesma apresentação, os compositores
Flo Menezes e Edgar Alandia e seus alunos das oficinas A
composição eletroacústica hoje –
espacialidade, estruturação e aspectos históricos
e Panorâmica das poéticas musicais e problemas
da linguagem contemporânea mostram o resultado
de seus trabalhos.
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JORGE
MAUTNER E NELSON JACOBINA
TRAZEM O KAOS PARA DIAMANTINA
18/07/03
Carlos Eduardo Freitas
Os
eternos tropicalistas Jorge Mautner e Nelson Jacobina se apresentam
sábado, dia 19, em Diamantina, no Teatro do Instituto
Casa da Glória, a convite do 35º
Festival de Inverno da UFMG. O espetáculo,
que conta com um repertório de clássicos como
Maracutu Atômico e O Vampiro, também
apresenta canções do último trabalho
de Mautner, Eu não peço desculpa, lançado
em 2002, em parceria com Caetano Veloso.
“A apresentação pretende
transmitir esperança, mistério e a mensagem
do Kaos, mas a leitura é de cada um”,
afirma o cantor, em uma referência a seu iivro Mitologia
do Kaos, uma reunião completa de sua obra literária,
e à presença constante do Kaos em seus
trabalhos.
Violino, guitarra, violão e voz dividem
espaço no palco que, para Jorge Mautner, continua sendo
cenário para um espetáculo antropofágico.
“O Brasil é antropofágico por natureza.
Quando Ariano Suassuna disse que os tropicalistas não
inventamos nada, ele está até certo, já
que a antropofagia é o que torna a cultura do Brasil
a mais forte do mundo”, afirma o músico.
Parceiro de grandes artistas da música
popular brasileira, Mautner já foi gravado por Chico
Science, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Lulu Santos e muitos
outros e mantém até hoje a sólida parceria
de 30 anos com Nelson Jacobina, o arranjador, instrumentista
e compositor que fica à frente da guitarra e do violão
durante a apresentação em Diamantina.
Além da música
Mautner, autor de vários livros
e vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura, em 1962,
com sua primeira obra, Deus da Chuva e da Morte,
também é o criador da filosofia do Kaos. Segundo
ele próprio afirma, “existem variadas definições
desse kaos com k, que é da quarta
dimensão, como quatro personalidades ao mesmo tempo.
A primeira é "Kristo Ama Ondas
Sonoras", a segunda é "Kamaradas Anarquistas
Organizam-se Socialmente", a terceira "Kolofé,
Axé, Otumbá, Saravá" e a quarta,
cada um escolhe, isso é muito individual”, filosofa
o músico, personagem indispensável para se entender
a cultura popular brasileira.
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UM NOVO OLHAR SOBRE A FOTOGRAFIA
18/07/03
Ana Fazito
A oficina não é técnica,
não há limitação quanto ao suporte
tecnológico utilizado, desde máquinas
fotográficas digitais das mais avançadas até
as manuais mais antigas. O objeto a ser captado pela lente
das câmeras também não é pré-determinado
pelo professor: os alunos têm a liberdade de criar,
de apurar o olhar em cima do que será fotografado.
Essa é a oficina Fotografia: Arte no Espaço
ministrada pelo artista plástico carioca Marcos Chaves
(foto) no 35º
Festival de Inverno da UFMG.
Em um primeiro momento da oficina, que integra
a programação do Fórum internacional
de arte contemporânea, os alunos saíram
as ruas de Diamantina fotografando o que quisessem. A partir
da observação do resultado dessa atividade,
Chaves “pescou” o que se repetia e sugeriu um
desenvolvimento desse repertório.
“O
objetivo era ajudar a localizar onde estava o imaginário
de cada um”, diz o professor. Figuras humanas em objetos
abstratos, palavras, fotos que se parecem com pinturas e
temáticas sensuais, são alguns dos objetos
captados. “Aqui na oficina ninguém está
fazendo retrato, não é a fotografia como papel,
mas sim como arte que vai à parede”, observa
Chaves.
Ana Carolina Antunes, estudante de comunicação
da UFMG, fala que a oficina não é uma aula
de fotografia, é uma experimentação
do olhar. “Escolhemos objetos que achamos que é
arte para colocar na fotografia”.
Apesar de Chaves acreditar que o trabalho dos alunos não
para por aí, e que eles podem desenvolver ainda mais
as temáticas observadas em seus repertórios
de fotos, ele propõe como produto final da oficina
uma exposição dos trabalhos já realizados.
“A última etapa dessa experiência é
estudar como inserir expor os trabalhos desenvolvidos, na
busca de qual seria a melhor realização da
idéia no espaço”, diz Chaves.
Segundo
ele, várias pessoas pensam a fotografia como pintura
e é isso que essa etapa propõe. “Pode
ser uma ampliação, um título para a
foto ou até uma combinação de trabalhos
que criaria uma frase, ou seja, a melhor maneira de as fotos
serem vistas”, conclui o artista.
A
sensualidade das fotos de Ana Carolina
e as palavras de Juliana Cordeiro, alunas da oficina de
fotografia
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OFICINA PROPÕE RECRIAR ESPAÇOS ARQUITETÔNICOS
17/07/03
Mariana Paulino
Pela
primeira vez, o Festival de Inverno da UFMG oferece uma oficina
voltada para a arquitetura. Mídia Imediata, Arquitetura
Instantânea é ministrada por José dos
Santos Cabral e Maurício Leonard. “Recebemos
o convite como um desafio de investigar, dentro da proposta
da área de mídia-arte, como as novas mídias
estão chegando ao espaço arquitetônico”,
explicam os professores. 
A
idéia é trabalhar a mídia expandida,
tendo a arquitetura como suporte. “Os alunos são
levados a pensar uma arquitetura projetada para receber a
mídia de uma forma mais integrada”, conta Cabral.
Eles observam que foi criado um impasse, a partir do momento
em que as demandas da comunicação se incrementaram,
com as novas tecnologias. “A arquitetura tem que dar
conta de responder a essas demandas e tirar vantagem disso”,
observa Maurício.
Neste
sentido, a oficina procura potencializar a comunicação,
“espacializando” os meios através do espaço
arquitetônico. “Estamos criando espaços
de interação comunicacional, pensando uma verdadeira
comunicação entre espaços diferentes,
refletindo como a pessoa pode estar em um espaço tendo
a sensação de outro”, exemplificam.
Mas para que serviria essas pesquisas? “Para expandir
a experiência corporal de forma enriquecedora, contrariando
o conceito de permanência da arquitetura e da falta
de materialidade dos meios, e trabalhar a poética dos
espaços, indo além da funcionalidade”.
Como
instrumentos, eles utilizam desde ferramentas sofisticadas,
como sensores e captura de imagem em alta resolução,
até baixas tecnologias. “A Vesperata, por exemplo,
é uma explosão em termos de espacialidade. Ela
inverte platéia e artistas, cruza vários elementos”,
completam Cabral e Maurício.
Ambientes
republicanos
Mestre
e PhD pela University of Sheffield, José dos Santos
Cabral, através da Faculdade de Arquitetura da UFMG,
está desenvolvendo três CDroms para o Museu da
República, do Rio de Janeiro. Os trabalhos estão
sendo desenvolvidos em parceria com a professora do Departamento
de História da UFMG, Heloísa Starling.
Eles
têm como objetivo documentar a história da República
em Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul. “Estou
criando interfaces, ambientes diferentes que conjugam vídeos,
sons, imagens e textos, para que os usuários possam
ter caminhos variados para a informação”,
diz Cabral. “Várias personalidades da época
se encontram dentro do CD. É um samba do republicano
doido”, finaliza.
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COMPOSIÇÕES
DE BRECHT E WEILL RECRIAM
CLIMA DE CABARET NO FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG
17/07/03
Carlos
Eduardo de Freitas
As
composições de Bertold Brecht e Kurt Weill tomam
conta do teatro do Instituto Casa da Gloria, em Diamantina,
através das interpretações vigorosas
de Suzana Salles, Lincoln Antônio e Camilo Carrara,
na pocket-opera Concerto Cabaré. O espetáculo,
que já percorreu o Brasil e a Alemanha, será
apresentado quinta-feira, dia 17, como parte da programação
da segunda semana do 35º Festival de Inverno da UFMG.
Idealizado
pela cantora Suzana Salles, a peça une piano, violão
e voz para dar vida aos maiores sucessos da dupla Brecht-Weill
que, desde 1927, agradam público e crítica com
seu trabalho atemporal. “Mesmo sendo apresentado em
alemão, o repertório clássico da dupla
é compreendido pelo público brasileiro, graças
ao vigor e à contundência das composições”,
garante Suzana Salles.
Cabaré
“A primeira vez que ouvi as canções que
integram a peça foi no Teatro Oficina, com José
Celso Martinez Corrêa, na década de 1970. Desde
aquela época sou apaixonada pelas obras da dupla”,
afirma a cantora, que também dedica seu tempo à
música popular brasileira e está preparando
um CD de canções caipiras.
Camilo Carrara, violonista que acompanhou a cantora Zizi Possi
por mais de quatro anos e participa pela primeira vez de Concerto
Cabaré, afirma que a interação com os
músicos da peça é muito boa. “Minha
formação inclui incursões pela música
expressionista alemã e também e pela música
popular brasileira, daí acho que vem a nossa afinidade
musical”, afirma Carrara.
O pianista Lincoln Antonio, formado em música pela
Unesp e antigo parceiro de Suzana Salles, diz o que o público
pode esperar do espetáculo. “Canções
dramáticas, feitas para o palco, que tratam de personagens
marginais, prostitutas, maus caracteres e excluídos.
Esses elementos compõe o universo que interessava a
Brecht”, afirma o pianista, que também se dedica
à pesquisa da música popular regional brasileira
como embolada, caribó, congada e maracatu.
Brecht-Weill
Personagem
marcante da história literária e política
do século 20, o dramaturgo, poeta, ensaísta
e romancista Bertold Brecht desafia a sociedade burguesa com
suas críticas e faz o público rir e se emocionar
com suas idéias controversas. Weill, seu parceiro de
grandes sucessos, compôs as melodias eternizadas em
trabalhos como a Ópera dos Três Vinténs
e Ascensão e Queda de Mahagony, que estão presentes
no repertório de Concerto Cabaré.
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RODRIGO
MATHEUS VOLTA AO FESTIVAL DE INVERNO COM GRAVIDADE ZERO
17/07/03
Circo e teatro, risco e representação, limites
entre a vida e a morte. Esses são desafios que enfrenta,
a cada espetáculo, o artista paulista Rodrigo Matheus,
este ano de volta ao Festival de Inverno da UFMG com Gravidade
Zero, evento programado para dia 18 sexta-feira, no teatro
do Instituto Casa da
Glória, em Diamantina. Rodrigo é o criador e
principal ator da Cia. Circo Mínimo, que contabiliza
um amplo repertório já visto em várias
cidades brasileiras e também no exterior.
