Unidade Embrapii da UFMG firma acordo com Hemobrás para desenvolvimento de tratamento contra a hemofilia
Terapia vai melhorar a qualidade de vida de hemofílicos; doença atinge mais de 14 mil brasileiros, segundo o Ministério da Saúde
Por Luana Macieira
A hemofilia é uma doença rara causada pela falta de um dos fatores de coagulação no sangue, o que leva a sangramentos constantes. A Unidade Embrapii Inovação de Fármacos e Vacinas (FarmaVax) da UFMG, a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) assinaram um convênio para pesquisa e desenvolvimento de um novo tratamento contra a doença. Trata-se de uma terapia de RNA para reposição de proteínas que têm papel importante na coagulação do sangue. O acordo foi assinado em São Paulo na última sexta-feira, 2 de outubro, pelo reitor Alessandro Fernandes Moreira, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e por gestores da Hemobrás e da FarmaVax.
O professor Pedro Pires Goulart Guimarães, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e pesquisador da FarmaVax, explica que o grupo vai desenvolver uma tecnologia que estimula o organismo dos hemofílicos a gerar uma proteína que o corpo do indivíduo não produz ou produz em pouca quantidade.
“Essas proteínas são importantes para a coagulação do sangue. Os hemofílicos não a produzem ou a produzem em quantidade que não é suficiente para a boa coagulação. Na pesquisa, vamos colocar um RNA ou DNA que estimule a produção dessa proteína, para que as células do corpo da pessoa voltem a produzi-la. O ineditismo do trabalho reside no fato de que ainda não existe nenhuma terapia para o tratamento da doença que estimule a produção dessas proteínas”, diz Goulart.
A equipe de pesquisadores da UFMG foi contratada pela Hemobrás, via Embrapii, para desenvolver a tecnologia. O projeto tem investimento de R$ 5 milhões e vigência de 36 meses. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6 milhão pela Embrapii e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.
Transferência de tecnologia
A Unidade Embrapii Inovação de Fármacos e Vacinas (FarmaVax) é coordenada pelo professor Rubén Darío Sinisterra, do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG. O projeto ocorre no âmbito do CT Terapias Avançadas, liderado pelo professor Mauro Teixeira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB. Também participam do projeto a professora Santuza Maria Ribeiro Teixeira, do mesmo departamento, e pesquisadores de pós-graduação.
O grupo de pesquisadores já tem expertise para o uso de RNA no desenvolvimento de terapias e vacinas. No caso específico da hemofilia, o professor Pedro Goulart afirma que o novo tratamento vai ajudar os pacientes a terem uma melhor qualidade de vida. Segundo ele, a parceria entre Embrapii e Hemobrás funciona como um mecanismo de aproximação entre universidade e setor produtivo, conectando pessoas e estimulando o desenvolvimento tecnológico.
“Se você restabelece a proteína no organismo desses pacientes, eles passam a ter uma vida normal. Esse trabalho representa a validação do conhecimento que é gerado na universidade, pois transforma esse conhecimento em processos e produtos, transpondo a tecnologia do ambiente acadêmico para a indústria. Essa é a importância da universidade pública e da pesquisa”, conclui.
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Reduzindo a dependência externa
A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) é uma estatal com 100% do capital social pertencente ao Governo Federal. Empresa pública da administração indireta, vinculada ao Ministério da Saúde (MS), tem a atribuição de garantir aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) o fornecimento de medicamentos derivados do sangue e/ou obtidos por meio de engenharia genética.
A Hemobrás trabalha para reduzir a dependência externa do Brasil no setor de derivados do sangue e biofármacos, ampliando o acesso da população a medicamentos essenciais à vida de milhares de pessoas com hemofilia, além de pacientes de imunodeficiências primárias ou erros inatos do sistema imune, queimaduras graves, aids, câncer, entre outras doenças.
A fábrica de hemoderivados está localizada no município de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O empreendimento tem17 prédios, distribuídos em 48 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 25 hectares. Vizinha à planta de hemoderivados, está instalada a fábrica de medicamentos produzidos por biotecnologia, responsável pela produção do Fator VIII Recombinante (Hemo-8R), medicamento destinado ao tratamento da hemofilia A no Brasil. O Hemo-8r, como é conhecido, é fornecido para o SUS e atende a 100% da demanda brasileira.
A FarmaVax é uma unidade Embrapii que engloba quatro centros institucionais de tecnologia e inovação da UFMG: Medicina Molecular, Nanobiomateriais, Terapias Avançadas e Inovadoras e Vacinas. Sua missão é atender às demandas de pesquisa, desenvolvimento e inovação das empresas dos setores de fármacos, radiofármacos, biofármacos e vacinas.
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