Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisa avalia contribuição das escolas para aprovação no Vestibular da UFMG

segunda-feira, 2 de agosto de 2004, às 10h43

O valor pedagógico que as escolas agregam à formação dos seus alunos pode alterar, positiva ou negativamente, o desempenho destes em concursos como o vestibular. Pesquisa realizada pelo professor Mauro Braga, coordenador do Centro de Estudos Sobre Educação Superior e Políticas Públicas (Cespe), da UFMG, com base em dados do Vestibular 2003, demonstra que algumas escolas potencializaram a capacidade de aprovação de seus alunos.

Embora o item de maior peso no desempenho dos candidatos seja a sua condição socioeconômica – denominado na pesquisa Fator Socioeconômico (FSE) –, o trabalho pedagógico da escola é capaz de ampliar significativamente a possibilidade de aprovação, mesmo dos alunos que têm baixo índice de FSE. O indicador combina aspectos da trajetória escolar com o padrão de renda familiar, o nível de instrução e o tipo de profissão dos pais. "A escala FSE varia de zero a dez e, quanto maior o seu valor, melhor a condição socioeconômica do estudante", explica Mauro Braga. Ele afirma que a chance de aprovação cresce exponencialmente com a condição socioeconômica, sendo cerca de sete vezes maior para o estudante com FSE 10 do que para o estudante com FSE zero.

Segundo o pesquisador, ao avaliar a contribuição de uma escola para que um estudante chegue à universidade "é preciso separar esta da contribuição do ambiente social em que foi criado". A pesquisa mostrou que os grupos de escola de ensino médio que mais contribuíram para aprovação de seus alunos no vestibular daquele ano foram as federais, as confessionais e as técnicas. As nove escolas que obtiveram melhor resultado foram classificadas por Mauro Braga como de desempenho Muito Acima do Esperado, ou Macesp. No grupo de desempenho Acima do Esperado (Acesp) estão outras nove instituições.

Por outro lado, há escolas que não agregaram valor pedagógico significativo ao desempenho de seus alunos, o que pode ser observado pela pequena diferença entre os índices de aprovação esperado e real. A pesquisa indica que 43% das escolas observadas tiveram desempenho Abaixo do esperado (Abesp); 34% Dentro do esperado (Esp); 8% Acima do esperado (Acesp); 8% Muito acima do esperado (Macesp), e 5% Muito abaixo do esperado (Mabesp).

Foram analisados apenas resultados das escolas do ensino médio que tiveram pelo menos cem estudantes inscritos no Vestibular UFMG 2003. Incluir colégios que inscreveram pequeno número de estudantes levaria a resultados com significado estatístico de difícil interpretação. Cursinhos não foram analisados.

Mauro Braga ressalta que o estudo restringe-se ao desempenho dos estudantes no Vestibular da UFMG, e não abrange concursos de outras instituições. "Além disso, as escolas não têm por objetivo apenas capacitar seus alunos para o Vestibular da UFMG", reitera.

Confira as tabelas da pesquisa junto à íntegra do texto escrito pelo professor Mauro Braga.

Leia entrevista com o professor Mauro Braga:

"A pesquisa não é um ranking de escolas"
Autor da pesquisa sobre o desempenho das escolas, o professor Mauro Mendes Braga explica, na entrevista abaixo, que o estudo não busca classificar a qualidade do ensino das instituições citadas. "A Universidade não possui interesse nem condições de fazer qualquer tipo de ranking de escolas. Acredito, apenas, que sirva como fonte de informação para a sociedade", declara o professor.

A pesquisa pode ser considerada um ranking?
Não, a Universidade não possui interesse nem condições de fazer qualquer tipo de ranking de escolas. Desejamos, apenas, informar a sociedade sobre o desempenho das escolas que mais inscrevem estudantes no Vestibular da UFMG. A idéia é só essa.

Que valor têm os resultados do estudo para as escolas e os estudantes?
Acredito que a pesquisa sirva como fonte de informação, da qual a sociedade pode fazer uso diversificado. Verificamos o fato de que algumas escolas tiveram desempenho de destaque em aprovação no Vestibular da UFMG em 2003. Se isso aumentará ou não a procura por essas escolas, sejam elas públicas ou privadas, não sabemos. A pesquisa apenas buscou a informação para que a sociedade a conheça e use como achar melhor.

A pesquisa evidencia a qualidade do ensino nessas escolas?
A qualidade de uma escola tem a ver com um processo amplo de formação de seu estudante, que envolve a possibilidade de dar competência para enfrentar exames e prosseguir nos estudos. Mas também diz respeito a outro tipo de formação, relativa ao campo das habilidades, dos valores morais, éticos. Enfim, padrões de valor que as famílias gostariam que seus filhos seguissem. Portanto, nem de longe há interesse nosso em dizer que as informações da pesquisa referem-se à qualidade das escolas. Afinal, tal avaliação seria muito mais complexa, e dependeria de escolhas e parâmetros variados. Há vários conceitos de qualidade, que dependem dos valores que se leva em conta para avaliá-los. O propósito de nossa pesquisa é bastante singelo. Buscamos apenas avaliar, dentre as escolas que inscrevem muitos estudantes no Vestibular da UFMG, como é que seus estudantes se comportam em relação a este concurso, se são aprovados ou não.

O senhor pretende realizar a pesquisa com dados de outras edições do Vestibular?
Fizemos um estudo específico com as informações de 2003, ainda que, a princípio, tenhamos a intenção de realizar esse tipo de trabalho com os concursos subseqüentes. A idéia é que, daqui a cerca de seis meses, tenhamos a mesma informação com os números do concurso 2004 e, no ano que vem, com os do Vestibular 2005. Coletada uma série histórica, teremos melhores referências para saber como é o desempenho dos estudantes de uma determinada escola no Vestibular da UFMG.

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