Texto
inédito escrito por Mário Bortollotto, especialmente
para Rodrigo Matheus, o espetáculo Gravidade Zero é
um monólogo que se desenvolve num cenário que
lembra um canteiro de obras. Suspenso no ar, este cenário
serve de apoio ao personagem, que insiste em não por
os pés no chão.
Bastante irônico e ao mesmo tempo ácido e atual,
o texto questiona aquilo que é considerado aceitável
em uma sociedade carente de ideologias coletivas. O resultado
da direção de Elias Andreatto é um belo,
simples e forte poema visual.
Circo Mínimo
Do espaço aéreo dominado pelas técnicas
circenses, a Cia. Circo Mínimo extraiu conceitos básicos
que passaram a ser signos do trabalho: a falibilidade física
que exige excelência de execução; a responsabilidade
e confiança entre parceiros, diz Matheus.
Desde
sua criação em 1988, a identidade da companhia
está profundamente ligada a essas técnicas e
esses signos, transformados em sua linguagem cênica,
aprofundada e aperfeiçoada de acordo com as exigências
do conteúdo dos espetáculos de seu repertório,
que dão unidade a trajetória do Circo Mínimo,
ele completa.
Confira na entrevista abaixo o que Rodrigo Matheus pensa sobre
a expressâo teatral, de maneira geral, e seu trabalho
em particular.
Pergunta - Pode-se chamar "acrobático"
o gênero de teatro que você pratica, ou prefere
outra designação?
Rodrigo Matheus - Prefiro teatro de imagens,
ou mesmo circo-teatro, mas acrobático (entre aspas)
não é errado. Acho apenas um pouco depreciativo,
tipo 'sem profundidade', o que pode até ser o caso,
mas não intencionalmente.
Por que você escolheu esse gênero,
ao contrário do palco convencional. Seria pelo caráter
espetacular que lhe é próprio?
Não é ao contrário do palco convencional,
não tenho nada contra ele, e de tempos em tempos faço
espetáculos assim. Mas digamos que escolhi essa linguagem
por puro prazer de fazer as coisas que o circo propõe,
ou possibilita. Mas desde antes de entrar para a escola de
circo, eu já gostava de um tipo de teatro que criava
imagens, mais do que por atores 'declamando' um texto. Junte-se
o circo, e você tem o Circo Mínimo.
Você achar possível traduzir, sem
perda da essência da expressão teatral, a representação
do palco para o trapézio (ou outro suporte acrobático
que use)?
Sim, claro. Mas não tudo. Há textos, ou cenas,
que pedem a simplicidade, o pé no chão. E outras
que 'pedem', ou ficam mais interessantes, com algum suporte
acrobático. Cada caso é um caso. Gravidade Zero
foi um presente do Mário Bortolotto para mim. E foiescrito
para ser encenado por mim, suspenso. Acho difícil imaginar
outra encenação
Qualquer peça pode ser assim transcrita
(Romeu e Julieta, por exemplo)? Que
dificuldade essa transcrição oferece?
Não, mas eu tenho um projeto de espetáculo que
é baseado em Romeu e Julieta. E as batalhas podem ser
feitas com acrobacia e malabares, a cena do balcão
pode facilmente ser realizada num trapézio, e assim
por diante. Eu acho que, no momento que buscamos o significado
por trás do que está escrito, pode ser que encontremos
uma imagem apoiada no circo. Como a morte, sempre presente
no circo, e sempre presente no teatro. Mas essa transição
exige uma linguagem e uma técnica específica.
É uma busca contínua, no meu caso, a de achar
imagens mais interessantes que o próprio texto, e não
simplesmente enxertar algo espetacular.
A exigência de uma preparação
física especial não tornaria o seu teatro próximo
da ginástica ou de outra prática esportiva?
Pelo amor de Deus, não! Do circo talvez, mas o circo
é arte, e não esporte. Há pessoas que
tentam aproximar o teatro do esporte, mas eu odeio isso (como
jogos de improvisação, com vencedor e tudo).
Todo ator precisa de uma preparação física
especial, ainda que só a voz. E o bailarino...
Como o público tem reagido à sua
proposta de trabalho, em cada novo espetáculo?
Muito bem, em geral. O circo traz um aspecto mais popular,
mais espetacular, sem dúvida, o que facilita a comunicação.
E, além disso, o fato de eu sempre usar imagens de
atores susensos faz com que o riscoi, inerente ao teatro,
seja mais real, mais impactante. E, naturalmente, inusitado.
Mas raramente acontece de atrair a atenção do
espectador mais do que o necessário, disvirtuando a
informação, eu acho. Aos críticos o julgamento...
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TRADUÇÕES,
LEITURAS E INTERPRETAÇÕES DA LITERATURA MEXICANA
16/07/03
Ana Fazito
A escritora mexicana Margo Glantz traz ao Festival
de Inverno e à cidade de Diamantina uma pitada da simpatia
característica do povo de seu país e um punhado
de seu conhecimento sobre literatura latino-americana feminina.
Acompanhada da tradutora oficial de suas obras para o português,
Paloma Vidal, Margo ministra a oficina Literatura Mexicana
– o Limite do Feminino, onde, para a surpresa da escritora
e dos alunos, está se desenvolvendo um trabalho árduo
de tradução de fragmentos de sua obra.
Ao chegar em Diamantina, Margo, que é
também professora da Universidade Nacional Autônoma
do México, não imaginava que iria encontrar
alunos tão cultos, interessados e dispostos. "Com
o desenrolar da oficina, nos propusemos a desenvolver como
produto final traduções de partes do meu conto
Zona de derrumbe (zona de deslize) e isso tornou meu
trabalho mais interessante e menos esgotador", comenta
a escritora. Ela ainda observa que, ao se estudar as possibilidades
de cada língua, suas matizes e construções,
entra-se mais na estrutura do texto do que em uma simples
leitura.
Aline Midori é estudante de Belas Artes
em Belo Horizonte e com um certo pezar constata que os participantes
do Festival costumam se matricular em oficinas da mesma área
em que atuam profissionalmente. “No Festival temos a
chance de conhecer uma ótica diferenciada e aproveitar
dessa integralização, por isso resolvi fazer
a oficina da Margo”, diz Midori. Para ela a oportunidade
de se deparar com uma visão literal da história
mexicana mais intimista e afetiva é única, “faz
com que a gente se sensibilize muito mais”.
As traduções realizadas na oficina
serão apresentadas no Espaço B, um café
de Diamantina, na próxima sexta-feira, dia 18, às
18 horas. Margo também estará lá, para
ler um de seus trabalhos.
O erotismo do feminino
Na oficina, os alunos fazem
a leitura, em conjunto e individualmente, de contos das escritoras
mexicanas Nellie Campobello, Elena Garro e da própria
Margo.
Não muito conhecidas do público brasileiro,
as três apresentam em suas obras características
únicas de um erotismo bem latino-americano. Campobello,
artista do início de século XX, escreveu sobre
a Revolução Mexicana (1910-1920), mais precisamente
sobre o conflito de Chihuahua no norte do país. De
acordo com Margo, esta escritora não foi reconhecida
em seu tempo por causa da literatura essencialmente política,
mas que ao mesmo tempo apresenta uma erotização
da luta.
Elena Garro, uma personagem complicada da
história do México, escandalizava em sua conduta,
apesar de ser bela, simpática, elegante e sedutora,
segundo Margo. A escritora, que dizia ter conhecido o suposto
assassino de Kennedy e denegria a imagem do movimento estudantil,
foi casada com o também escritor Otávio Paz,
com o qual travou uma relação tormentuosa, onde
se agrediam publicamente, inclusive em seus livros.
A tradução de Paloma
Já Margo define seu livro Aparições
como uma novela erótica, onde se observa duas formas
diferentes de erotismo, a dos corpos, retratada pela relação
violenta da paixão de um casal. Eles estão sendo
observados por uma menina enigmática que se encontra
sempre dentro da cena, mas que não se define como uma
personagem ou uma narradora. A outra forma de erotismo é
a mística, entre duas freiras. Há também
uma relação de erotismo, de paixão com
a escrita na novela, pois a mulher do casal é uma escritora
e escreve sobre freiras e é, exatamente, quando ela
está escrevendo que acontece o que Margo chama de aparições,
"as histórias se entrelaçam e não
existe um claro limite entre as estórias", diz
Paloma Vidal.
Paloma ainda comenta do trabalho torturante,
mas ao mesmo tempo gratificante que é traduzir alguém
como Margo Glantz. "É uma escrita difícil
e transgressora, uma escrita feminina, mas não panfletária,
que eu me identifico e gosto de trabalhar". Aparições
é o segundo livro de uma série de traduções
que Paloma está fazendo para a coleção
Leituras Latino-Americanas da Editora Autêntica.
E é justamente esta novela que Paloma e Margo estarão
autografando nesta 5a feira, às 12h30 na
livraria Diadorim em Diamantina.
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AFINADOR
DE PIANOS É VETERANO NO FESTIVAL
16/07/03
Ana Fazito
Os
37 anos do Festival de Inverno da UFMG não seriam os
mesmos se não fosse a dedicação de um
elenco de colaboradores, funcionários ou não
da Universidade. Um deles é o afinador de pianos Guido
Franco, que ao longo deste período já esteve
em Ouro Preto, São João del-Rey, Belo Horizonte
e, agora, Diamantina – o que soma 15 de seus 60 bem vividos
anos.
Profissional autônomo, Franco já
afinou instrumentos para a execução de artistas
como Sandra Loureiro, Tânia Mara, Adalmario Pacheco,
Irio Júnior, Guida Borghoff, dentre outros pianistas
nacionais e internacionais.
Para ele, trabalhar em um
evento da envergadura do Festival de Inverno da UFMG constitui
sempre uma atividade prazerosa. "Afinar os pianos de
músicos de alto nível, eleva o trabalho do técnico",
comenta o especialista. Ele não se considera um pianista,
mas defende que o trabalho do afinador é uma arte,
apesar de cansativa. "É muito gratificante ouvir
os concertos tocados em instrumentos que afino. Melhor ainda
quando recebo um elogio dos pianistas".
Guido Franco aprendeu o ofício
de afinador há 33 anos, com o tio Afonso Franco, que
herdou a profissão do maestro italiano Mário
Pastori. Ele lamenta que seus filhos não tenham se
interessado pela arte de fazer com que as notas saiam suaves
e afinadas dos pianos para continuar a tradição
da família. Ainda assim, se orgulha muito do que faz.
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FESTIVAL
GANHA AS RUAS DE DIAMANTINA
16/07/03
Mariana Paulino
Performatividades
é o nome da oficina que alterou a rotina de quem
passou pela Praça JK, em Diamantina, nesta tarde
de quarta-feira. Nesse dia, a turma da oficina parou os
transeuntes para perguntar o que eles tinham a dizer sobre
o 35º Festival de Inverno da UFMG. Pessoas de todas as idades
escreveram suas impressões em blusas que depois foram
dependuradas em um Varal poético.
"Vó
Efigênia", 77, que deixou sua lembrança
em uma das blusas, comenta que adora estar no meio dos jovens,
brincando, e lamenta não ter idade para participar
do evento. Fernanda Neves, 16, escreveu "Adoro Diamantina.
