
Período da residência: 02 de março a 31 de dezembro de 2026
Departamento de Instrumentos e Canto – Escola de Música da UFMG
Flávio Terrigno Barbeitas é Bacharel em Música (violão) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), Mestre em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995) e Doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais e Università di Bologna (2007). Desde 1996 é docente na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, atualmente nos níveis de Graduação e Pós-graduação (Mestrado e Doutorado). Além de atividades musicais como violonista, dedica-se a aspectos teóricos da música com pesquisas em dois eixos principais: 1) a música na relação geral com a cultura brasileira e com os processos de construção e desconstrução da identidade nacional (desdobramentos da dissertação de Mestrado: Circularidade cultural e nacionalismo nas Doze valsas para violão de Francisco Mignone); 2) a música na relação com outras artes, principalmente a Literatura, a partir de temas como Música e Representação, Música e Linguagem (desdobramentos da tese de Doutorado: A música habita a linguagem: teoria da música e noção de musicalidade na poesia).
RESSONÂNCIAS DO SABER MUSICAL PARA ALÉM DE SUA “ÁREA ACADÊMICA”: REDES, COMPLEXIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE
A partir de uma abordagem teórico-reflexiva e comparativa, a pesquisa examinará as condições históricas e epistemológicas da configuração (ultra)disciplinar dos cursos superiores de música, buscando preliminarmente descrever a associação de humanos e não-humanos que um curso de música típico estabelece. A hipótese inicial é que o predomínio de paradigmas simplificadores — herdados tanto da mentalidade conservatorial quanto do modelo científico moderno — produziu uma visão restrita, fechada e autorreferente da música, em desacordo com sua natureza complexa e relacional. Com o projeto, espera-se, de um lado, avançar na crítica à configuração disciplinar do conhecimento de um modo geral, utilizando o “caso” da música como base de reflexão para o questionamento da conformação do discurso técnico-científico assumido como padrão pela universidade; de outro, formular princípios para uma reconfiguração transdisciplinar da formação musical superior, capaz de articular as dimensões artística, científica e pedagógica em uma ecologia de saberes mais respeitosa das potencialidades das práticas musicais.