O Festival é bom demais".
Ministrada
pela professora Rita Gusmão, a oficina tem como objetivo
promover uma interface prática e teórica entre
a linguagem teatral e a performance. Rita explica que performance
é um conceito muito confuso, adotado para tudo que
não se consegue classificar.
Na aula,
"estamos refletindo a origem histórica, a importância
e a multiplicidade que se encerra na atividade performática",
diz Rita, destacando que, na performance, "o artista
é sua própria obra".
Impacto
Pensando
sobre o impacto e os possíveis resultados de uma
performance, Rita sugeriu ao grupo a criação
de intervenções na cidade histórica.
Eles nomearam os lugares a serem ocupados, escolheram três
tipos de atuação, preparam o script e discutiram
como lidar com as mais diversas reações do
público.
"A perfomance
é uma linguagem que trabalha no limite, desloca a
percepção do participante, coloca em jogo
valores e sensações", resume, antevendo
um pouco uma gama de resultados possíveis a cada
apresentação.
Júlia
Cseko, estudante de Belas Artes do Rio de Janeiro, afirma
que, através da intervenção, é
possível dialogar com a pessoas cujas reações
ela não imagina quais seriam. "E o mais interessante
é que, aqui, os moradores não têm muito
contato com arte. A performance, durante o Festival, cria
uma estranheza, a partir do momento em que não é
teatro", completa.
Até
o sexta-feira, dia em que se encerram as atividades da segunda
semana do Festival, haverá mais duas intervenções
diferentes pela cidade.
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LUCAS
BAMBOZZI PROVA QUE FESTIVAL É CELEIRO DE
PROFISSIONAIS RECONHECIDOS INTERNACIONALMENTE
16/07/03
Mariana Paulino
Lucas Bambozzi
é um veterano do Festival de Inverno. Formado em
jornalismo pela UFMG e mestrando em filosofia pelo Centro
Caii-A STAR, de Londres, um dos mais conhecidos artistas
de mídia-arte de sua geração, reconhece
que o evento tem uma grande importância em sua trajetória
profissional.
Desde
1989, época em que começou a participar efetivamente
do Festival de Inverno da UFMG, Bambozzi vem trabalhando
com diferentes formatos de vídeo, em várias
mídias e suportes, tendo construído um corpo
de obras em vídeo, filme, instalação,
site-specific, projetos interativos, Internet e CD-ROM.
"Eu circulo entre cinema, vídeo experimental,
vídeo-arte, novas mídias: Internet, meios
interativos e no circuito da arte", relata, para situar
seu trabalho.
Em seus trabalhos,
freqüentemente premiados e com exibições
em mais de 20 países, identifica-se uma transposição
do conceito do portrait para imagem em movimento. Bambozzi
costuma retratar as particularidades da vida privada cotidiana,
em seus paradoxos e antagonismos, inseridas no contexto
do caos urbano e dos espaços de convívio coletivo.
Em sua última
produção, chamada 4Walls, realizada
durante o mestrado em Londres e apresentado na exposição
Intimidade, em São Paulo, o mineiro desenvolveu
interfaces interativas para instalações. A
obra, comandada por um sensor que detecta a presença
do visitante, é composta por vídeos projetados
em uma janela.
"Eu
me interesso pelas formas de converter sinais analógicos
em digitais e digitais em analógicos. Coisas que
acontecem no espaço físico possam intervir
no computador, e o que está acontecendo no computador
possa acionar o que está no espaço real",
explica.
Bambozzi
também realizou, ao lado dos colegas Beto Magalhães
e Cao Guimarães, O Fim do Sem Fim, documentário
em longa–metragem vencedor de vários prêmios,
entre eles o GNT de Renovação de Linguagem.
Participando da 35ª edição do Festival de
Inverno da UFMG como professor da Oficina Arte Eletrônica:
Conceitos e Prática, o artista fala um pouco
sobre sua trajetória e adianta, nesta entrevista,
alguns dos trabalhos que vai lançar em breve.
Qual
a importância do Festival de Inverno da UFMG, em sua
35ª edição, na perspectiva da sua trajetória
profissional?
O Festival
de Inverno foi fundamental para estimular, afirmar e conduzir
muito do que aconteceu com o vídeo, na minha geração.
Minha geração não seria exatamente
a geração do Éder (Santos), apesar
de não existir uma diferença grande de idade,
mas uma turma que se formou basicamente através de
festivais e cursos. Eu tive aulas com Rafael França,
quando o Festival de Inverno foi realizado em Belo Horizonte,
fui monitor da Joan Logue. Informalmente, eu já ajudei
a indicar muitos professores, como John Gilles, Carlos Nader,
Patrick De Geetere. Eu sempre estive perto de alguma forma,
tentando colaborar com o Festival, porque acho fundamental
para a formação e o debate do vídeo
e das mídias afins.
Confira
aqui a entrevista na íntegra
|
OFICINA DE MÚSICA DISCUTE
EXPERIÊNCIAS
E MÉTODOS DE COMPOSIÇÕES CONTEMPORÂNEA
16/07/03
Ana Fazito
Levantar questões sobre a composição
contemporânea, sem o objetivo de respondê-las
neste momento, é uma das propostas da oficina Panorâmica
das Poéticas Musicais e Problemas da Linguagem na
Música Contemporânea, ministrada pelo boliviano
Edgar Alandia Canipa, compositor e professor de Composição
do
Conservatório de Música de Perugia, na Itália.
Até sexta-feira, os alunos da oficina
- que integra o Fórum internacional de arte contemporânea
Limites: rupturas e desdobramentos, no 35o Festival
de Inverno da UFMG - recebem informações do
que se passa, principalmente na Europa, sobre a a técnica
composicional e têm a oportunidade de aplicar esses
conhecimentos em suas próprias composições.
Segundo Alandia, a oficina pode ser dividida
em três partes. Na primeira, o aluno fica sabendo
sobre o desenvolvimento das novas técnicas dos instrumentos
acústicos e sua aplicação nas linguagens
da música atual. Num segundo momento, o compositor
boliviano discute métodos do fazer musical, seus
próprios e de outros musicistas.
Experimentos
Por último, Alandia comenta os trabalhos
que os alunos trouxeram para a oficina. "Quem sabe eles
não podem começar um projeto para desenvolver
posteriormente?", comenta o professor. Ele ainda acrescenta:
"Nesta curta oficina a intenção é perder
tempo e ganhar experiência, que será útil".
André Rocha, estudante de violão
da UFMG, escutou algumas das composições e
das experiências de Alandia na oficina. "Sou uma pessoa
que vai no coração da música e pela
fala do professor a gente percebe que ele tem uma visão
poética do que faz, ele ouve o som", diz André.
Ainda dentro da programação
do Fórum Internacional de Arte Contemporânea,
o músico boliviano faz, quarta-feira, uma palestra
sobre o Objeto Musical na Sociedade Global Contemporânea.
Para ele, a obra de arte se transformou hoje em objeto a
ser consumido. "Fala-se muito de globalização,
que é uma mentira. A maioria das pessoas se encontra
na porta, nunca entra para participar do banquete", comenta
Alandia.
Ele completa afirmando que a qualidade de
um objeto artístico depende do parâmetro de
referência. "Se o parâmetro é comercial,
a obra é boa porque vende mais". Contra isso, na
opinião do musicista, compositores, músicos,
artistas plásticos têm que se tranqüilizar
e fazer arte a título de experiência individual"
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A
ESCRITORA LÚCIA CASTELLO BRANCO VAI AO PALCO
PARA TRADUZIR SEUS TEXTOS EM MELANCOLIA
15/07/2002
Carlos Eduardo Freitas
Pela primeira vez no palco, a escritora Lúcia Castello
Branco é a boa novidade da agenda de eventos do 35º
Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina.
Nesta quarta-feira às 21h, ela se apresenta no espetáculo
Melancolia, ao lado da pianista Guida Borghoff,
da cantora lírica Luciana Monteiro e da atriz Júlia
Castello, para uma leitura de textos seu livro de contos
A Falta.
No espetáculo, piano, canto lírico, leitura
e expressão corporal contribuem para criar uma atmosfera
estritamente feminina em uma apresentação
de uma hora de duração, onde canções
de Elza Cameu, compositora do início do século
20, que musicou poemas de Helena Kolody e Florbela Espanca,
fornecem o clima intimista necessário ao evento cênico.
As narrativas de A Falta – conjunto de contos que
têm em comum o tema do difícil amor entre mãe
e filha, abandono e (re)encontros mediados pela literatura
– realizam o que a própria escritora chama
de escrita feminina. “A união de música
e literatura, combinadas a um trabalho de expressão
corporal, resultam em uma apresentação que
descortina o universo feminino, a partir de textos do meu
livro”, explica Lucia Castello Branco.
“Trata-se de um escritura em que a voz não
traz autoridade e saber, mas sendo apenas sopro, balbucia
a ausência, a dúvida, o lento desaparecimento
da palavra articulada, e deixa aos olhos expectantes uma
tênue visão do que poderia ter sido, se não
finito. Por isso se trata de uma cena em que fulgura a escritura:
voz consumida na letra, na melancolia”, explica a
autora.
O cenário, uma criação do arquiteto
de interiores, Augustin de Tugny, único homem envolvido
na produção do espetáculo, remete às
anunciações de Virgem Maria, a partir de imagens
pictóricas do fenômeno bíblico. “As
referências às anunciações de
Maria concedem uma atmosfera mística, que juntamente
com outros elementos como bambus, flores e tecidos fornecem
o necessário para que as mulheres brilhem em cena”,
diz o cenógrafo.
Com direção de Rosângela Pereira de
Tugny, o espetáculo pretende “levar ao público
a melancolia, por meio da dúvida, da ausência
e do sopro, em contraposição à voz
que se pretende sábia e autoritária”,
afirma a diretora.
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MÁQUINA
DE PINBALL TRAZ A CULTURA POP AO FESTIVAL
15/07/2003
Carlos Eduardo Freitas
A cultura pop é o tema do monólogo Máquina
de Pinball, uma adaptação da obra homônima
de Clarah Averbuck para o palco, num espetáculo que
vai ser mostrada em Diamantina nesta terça-feira,
dentro da programação de eventos do 35º
Festival de Inverno da UFMG.
No
primeiro livro dessa escritora gaúcha de 24 anos,
que é fã da geração beatnik
e não deixa de lado sua coleção de
CDs de rock`n roll, a contemporaneidade é mostrada
pela visão da jovem Camila, uma escritora que não
se satisfaz com as opções medíocres
que a vida pode lhe reservar.
A peça, dirigida por Antonio Abujamra, um das principais
personalidades do teatro brasileiro, e pelo jovem Alan Castelo,
tem trilha sonora da banda de rock novaiorquina Strokes
e também está em cartaz no Rio de Janeiro,
até dia 27 de julho, no Teatro Glória.
A atriz e bailarina Patricia Niedermeier ocupa a cena acompanhada
apenas de músicas e projeções de vídeo,
nessa que é a primeira grande incursão de
Abujamra pela cultura pop. “Trabalho com Abujamra
há seis anos, como ator, assistente de diretor e
diretor, e este é um trabalho que têm nos dado
muito prazer em realizar juntos”, afirma Alan Castelo.
O pensamento de uma geração está expresso
nessa peça, que utiliza os elementos que ocupam a
mente da juventude contemporânea: rock, sexo, transgressão.
“O texto fala de rock porque ele é uma referência
cotidiana desta geração, e a música
é utilizada para garantir o clima necessário
à peça”, explica Alan.
“O espetáculo trabalha com o universo do jovem
e, por isso, ele se identifica com a protagonista, contudo,
essa peça é feita para todas as gerações”,
garante o jovem diretor.
A atriz Patrícia Niedermeier, que já trabalhou
com diretores consagrados como Gerald Thomas e Rubens Correia,
se sente desafiada pelo papel. “Assim que li o livro
de Clarah, me identifiquei com o desejo expresso por sua
personagem de viver intensamente e correr riscos. Entretanto,
um monólogo é sempre desafiador.”
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BETTY MINDLIN TRAZ AO FESTIVAL A ‘LITERATURA’
DOS ÍNDIOS BRASILEIROS
15/07/2003
Carlos Eduardo Freitas
A
antropóloga Betty Mindlin, que desenvolve, desde 76,
um trabalho de pesquisa junto aos índios brasileiros,
é um dos destaques
da área de Literatura e Cultura do 35º Festival
de Inverno da UFMG. A pesquisadora ministra, ao longo desta
semana, a oficina Literatura Indígena, que, segundo
a coordenadora da área, Lúcia Castelo Branco,
“trabalha com uma narrativa que rompe os limites da
literatura contemporânea e inova a cena cultural”.
Da agenda da antropóloga no Festival, contam também
uma participação no Fórum Internacional
- Limites: rupturas e desdobramentos, quinta-feira (17), com
a palestra As Narrativas indígenas como literatura,
e uma manhã de autógrafos para lançamento
de seu livro infanto-juvenil O primeiro homem, na Livraria
Diadorim.
Oralidade e literatura
Na oficina que ministra, Betty demonstra o seu processo de
criação e coloca seus alunos em contato com
os registros orais que mantêm arquivados. “Espero
que os participantes, ao final dos trabalhos, conheçam
e ajudem a preservar os valores dos índios brasileiros”,
explica a antropóloga que dedica sua vida à
disseminação e proteção da cultura
nativa do Brasil.
Betty teve a oportunidade de conhecer a cultura indígena
in loco, antes que a invasão do mundo capitalista alterasse
o modo de vida das tribos do norte do país. “Trabalhei
na construção de programas de saúde e
educação e na defesa da demarcação
das terras indígenas”, afirma a antropóloga
que em 1987 fundou a ONG Instituto de Antropologia e Meio
Ambiente (Iama), organização defensora da cultura
dos índios, onde trabalhou até 1997.
Enquanto se dedicava à causa indígena, a pesquisadora
manteve contato com mais de 60 povos diferentes, dos quais
recolheu mais de mil narrativas. Esse trabalho de registro
dos mitos colhidos em diversas línguas nativas rendeu-lhe
uma série de obras literárias, inclusive Muqueca
de Maridos, em que a narrativa das índias, com forte
conteúdo erótico, sai da oralidade e toma conta
das páginas.
“Os meus livros têm dupla autoria, os direitos
são divididos com os índios e, na maioria das
vezes, eles compram comida e alguma roupa com o que é
arrecadado”, conta a autora, que trabalha com um universo
simbólico muito diferente do que conhecemos.
‘Reino dos sonhos’
A sofisticação simbólica dos povos indígenas
rende histórias peculiares, segundo ela própria
afirma: “Com o dinheiro arrecadado pela venda dos livros,
a viúva de um importante pajé foi, pela primeira
vez, a um restaurante e, ao perceber a grande quantidade de
comida que lhe era oferecida, comparou o local ao ‘Reino
dos Sonhos’, terra mitológica onde são
oferecidos os mais variados e deliciosos pratos”.
Na oficina que ministra, Betty demonstra o seu processo de
criação e coloca seus alunos em contato com
os registros orais que mantêm arquivados. “Espero
que os participantes, ao final dos trabalhos, conheçam
e ajudem a preservar os valores dos índios brasileiros”,
explica a antropóloga que dedica sua vida à
disseminação e proteção da cultura
nativa do Brasil.
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LÁPIS DA NATUREZA LEVA A
CURRALINHO FOTOS DE BERNADO MAGALHÃES
15/07/2003
Em evento paralelo ao 35º festival
de Inverno da UFMFG, o fotógrafo Bernardo Magalhães
expõe seu mais recente trabalho no Centro Cultural
Dona Zeca Ferreira, em Curralinho, distrito de Diamantina.
São
15 imagens de uma pesquisa tendo como base os trabalho do
pioneiro da fotografia William F. Talbot. Lápis
da Natureza, esse é o título que Talbot
deu ao seu livro, o primeiro ilustrado com fotografias,
em 1844. Nele são apresentadas 24 imagens e textos
onde ele reconta a trajetória de seus pensamentos
e pesquisas químicas.
A inauguração acontece dia
17 de julho, às 19 horas, e a mostra fica em cartaz
até dia 31, aberta à visitacão de terça
a sexta-feira de 14h às 19h, e nos sábados
e domingos de 14 às 18 horas. O Centro Cultural Dona
Zeca Ferreira fica na rua do Rosário, 92, em Curralinho
(Diamantina/MG).
O inspirador
Talbot, cientista, astrônomo, botânico
e lingüista trabalhava diretamente com o papel que
ele mesmo sensibilizava. O processo era “simples”:
o objeto, folhas, penas ou tecidos, era colocado sobre o
papel sensibilizado, comprimindo-o em contato contra um
vidro, expondo à luz do dia e depois revelando.
Obtinha-se assim um “calótipo”, um negativo,
que por sua vez era copiado, de novo por contato, para se
obter um positivo: foi a invenção da técnica
negativo-positivo e que possibilitava a reprodutibilidade
da imagem.
Nessa pesquisa Bernardo recupera o processo de Talbot, mas
acrescenta uma novidade: a obtenção de um
positivo direto. É um trabalho ao nível da
emulsão sensível. Subvertendo quimicamente
a trajetória programada para o papel fotográfico
a imagem surge com uma beleza estranha.
O que vemos é: o negativo e o positivo
de uma imagem, mas este não é a cópia
daquele. É um positivo obtido diretamente, através
de uma reversão química. Imagem única,
pois toda vez que se repetir o processo as variações
serão inevitáveis e a reprodutibilidade não
se afirma. Depois foram as viragens e manipulações
em sépia e cobre.
O artista
Bernardo Magalhães tem uma longa
trajetória na fotografia. Já trabalhou na
grande imprensa em São Paulo e na Europa. Participou
da Bienal de São Paulo com uma pesquisa sobre a Pré-história
no Brasil, e em 1999 foi o curador da mostra Minas:minas
- Memorial e Contemporânea apresentada em São
Paulo. Por uma ironia do destino, ou falta de sensibilidade
de patrocinadores e do poder público Minas:minas
nunca foi apresentada em Minas Gerais. Foi a maior reunião
de imagens da produção de fotografia em Minas
Gerais jamais reunida: acervos e coleções
históricas dos maiores museus de Minas e de particulares
e a produção contemporânea de 45 fotógrafos.
Morador de Diamantina há 3 anos
Bernardo participou dos Festivais de Inverno da UFMG em
2001 como professor e em 2002 com o espetáculo de
encerramento “Rede de Pedras”, uma encenação
pelas ruas da cidade com a participação dos
artistas locais e um espetáculo multimídia
na cadeia velha da cidade.
O lugar
Curralinho fica a 8 kms do centro de Diamantina.
Conhecida no século XVII como Extração,
nome oficial do lugar, ele já foi centro diamantífero
da maior importância. Lá foi construída
a primeira hidroelétrica da região, na cachoeira
das andorinhas, e que alimentava as minas da Serrinha e
da Boa Vista que pertenciam aos ingleses. Local acolhedor
rodeado de serras e picos e uma igreja setecentista: Nossa
Senhora do Rosário, com belas imagens barrocas.
A Associação Pró-desenvolvimento
de Extração fundada nos anos 70 é uma
instituição voltada para o desenvolvimento
social, visando a cultura, a educação e o
resgate da história da população local.
O Centro Cultural Dona Zeca Ferreira, mantida pela Associação,
leva esse nome em homenagem à Dona Zeca, conhecida
parteira e enfermeira com mais de 1300 partos na região,
inclusive de trigêmeos. Natural de Curralinho D. Zeca
foi atuante por mais de 60 anos na profissão, figura
muito querida e respeitada por todos.
Telefones para contato
Beco, em Curralinho:
para informações sobre o local e a Associação:
(031) 9667 9186
Bernardo: para informações sobre a exposição:
(38) 3531 7349
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PINTURA DE LEDA CATUNDA É TEMA DE PALESTRA
E OFICINA NO 35º FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG
14/07/2003
Mariana Paulino
Quando lançou-se profissionalmente, aos 24 anos,
com uma exposição individual no Rio de Janeiro,
respaldada pela participação na 18ª Bienal
Internacional de São Paulo, a artista plástica
Leda Catunda foi recebida com entusiasmo pela imprensa e
pelo circuito das artes plásticas em todo o país.
“Foi
uma surpresa agradável, pois pude ampliar meu trabalho,
minha produção, investir em mim”, relembra
Catunda, que participa do 35º Festival de Inverno da
UFMG, em Diamentina, onde, além de oferecer ao longa
desta semana a oficina Pintura contemporânea, também
dá a palestra Trajetória da artista e a arte
contemporânea hoje, na terça-feira (15).
Nessa palestra, em que resgata sua própria trajetória,
a pintora relembra que, naquela época, as artes plásticas
estavam na moda, por isso a Geração 80 (de
Leonilson, Sérgio Romagnolo, Alex Fleming, Daniel
Senise, entre outros), da qual faz parte, conseguiu um espaço
que talvez hoje não conseguiria.
O fato é que este grupo foi responsável por
uma renovação nas artes plásticas brasileira,
que se caracterizou pela disposição em rever
linguagens, experimentar novos suportes e discutir, sobretudo,
os caminhos e descaminhos da pintura.
Relendo a pintura
Hoje, 18 anos depois e doutora em poéticas visuais,
Leda é considerada uma das mais importantes pintoras
brasileiras da atualidade. Seu trabalho busca uma ampliação
da tradicional noção de pintura, através
de diferentes materiais e suportes. Há uma pesquisa,
nas criações de Leda Catunda, assim definida
por ela: “Na minha obra, a matéria prima já
traz alguns significados”. Na palestra desta terça-feira,
Catunda remete também à sua tese de doutorado,
em que trata da estética da maciez, definição
para a “pintura macia, não agressiva”,
presente em sua obra.
A oficina que ministra, de Pintura Contemporânea,
foi uma das mais procuradas de todo o Festival. Nela, Leda
introduz a discussão der conceitos da história
da arte moderna e contemporânea através de
exercícios de pintura, procurando colocar em questão
as diferentes atitudes presentes na arte da atualidade.
Perguntada sobre as críticas às artes contemporâneas
disparadas por intelectuais como Affonso Romano de Sant’Anna
e Ferreira Gullar, ela responde que considera as críticas
infundadas. “Não houve ainda uma pesquisa séria,
com publicações organizadas, que tenha investigado
realmente o trabalho da Geração de 80. Ainda
é cedo para julgá-lo”, justifica. Na
sua opinião, os museus, instituições
e universidades brasileiras não estão preparados
para absorver a arte enquanto ela acontece.
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AS
VÁRIAS POSSIBILIDADES DO TEATRO, DA PERFORMANCE E
DA DANÇA SÃO DISCUTIDAS EM FÓRUM INTERNACIONAL
14/07/2003
Mariana Paulino
A
manhã de segunda-feira no Festival de Inverno foi reservada
para a reflexão sobre as artes cênicas. A professora
da UFMG, Rita Gusmão, começou a palestra do
segundo dia do Fórum Internacional de Arte Contemporânea
falando sobre as diferenças entre performance e teatro.
Ela explicou que a performance aglutina uma série de
revoluções na atividade cênica. “A
performance distingue-se do teatro ao romper com a hegemonia
da palavra, desconstruir o tradicional trabalho do ator, incorporar
a cenografia ao ato representativo. Nela, há um compromisso
com a improvisação, a participação
do público e o grupo”, descreveu.
Falando
em seguida, Bia Medeiros relatou sua experiência à
frente do Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos e caracterizou
as artes cênicas, na contemporaneidade, como sendo a
arte do “ser com”, “estar com”, do
grupo, e não mais a do autor. Com isso, a arte efêmera,
da performance e da intervenção urbana são
as tendências mais marcantes na atualidade, inclusive
pelo uso da tecnologia.
Em
seu atividade junto ao Grupo Corpos Informáticos, Bia
trabalha a dicotomia entre o corpo e a máquina, explorando
os limites entre essas duas interfaces. Na prática,
têm-se a telepresença, uma performance à
distância, “local onde realmente se cria a intersubjetividade,
onde uma rede (como a Internet), de fato, se dá”,
esclarece a pesquisadora. As experiências dos “corpos
performáticos” podem ser conferidas no site www.corpos.org.
Dança
A dança foi o tema da palestra da bailarina e coreógrafa
Patricia Hoffbauer. Brasileira radicada em Nova York, ela
deixou claro que suas referências são fruto de
sua própria trajetória. “Minha formação
foi no Rio no fim da década de 70. Meu aprimoramento,
em Nova York. Minha visão não é neutra.
Eu me sinto fora de lugar e sempre em confrontação,
principalmente depois de 11 de setembro”, observa.
Patricia questionou qual seria a forma de revigorar a dança.
“Na década de 60, houve uma ruptura com a formalidade
até então vigente na dança. O bailarino
passou a ter independência de movimento, ele era a expressão
e não mais expressava a intenção de outro.
A dança era vista como algo cerebral, que negava a
superdramatização. A improvisação
o corpo presente e o imprevisível eram os elementos
mais valorizados”, disse.
Para
ela a crise chegou com a década de 80, quando a dança
vira um produto. “Nos EUA é preciso de um produtor
ou um teatro para comprar a dança. Alguns artistas
criam para agradar a um público”, destacou. E
a situação continua mais ou menos a mesma, até
hoje, ela confirma.
A
bailarina finalizou sua fala argumentando que “estamos
em um momento paralisado” e explicou que uma das formas
para seguir em frente seria a “revisão”
dos caminhos seguidos até então, por alguns
coreógrafos e estudiosos. Como já vem sendo
feito por Mikhail Barysnikov, que está resgatando alguns
trabalhos de dança em Nova York. “É preciso
pensar como a dança se relacionou e vai se relacionar
com o mundo”, resumiu.
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A ESCRITA DO MOVIMENTO DE PATRICIA
HOFFBAUER
13/07/2003
Mariana Paulino
A área de artes cênicas
do Festival de Inverno da UFMG traz à baila a discussão
sobre se a contemporaneidade no teatro pode ir além
da utilização da tecnologia. Três oficinas
de atualização compõem a programação:
em uma delas, Rita Gusmão vai discutir os limites
e diferenças entre a performance e o teatro; em outra,
Patrícia Hoffbauer vai trabalhar a interdisciplinaridade
possível nas artes cênicas, que há muito
é a linha de trabalho do próprio Festival;
e na terceira, Bia Medeiros vai refletir sobre como as tecnologias
estão interferindo no teatro e na dança.
“O teatro não
tem como abrir mão do humano, mesmo na arte contemporânea.
Temos uma oficina com intervenção na rua,
em que o aluno trabalha com lápis e papel, e outra
que trabalha com performance em telepresença, com
computador. Em ambas, a atuação da pessoa
é imprescindível”, destaca Ernani Maletta,
Coordenador da área e mediador da palestra sobre
o tema, que aconte no dia 14 (segunda-feira).
Estrela
Considerada uma mistura de Carmem Miranda, Lenny Bruce e
Tina Turner, pelo jornal The New York Times, a
carioca Patricia Hoffbauer é uma das maiores “estrelas”
deste Festival. Trabalhando em Nova York desde 1985 como
coreógrafa e performer, Patricia desenvolve, ao lado
do escritor e performer George Emilio Sanchez, um trabalho
de pesquisa em linguagens e elementos cênicos, financiado
pelo por fundações norte- americanas.
Artista independente, Patricia
explica que faz parte de uma geração que tem
uma proposta cultural diferente, que trata da “política
de identidade”. “Busco mostrar como o artista
fora do lugar define sua identidade”, diz. Para isso,
faz um trabalho crítico, com paródia, que
busca elementos na chanchada, em referências de fora
do seu ambiente. E ainda agrega outras linguagens, como
a performance e a literatura.
A coreógrafa chama
a atenção para o fato de que na dança
ainda há um primazia do virtuosismo em relação
à idéia. “Nos Estados Unidos há
uma linha, na dança, que busca tirar o artifício
do movimento. É uma dança ascética,
minimalista, que tenta libertar a dança da estrutura
musical. Meu trabalho é o contrário, é
maximizalista”.
No 35º Festival de
Inverno da UFMG, Patricia dá uma palestra, dentro
da programação do Fórum Internacional
de Arte Contemporânea, e ministra a oficina Corpo,
Movimento, Palavras, cujas vagas esgotaram-se logo
no segundo dia de inscrição. “Patricia
desenvolve um trabalho de dança com performance.
E faz uma ponte com a palavra, a literatura. São
três interfaces”, explica Maletta.
No curso, a coreógrafa
vai passar técnicas dramáticas e performáticas
de investigação física, explorando
a relação entre diferentes suportes comunicacionais.
Texto, movimento, situações teatrais concretas
e abstratas, espaço e tempo, movimento individual
do performer e o material coreográfico proposto.
“Vou trabalhar a
improvisação, desenvolver o movimento, propor
a libertação através do movimento e
do ato de escrever”. Para ela, trata-se de um trabalho
de autor: “através da palavra, o bailarino
se envolve mais”, afirma a coreógrafa.
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BAILARINA
REÚNE QUATRO COREÓGRAFOS EM UM SÓ ESPETÁCULO
13/07/03
Ana Fazito
Thembi
Rosa, bailarina-criadora de Belo Horizonte, apresenta no Festival
nesta segunda-feira seu solo Ajuntamento. Como o próprio
nome diz, o espetáculo é uma junção
de quatro peças coreográficas, idealizadas por
coreógrafos diferentes, e a trilha sonora do grupo
O Grivo em um só corpo, o da bailarina.
Rodrigo Pederneiras, Dudude Hermann, Adriana Banana e Luciana
Gontijo foram os profissionais escolhidos por Thembi, pois
desenvolvem trabalhos singulares no território da dança,
além de apresentarem trajetórias identificadas
a contextos históricos distintos. “A proposta
do espetáculo é explorar como o corpo lida com
essa multiplicidade de linguagens, como ele se adapta”,
explica a dançarina, acrescentando que “a ligação
entre as peças foi estabelecida por mim e, apesar disso,
há uma clara transição entre elas durante
Ajuntamento”.
Thembi usa um figurino neutro desenhado por Ronaldo Fraga
e não existe cenário no espetáculo. O
objetivo disso é que as modificações
que se apresentam no corpo da bailarina, a partir da relação
que ela estabelece com as diferentes lógicas coreográficas,
sejam mais evidentes. A trilha sonora também ajuda
a distinguir o estilo de cada coreógrafo. “Algumas
das coreografias partiram das trilha pronta, outras serviram
de base para a criação da música e ainda
houve caso em que dança e música foram compostas
ao mesmo tempo”, diz Thembi.
Espetáculo Ajuntamento
Local: Teatro do Instituto Casa da Glória
Horário: 21h
Entrada Franca mediante doação
de agasalho ou alimento não-perecível
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REVISTA DO INSTITUTO ARTE DAS AMÉRICAS
É LANÇADA NO FESTIVAL
13/07/03
Ana Fazito
O
Instituto Arte das Américas em uma iniciativa conjunta
com a FUMEC, Fundação Clóvis Salgado,
UFMG, Ministério da Cultura e Editora C/Arte lança
nesta Segunda-feira no Festival de Inverno o primeiro número
da Revista Instituto Arte das Américas. Resultado
do I Fórum Arte das Américas, realizado
no Palácio das Artes na capital mineira em Novembro
de 2001, a revista debate questões sobre intercâmbio
culturais, bienais, arte e política e arquitetura no
continente americano.
De acordo com Fernando Pedro
da Silva, presidente do Instituto, a publicação
traz textos provocativos de importantes representantes do
cenário cultural internacional, como Fernando Cochiarate,
Leonor Amarantes, Nelson Herrera Ysla, Edward Sullivan e Aracy
Amaral. Esta última traça em seu artigo a trajetória
histórica da Bienal de Arte de São Paulo, “uma
história crítica inédita, que não
está publicada em nenhum outro local”, diz Fernando.
Ele ainda acrescenta que a revista aparece para suprir uma
lacuna existente na discussão sobre arte contemporânea.
“Não é uma publicação de
cunho acadêmico, é um debate amplo com vários
pontos de vista”.
A Revista do Instituto Arte das
Américas poderá ser adquirida nas livrarias
especializadas em artes ou através do site www.comarte.com,
ao preço de R$ 20,00.
Lançamento da
Revista Instituto Arte das Américas
Local: Mercado Velho
Hora: 20h
Entrada Franca
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PERFORMANCE
DE ÁUDIO E VÍDEO É UM DOS DESTAQUES DO
FESTIVAL
12/07/2003
Carlos Eduardo Freitas
Arte
eletrônica em performances de áudio e vídeo.
Essa é uma das várias denominações
que se pode dar ao trabalho realizado pelo FAQ, um grupo
musical multimídia, que apresenta Revolución
en Permanence and Party, domingo, dia 13, no Tetro do Instituto
Casa da Glória, a convite do Festival. O espetáculo
une elementos da música eletrônica e eletroacústica
a imagens que remetem ao caos urbano, abordando temas como
guerra, política, ideologia, revolução,
anarquia.
Atuante desde dezembro de 1999, o grupo
Feitoamãos, mesmo núcleo central de artistas
do FAQ, já se apresentou no Festival de Inverno da
UFMG, em 2002, com a performance Adamantos – a cidade
cheia de dias iguais, quando tentou-se reproduzir, no antigo
mercado de Diamantina, o clima do período em que
a cidade era repleta de tropeiros e comerciantes de diamantes.
Formado
por André Amparo, André Melo, Cláudio
Santos, Lucas Bambozzi, Marcelo Braga, Rodrigo Minelli e
Ronaldo Gino, o FAQ utiliza computador, guitarra, teclado,
bateria e pick-ups para produzir o seu som eletrônico
que, combinado a imagens previamente gravadas e digitalmente
processadas, deixam para o espectador a função
de recombinar os fragmentos apresentados, formando uma interpretação
particular do evento.
Experimentando novas possibilidades narrativas
a cada apresentação, Ronaldo Gino (ex-Virna
Lisi), guitarrista e compositor do grupo, afirma que “o
espetáculo dá margem ao improviso, trazendo
novos elementos a cada montagem”.
Em Diamantina, o grupo pretende produzir
uma interação com a cultura regional. “Vamos
fazer um contato com os músicos locais e tentar trazê-los
para nossa apresentação”, destaca Cláudio
Santos, designer gráfico com longa atuação
em web, cinema e vídeo, e um dos responsáveis
pela manipulação dos computares durante o
espetáculo.
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LIVRO
DE HISTORIADORA MINEIRA DESMASCARA
O MITO SENSUAL DE CHICA DA SILVA
12/07/2003
Ana fazito
Mulher
guerreira, heroína e libertadora negra do século
XVIII, venerada por sua beleza e sensualidade, capaz de fazer
qualquer homem, negros e, principalmente, brancos latifundiários
e donos de escravos cairem a seus pés. Essa é
Chica da Silva retratada por Cacá Diegues em 1976,
cantada por Jorge Benjor e tema de telenovela da extinta Rede
Manchete em 1997. Uma invenção de folhetins,
um mito, que tomou proporções de figura histórica
singular e que a historiadora Júnia Ferreira Furtado
desconstrói em Chica da Silva e o Contratador de Diamantes
– o outro lado do Mito, livro lançado ontem em
Diamantina durante o Festival de Inverno.
De redentora da raça
negra resgatada pelo Movimento Negro na década de 70,
Chica da Silva passa a grande proprietária de escravos,
o que retrata um universo relativamente comum da Diamantina
do séc. XVII, segundo Júnia. “Ela não
era um acontecimento, sua vida era muito semelhante a de outras
mulheres forras que, uma vez livres, copiavam hábitos
e costumes da elite branca”, esclarece a historiadora.
Ela, quando começou seus estudos sobre Chica, percebeu
que seria impossível redescobrir essa ex-escrava sem
levar em consideração o relacionamento com o
contratador de diamantes João Fernandes. “O rumo
da vida dela foi direcionado pelo casamento e pelos 13 filhos
que teve, sendo que não amamentou nenhum deles”.
Se
não foi uma exceção então por
que Chica da Silva ganhou tanta notoriedade? Júnia
explica que isso aconteceu por acaso. Em 1860, o advogado
diamantinense e escritor nas horas vagas, Joaquim Felício
dos Santos entra em contato com uma neta de Chica, da qual
trabalhou como advogado em seu processo de divórcio.
Fica sabendo da história da ex-escrava, a partir de
relatos de seus descendentes, daí escreve Memórias
do Destrito Diamantino, onde aparece uma Chica da Silva feia,
boçal e dominadora. “Foi no início do
séc. 20, com o movimento de valorização
turística e histórica de Diamantina, que ela
foi embelezada, embora sem qualquer base histórica”,
diz Júnia.
A historiadora esclarece que
essa construção de mitos fala mais do momento
em que está sendo escrito do que da época passada
em questão. O livro de Júnia é, então,
uma tentativa de resgatar vários aspectos do séc.
XVIII, a partir da pesquisa histórica da real Chica
da Silva. Ao desnudar o mito, Chica da Silva e o Contratador
de Diamantes pretende desmascarar essa idéia de que
o Brasil é uma democracia social e mostrar que as questões
raciais sempre foram tratadas de uma forma sutil. “A
história está aí para desmascarar e não
idolatrar ninguém”, adverte Júnia aos
propensos leitores, “quem se aventurar no meu livro
tem que ter o espírito aberto, pois a Chica da Silva
que vai encontrar não se parece nada com a Chica mitológica”.
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Fórum
Internacional
205 INSCRITOS EM FÓRUM INTERNACIONAL
DE ARTE CONTEMPORÂNEA
PROMOVIDO PELO PELO 35º FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG
11/07/03
Mariana Paulino
O Fórum Internacional de Arte Contemporânea
“Limites: Rupturas e Desdobramentos” tem
como objetivo refletir e discutir sobre as atuais fronteiras
artísticas e suas possíveis manifestações.
“A idéia é possibilitar uma grande discussão
a respeito da arte contemporânea, abrir espaço
para o novo, o conflito. Porque é a partir de um desequilíbrio
que se promove um movimento”, explica Fabrício
Fernandino, Coordenador Geral do Festival e mediador da palestra
de abertura do evento.
Até a tarde de 6ª feira, o setor de matrículas
do Festival já havia recebido 205 inscrições
para o Fórum. Pessoas que se interessam em novos conhecimentos
e em formar uma capacidade crítica autônoma,
coerente e participativa. “Espero que os elementos dados
nas palestras sejam um embrião para uma proposta de
ação criativa realmente focada na busca de novos
caminhos da criação e expressão”.
Para quem não vai a Diamantina participar do evento,
as palestras serão transmitidas ao vivo, através
do site www.ufmg.br, a partir de
domingo.
Haverá palestras nas áreas de projetos especiais,
artes cênicas, artes plásticas, música,
literatura e cultura e mídia arte. Entre os convidados,
professores da UFMG reconhecidos nacionalmente, como Rodrigo
Antônio de Paiva Duarte, Maria Angélica Melendi,
Mauro Rodrigues e César Guimarães. Doutor em
Literatura Comparada, César Guimarães vai falar
sobre “o lugar em que as artes estariam buscando certa
interrelação entre gêneros, buscando outra
vinculação”, a partir da análise
do filme Elogio de Amor, do francês Jean-Luc
Godard. “O cinema dele é uma forma expressiva
da contemporaneidade, com gestos fragmentários, entre
o romanesco (sem o romance) e o ensaístico. Polifórmico
e heterogêneo, cercado por relações intertextuais,
com a literatura francesa, com a Filosofia”, adianta
o professor do curso de Comunicação da UFMG.
Já Angélica Melendi, coordenadora do grupo
de estudos Arquivos Migratórios: Cicatrizes da
Memória, que pesquisa a relação
dos aqruivos e acrevos na arte contemporânea, vai trabalhar
as questões de arte e política, em um sentido
bem amplo, considerando a arte contemporânea na sociedade.
Ela explica que vai “abordar uma série de eventos
culturais na América Latina”. “Não
gosto muito da palavra ruptura. As mudanças se dão
por avanços e retornos”, completa.
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Eventos
PROGRAMAÇÃO DE FIM
DE SEMANA ESTÁ REPLETA DE ATRAÇÕES
11/07/03
Ana Fazito
O fim de semana promete ser movimentado
em Diamantina. Oito eventos com entrada franca marcam a
programação do Festival de Inverno, além
da abertura do Fórum Internacional de Arte Contemporânea,
que no domingo recebe o escritor Affonso Romano de Sant’Anna.
Sábado,
o Ars Nova - Coral da UFMG se apresenta às 19 horas
na Igreja Nossa Senhora do Amparo. As composições
inéditas do maestro do Coral e também compositor,
Carlos Alberto Pinto Fonseca, são o destaque do evento,
uma homenagem ao maestro que se despede depois de mais de
40 anos de dedicação ao grupo. “Depois
que entrei no Coral, dei uma face mais profissional e técnica
ao coro, que ficou conhecido internacionalmente. Conseguimos
alguns prêmios no exterior, o maior deles o Grand
Prix de melhor grupo a se apresentar em Atenas, em 2000”,
diz Carlos Alberto.
Ainda no sábado, a historiadora Júnia
Ferreira lança seu livro Chica da Silva e o Contratador
de Diamantes, na Casa Chica da Silva, às 20
horas. Ela desmonta o estereótipo de sensualidade
que acompanha a ex-escrava e mostra como se inseriu na sociedade
de Minas Gerais do século XVIII. Às 20h30
as musicistas Maria Luíza e Maria Eunice apresentam,
também na Igreja Nossa Senhora do Amparo, um duo
de piano e flauta. A Meia Ponta Cia. de Dança fecha
a programação do dia, com o espetáculo
Entre o Silêncio e a Palavra, às 21h30,
no Teatro Instituto Casa da Glória.
Domingo
é dia de ouvir Patrícia Ahmaral em Erudito,
na Igreja de Nossa Senhora do Rosário às 15h30.
A cantora, mais conhecida pela música popular, chega
a Diamantina acompanhada pelo pianista Mauro Chantal e com
um repertório que vai de Strauss a Villa Lobos. “Para
mim é uma surpresa estar nesta cidade, em uma apresentação
solo, já que há pouco tempo que me dedico
a música erudita”, diz Patrícia. Ela
esclarece que não está abandonando a música
popular. “Comecei a estudar música na UFMG
para melhorar minha performance como cantora e acabei me
apaixonando pela música erudita”.
A programação continua com
o Projeto Arte no Beco, no qual o professor Evandro
Passos ministra uma oficina de dança Afro, no Beco
do Alecrim, às 16h. Logo após, às 17
horas, a fotógrafa Beatriz Dantas apresenta sua mostra
Revisitando, no Museu Diamante.
Começando a desenvolver os temas
que serão discutidos nas oficinas e palestras do
segundo módulo do Festival, a abertura do Fórum
Internacional de Arte Contemporânea – Limites:
Rupturas e Desdobramentos será realizada no
Auditório da FAFEID às 18h de domingo. Arte
na Hora da Revisão é o nome da palestra
de Affonso Romano de Sant’Anna, Revisões
e Rupturas marca a participação de Olívio
Tavares de Araújo e A Arte Enquanto Ruptura e
os Desdobramentos Subseqüentes é o tema
da fala de Rodrigo Antônio de Paiva Duarte.
Revolución en Permanence and
Party é a apresentação da noite
de Domingo, às 21h30, no Teatro do Instituto Casa
da Glória. Resultado das experiências realizadas
no Projeto Feitoamãos – Faq, o espetáculo
apresenta simultaneamente projeções e manipulações
de vídeo e música ao vivo.
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Fórum Internacional
AFFONSO ROMANO DE
SANT'ANNA ABRE FÓRUM INTERNACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA
DO FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG, PROPONDO REVISÃO
MULTIDISCIPLINAR DA ARTE
11/07/03
A
palestra Arte na Hora da Revisão, do escritor
mineiro Affonso Romano de Sant’Anna (foto), é
uma das mais aguardadas dentro do Fórum Internacional
de Arte Contemporânea “Limites: Rupturas e Desdobramentos”,
na 35ª edição do Festival de Inverno
da UFMG. A palestra vai acontecer no próximo domingo,
às 18 horas, no Auditório
da FAFEID (Rua da Glória, 187. Diamantina).
Na mesma noite, a partir das 21 horas, na Livraria Diadorim
(Rua Campos Carvalho, 9), Affonso vai participar de noite
autógrafos.
Poeta e cronista, doutor pela Faculdade
de Letras da UFMG, Affonso recebeu quatro dos mais importantes
prêmios da literatura brasileira pela tese Carlos
Drummond de Andrade, o Poeta “Gauche”, no Tempo
e Espaço, publicada em 1972. Defensor da necessidade
de reavaliação da produção artística
contemporânea, segundo ele “está na hora
de colocar o bloco na rua”, referindo-se à
necessidade de articulação multidisciplinar,
que discuta a arte não apenas no âmbito da
crítica de arte, mas em perspectiva com outras áreas
da produção social.
O senhor poderia ressaltar
os principais pontos que o levam a declarar que está
na hora de certa revisão da arte?
Ao trazer uma saudável renovação,
a arte moderna trouxe também o germe da autodestruição.
A arte do século XX é na verdade um grande
cemitério, onde artistas se vangloriam de ter matado,
liquidado, esquartejado isto e aquilo. Fala-se de "morte
da história", "morte do homem", "morte
de Deus", quem sabe não chegamos à "morte
da morte"? Basta ver a reação de pessoas
sofisticadas, médias e da maioria dos artistas, diante
das exposições e bienais. Não é
apenas que elas não entendem. Os autores também
não têm o que explicar, a não ser um
blá-blá-blá que não resiste,
na maioria dos casos, a qualquer análise lógica,
epistemológica ou lingüística. O que
tenho mais ouvido nesses dois últimos anos, desde
que comecei uma série de artigos no Globo, é
as pessoas dizendo: "finalmente alguém falando
em alto e bom som que o rei está nu". Essa metáfora
tão recorrente é formulada por pessoas de
todas as camadas sociais, inclusive entre os artistas mais
autênticos e responsáveis. Por isto, acho que
se deveria parar para pensar mais fundo nisto. E por isto
proponho uma análise multidisciplinar da situação
das artes hoje. Sozinha, a crítica de arte não
dá conta da empreitada. Já fiz umas experiências
convocando antropólogos, psicanalistas, lingüistas,
gente de marketing, e o resultado foi positivo. E mais:
quanto mais pesquiso no exterior, mais descubro gente falando
e escrevendo o que eu penso. Está na hora de botar
o bloco na rua.
O poeta e crítico Ferreira
Gullar nega a idéia de evolução artística,
em que as vanguardas apresentar-se-iam como superiores às
escolas precedentes. Para Gullar, as rupturas são
importantes, mas não devem ser definitivas. O senhor
concorda com o ponto de vista do poeta?
Primeiro, vanguarda é uma coisa velha;
segundo, os vanguardistas têm uma visão autoritária
e errônea da história. A visão linear
e triunfalista é típica do século XIX.
Há aí resquícios de messianismo. As
vanguardas surgiram no terreno da utopia do século
XIX. A revisão que proponho visa a ver o século
XX de modo diferente, pois até agora tem sido um
apêndice do século XIX, que nos deu a psicanálise,
a arte moderna e o marxismo. Pois bem, a psicanálise
e o marxismo já entraram em processo de revisão.
Por que não fazer a revisão da arte moderna
advertindo logo que isto não tem nada a ver com reacionarismo
e conservadorismo, antes pelo contrário?
Como o senhor avalia o atual
cenário da produção cultural brasileira?
Isto já é assunto para outro
seminário. Mas existe uma constante que passa pela
análise das artes plásticas tanto quanto da
literatura e cinema. Querem que vivamos por conta do mercado
e marketing, querem que o homem seja "coisa",
"utility", e que as obras sejam "commodity".
Por isto, estou fazendo uma crítica ampla da cultura
e analisando o que chamo de anemia ética e estética.
Aí há que se correlacionar as artes com a
questão das drogas, da violência e a globalização.
O livro Desconstruir Duchamp, que sai no próximo
mês, trata de tudo isto. Reúne os meus textos
sobre artes e propõe uma nova visão analítica
da cultura hoje.
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Música
ESPECIALISTA EM
ELETROACÚSTICA É
UM DOS DESTAQUES DA ÁREA DE MÚSICA
10/07/03
Carlos Eduardo Freitas
A composição
eletroacústica é o tema da oficina ministrada
pelo professor da Unesp, Flo Menezes, de 14 a 18 de julho.
A música concreta, surgida em Paris, no final da
primeira metade do século XX, e a música eletrônica
alemã são precursoras do estilo: uma vertente
do erudito experimental composto em estúdio eletrônico,
que aceita todos os sons, até mesmo aqueles, aparentemente,
“não-musicais”.
A Composição
Eletroacústica Hoje – Espacialidade, Estruturação
e Aspectos Históricos pretende, em sua primeira
fase, analisar as obras do compositor Flo Menezes, quanto
aos procedimentos de tratamento, síntese e espacialização
dos sons. “O tratamento consiste em transformar sons
captados de quaisquer fontes, a síntese é
a sua geração a partir do computador e a espacialização”,
completa Flo, “é o controle de suas trajetórias
pela tecnologia digital”. Entretanto, os instrumentos
tradicionais também são alvo de seu trabalho.
“Estou convicto de que o instrumento acústico
continua válido se ele se alia aos recursos tecnológicos.
Ele se potencializa e pode servir ao pensamento musical
dos dias atuais.”
Na segunda etapa da oficina,
obras de outros músicos da segunda metade do século
XX, como Luciano Berio, falecido em 27 de maio deste ano,
Iannis Xenakis, compositor grego, que viveu na França
até sua morte e K. Stockhausen, professor de música
na Alemanha, formam o objeto de estudo.
“Ao ampliar os conhecimentos
teóricos e de repertório da composição
eletroacústica, pretendo propiciar uma experiência
radical e diferente do que se costuma ouvir”, garante
Flo.
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Exposição
FESTIVAIS DE INVERNO SÃO REVISITADOS
POR BEATRIZ DANTAS
10/07/03
Ana Fazito
A fotógrafa e professora da Escola
de Belas Artes da UFMG Beatriz Dantas tem, a partir de domingo
próximo, seus trabalhos expostos em Diamantina. A exposição,
intitulada Revisitando, retrata, em 16 fotografias,
três cidades que já acolheram o Festival de Inverno
em momentos diferentes: São João del-Rey, na
década de 80, Ouro Preto, nos anos 90 e Diamantina,
em 2000, quando a fotógrafa participou
como coordenadora da área de Artes Visuais.
Revisitando traz uma São João
del-Rey em preto e branco com fotos que foram tiradas durante
o festival, mas não necessariamente sobre o mesmo.
“O tema principal são os detalhes da arquitetura
do prédio da Fundação de Ensino Superior
de São João Del Rey (Funrei) e as pessoas que
lá passavam”, diz Beatriz. Em Ouro Preto, as
fotos foram feitas após o festival e havia uma preocupação
com o clima emocional da cidade. Nessa série, segundo
a fotógrafa, já existe uma interferência
de cores. Já os trabalhos sobre Diamantina são
coloridos e falam da paisagem da região, “há
neles uma atenção maior com o brilho, a luz”.
De acordo com Beatriz, o Festival de Inverno
está presente de uma forma sutil em seus trabalhos,
ele entra com a questão conceitual. Para ela as fotos
refletem as discussões na área de artes visuais
que aconteceram sobre cidades. “A idéia de revisitar
é essa, rever a cidade depois dos acontecimentos do
festival”, conclui.
Os trabalhos de Beatriz foram pós-visualizados,
ou seja, receberam um tratamento no laboratório e,
no caso de Ouro Preto e Diamantina, esse tratamento foi digital.
Ela contou com o auxílio de Marcelo Kraiser no processo
e as fotos foram impressas no Centro Fotográfico, em
Belo Horizonte.
Exposição Revisitando
– Fotografias de Beatriz Dantas
Local: Museu do Diamante (Rua Direita, 14.
Diamantina)
Visitação: 15 a 25 de julho,
de 3ª a Sábado, de 12h às 17h e Domingo,
de 9h às 12 h.
Entrada franca
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Dança
ESPETÁCULO
DE DANÇA MOSTRA A PRESENÇA FEMININA NA HISTÓRIA
10/07/03
Ana Fazito
Entre
o Silêncio e a Palavra é o nome do espetáculo
da Meia Ponta Cia. de Dança, de Belo Horizonte, atração
do Festival nesse fim de semana. Mais do que revisitar o universo
feminino na história, o espetáculo utiliza da
dança contemporânea, alinhada a elementos de
multimídia, para falar de um conjunto de crenças
que cercaram e ainda cercam as mulheres ao longo dos tempos.
De um modo não panfletário,
segundo Vinícius Resende, assessor de imprensa da Companhia,
Entre o Silêncio e a Palavra resgata imagens
de figuras femininas que marcaram a história. “O
espetáculo não recupera somente a imagem de
mulheres famosas que de alguma forma fizeram época;
é um retrato também das donas-de-casa, das mulheres
simples”, fala Vinícius.
Com direção artística
de Juliana Grillo e Marisa Monadjemi e coreografia de Tuca
Pinheiro, no espetáculo os bailarinos dançam
em sintonia com um vídeo projetado na tela, produzido
pelo designer Leandro HBL. A trilha sonora original é
do músico pernambucano Kiko Klaus.
Criada há quatorze anos pelas bailarinas
Marisa Monadjemi e Juliana Grillo, a Meia Ponta Cia. de Dança
tem cinco espetáculos profissionais já montados
e a experiência de inúmeras apresentações
no Brasil e no exterior, tais como na ECO 92, no Rio de Janeiro,
e na Mostra Internacional de Dança Contemporânea
de Laussanne, na Suíça.
Entre o Silêncio e a Palavra
– Espetáculo da Meia Ponta Cia. De Dança
Data: 12 de julho – Sábado
Horário: 21h30
Local: Teatro do Instituto Casa da Glória
– Rua da Glória, 298. Centro. Diamantina
Entrada franca mediante doação
de agasalho ou alimento não-perecível na bilheteria
do Instotuto Casa da Glória, no dia do espetáculo,
às 13 horas.
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Curso
09/07
OFICINA SENSIBILIZA
OLHAR PARA PATRIMÔNIO EM DIAMANTINA
O
que significa, para uma cidade como Diamantina, ser patrimônio
nacional e da humanidade? Esse é um dos questionamentos
que envolvem o curso Memória e Patrimônio:
Experimentações do Olhar, ministrado
pela professora da UFMG e historiadora Regina Helena Alves,
que acontece até 6ª feira.
Com dinâmicas que propõem
diferentes formas de perceber Diamantina, os alunos começaram
saindo às ruas como turistas, tirando fotos e passeando
como se fossem simples observadores dos pontos turísticos
da cidade. A mudança do papel desses observadores
no decorrer dos dias é, segundo Helena, uma forma
de aprender a olhar, cheirar, apalpar, ou seja, compartilhar
sentidos e entender o patrimônio histórico
e cultural como não só edificado, material,
mas que abranja também manifestações
imateriais, culturais. “Aqui no Brasil quem define
o que é patrimônio são os especialistas,
mas precisamos discutir um sentido que possa ser compartilhado
pelo poder público, pelas pessoas envolvidas, por
toda humanidade”, diz a professora. Ela acrescenta
que esse trabalho é uma tentativa de fazer com que
Diamantina não se torne uma Ouro Preto, “todo
mundo sabe onde fica, o que é, mas ninguém
cuida, o uso é comercial e não de vivência”.
Helena comenta que “o homem tem direito à exercer
sua criatividade cultural. Temos que criar políticas
públicas para a preservação dela, de
uma forma que não seja imposta”.
Para os alunos, a maioria estudantes
universitários ou profissionais da área de
Turismo, Patrimônio e Cultura, o curso é uma
oportunidade de se abrir aos poucos o olhar. A aluna Sheila
Geber afirma que já começa a perceber o patrimônio
de uma forma não leiga, o que a possibilita exercer
melhor sua função de preservação
do mesmo.
O trabalho final da oficina
deverá ser uma cartografia de sentidos de Diamantina,
onde cada dupla de alunos escolhe um espaço da cidade
para estudar os significados desse patrimônio para
os outros e para eles. A intenção de Helena
é apresentar o resultado desse laboratório
a céu aberto em uma exposição na mostra
do Festival de Inverno, em Belo Horizonte, ao final deste
ano. (Ana Fazito)
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PAISAGEM SUBMERSA
PRESERVA AS HISTÓRIAS
DE UMA REGIÃO QUE VAI DEIXAR DE EXISTIR
A
vida nos povoados compreendidos entre os municípios
de Berilo e Grão Mogol, no Vale do Jequitinhonha, que
serão inundados pela Hidrelétrica de Irapé,
despertou o interesse de três fotógrafos mineiros
– João Castilho, Pedro Davi e Pedro Motta –
e se tornou o tema do projeto Paisagem Submersa. O trabalho
consiste em uma série de ensaios autorais que estão
sendo realizados nas viagens dos três fotógrafos
à região. Parte desse trabalho está na
exposição de mesmo nome, que acontece na Galeria
da Secretaria Municipal de Cultura, em Diamantina, entre 10
e 25 de julho.
Na mostra-instalação,
cerca de 300 slides diferentes são projetados, em várias
direções, no porão da Casa de Cultura,
em um ambiente totalmente
escuro, que contrasta com a luz das imagens. O objetivo de
Paisagem Submersa é captar o universo simbólico
e material de um povo com 300 anos de história e documentar
todo o processo de mudança das áreas atingidas,
a desapropriação das terras e a reorganização
das famílias. “A relação com o
rio Jequitinhonha, a rotina dos habitantes e a perda da relação
com o espaço são apreensões do real,
documentadas em nosso trabalho”, afirma João
Castilho.
A hidrelétrica já
estará pronta e os povoados já terão
desaparecido em 2006, ano em que o projeto será finalizado
com o lançamento de um livro de fotografias e uma grande
exposição. “Pretendemos que nosso trabalho
chegue a escolas, bibliotecas, museus e às prefeituras
da região atingida pelas águas do rio. Dessa
forma, uma parte importante da História daquela região
repleta de manifestações populares, artísticas
e culturais estará disponível para as próximas
gerações”, finaliza João. (Carlos
Eduardo Freitas)
Exposição
Paisagem Submersa
Local: Galeria da Secretaria Municipal de
Cultura e Turismo – Rua Antônio Eulálio,
53. Centro. Diamantina
Visitação: de 10 a 25 de julho,
de 9h às 18h
Entrada franca
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SEIS OLHARES
SOBRE O PARQUE ESTADUAL DO RIO PRETO
O
Museu do Diamante recebe, entre 7 e 11 de julho, a exposição
Esculturas de Luz, uma produção do ateliê
de escultura da Escola
de Belas-Artes da UFMG (EBA). A exposição, coordenada
pelo professor Fabrício Fernandino, é resultado
de um trabalho iniciado em setembro de 2002 e conta com 30
fotografias produzidas por cinco alunos de escultura da EBA
e pelo próprio professor.
A mostra adotou o Parque Estadual
do Rio Preto, localizado a 60 km de Diamantina, como cenário
para as impressões fotográficas. Escolhemos
o cenário natural, pois lá encontramos esculturas
prontas, formadas por luz, sombra e matéria, capazes
de silenciar o espírito e educar o olhar, afirma
Fabrício.
O título da exposição
remete à necessidade da luz para imprimir as imagens
na película fotográfica e à sua imprescindível
presença para a obtenção da tridimensionalidade
nas esculturas naturais. Os visitantes poderão apreciar
trabalhos que apreendem com maestria a rara beleza do Parque
Estadual do Rio Preto e ampliar os conceitos tradicionais
sobre escultura. (Carlos Eduardo Freitas)
Local: Museu do Diamante,
à Rua Direita, n° 14, Diamantina.
Visitação: 7 a 11 de julho, de 12h às
17h.
Entrada franca.
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Teatro
07/07/03
A IMPLACÁVEL
DEGRADAÇÃO HUMANA EM JB
A
proposta de mostrar uma visão da degradação
humana como resultado de suas próprias criações
permite discutir a problemática contemporânea.
Buscamos discutir as possibilidades contemporâneas,
avançando no que se refere à interpretação
e à montagem, para mostrar como a degradação
material leva à aniquilação humana,
explica o diretor, Fabrício Andrade, comparando o trabalho
do grupo ao tema da 35ª edição do Festival.
A nossa criação coletiva toma a contemporaneidade
como abertura para a exploração da corporalidade
da emoção, através de várias técnicas,
completa.
Na peça, ganhadora
do prêmio Pulitzer na categoria drama em 1957, JB
é um capitalista que perde tudo, como no arquétipo
bíblico, dos bens materiais à própria
família, e vai da degradação material
à humana. Com cenário e figurinos minimalistas,
sua força está na interpretação
do ator. A estrutura épica permite várias
formas de adaptação. Optamos por uma montagem
direta, que valoriza o ator e o contato com o público,
conta Fabrício.
Em JB são trabalhados,
analogamente, o distanciamento (crítico) e a ilusão
(acrítica). O espetáculo busca a quebra de catarses
na relação com o espectador e confere novos
significados a pilares universais da sociedade, como valores,
família e religiosidade. (Mariana Paulino)
JB Espetáculo
dos formandos do Curso de Formação de Atores
do TU/UFMG
Dias: 7, 8 e 9 de julho
Horário: 20h30
Local: Teatro do Instituto Casa da Glória
Rua da Glória, 298. Diamantina.
Entrada franca os ingressos devem ser retirados
na bilheteria do local, no dia do espetáculo, às
13 horas.
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Festival
23/06/03
ABERTAS
AS INSCRIÇÕES PARA SEMINÁRIOS, CURSOS
E OFICINAS
Estão abertas as inscrições
ao 35º Festival de Inverno da UFMG, o mais tradicional
evento universitário na área da cultura no país.
Tendo adotado este ano um formato modulado, com as atividades
divididas em três semanas, o Festival está recebendo
inscrições também por módulos.
As matrículas para as atividades da segunda semana
terminam no dia 9 de julho e para a terceira, no dia 16 de
julho.
O Festival de Inverno é um compromisso da UFMG
tem com a cultura brasileira, que nunca deixamos de cumprir
integralmente, mesmo nas ocasiões mais difíceis,
como a que estamos atravessando agora. A despeito de a Universidade
não dispor de recursos orçamentários
para financiar o evento, nele empenhamos alguns de nossos
melhores capitais humanos e de infra-estrutura, condição
que tem sido indispensável para assegurar o seu êxito
a cada nova edição, disse a reitora Ana
Lúcia Gazzola.
Este ano, contudo, o Festival aparece de cara nova, com um
formato adequado tanto às demandas contemporâneas
quanto às restrições financeiras impostas
nos últimos tempos à cultura em nosso país.
Não há como fugir a certas limitações,
como as dificuldades financeiras para a realização
de um evento dessa magnitude, orçado este ano em R$
550 mil - dinheiro que ainda estamos tentando captar integralmente,
disse diretor de Ação Cultural da UFMG e coordenador-geral
do Festival, Fabrício Fernandino.
Contemporaneidade
O projeto do 35º Festival de Inverno da UFMG se estruturou
em torno do tema Limites: rupturas e desdobramentos, "privilegiando
a experimentação e a busca por linguagens que
inovem a expressão e a criatividade", explica
o coordenador-geral. Ele está organizado em módulos
semanais, absolutamente independentes. A abertura acontece
no dia 6 de julho, um domingo, seguindo-se o restante da programação
nas três semanas subseqüentes, durante as quais
acontecerão um fórum internacional, dois cursos,
27 oficinas e 25 palestras, além de uma programação
variada de eventos artísticos.
A primeira semana será dedicada a quatro atividades
principais: o seminário Ações sobre o
meio ambiente e turismo sustentável, destinado a profissionais
ligados ao turismo e meio ambiente, estudantes das áreas
de arte, turismo e geociências, além de outros
interessados, que também poderão se inscrever
na oficina Ecoturismo/turismo na natureza.
Ainda nesta primeira semana acontece o curso Memória
e patrimônio: experimentações do olhar,
que tem apoio da diretoria da Unesco no Brasil. Finalmente,
integram a programação da primeira semana o
seminário Gestão cultural e o curso de atualização
Legislação cultural, marketing cultural e captação
de recursos.
Fórum internacional
Na segunda semana vai acontecer o fórum internacional
de arte contemporânea Limites: rupturas e desdobramentos,
eixo conceitual de todo o 35º Festival de Inverno da
UFMG, durante o qual as atividades de desdobrarão em
cinco áreas temáticas e em uma área de
projetos especiais, com três palestras diárias
e a realização de 16 oficinas a cargo de convidados
do país do exterior.
A terceira semana será ocupada pelo evento Jornada
do futuro, destinada ao público formado por crianças
e adolescentes de sete a 14 anos da cidade de Diamantina e
arredores, prioritariamente alunos da rede pública
de ensino. "Esse projeto incorpora a preocupação
de promover a inclusão social, através das oportunidades
oferecidas pela prática artística", explica
Fabrício Fernandino. Serão realizadas dez oficinas,
ministradas por professores e profissionais da região.
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