Eduardo Duarte lança Literatura, política, identidades

quinta-feira, 6 de outubro de 2005, às 11h03

As relações entre escritores brasileiros e o ideal socialista nos tempos áureos da União Soviética, bem como a expressão literária de demandas específicas de segmentos politicamente minoritários, como mulheres e negros, constituem o fio condutor de Literatura, política, identidades., livro de ensaios de Eduardo de Assis Duarte, professor da Faculdade de Letras da UFMG. A obra será lançada nesta quinta-feira, 6, a partir de 19h30, em noite de autógrafos na Livraria Dom Quixote (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi).

Interfaces
O foco principal de Literatura, política, identidades contempla as interfaces entre a produção literária e as demandas sociais e políticas vigentes na cultura moderna e na literatura brasileira em especial, sobretudo no século 20. Em sua primeira parte – Sendas da utopia – o texto aborda a obra de escritores comprometidos com o ideal socialista, que tantas esperanças despertou entre os intelectuais engajados, tais como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade e Patrícia Galvão.

Há também um artigo sobre O banquete, de Mário de Andrade, que o autor modernista publicou em folhetins pouco antes de morrer, onde discute as relações entre arte e sociedade no mundo moderno. Já na segunda parte – Outras políticas da éscrita – Duarte focaliza questões de teoria e história literárias, bem como obras voltadas para a expressão das chamadas "minorias", tais como mulheres e negros.

Além de Rachel de Queiroz, este segmento estuda autores afro-descendentes pouco conhecidos, como Maria Firmina dos Reis e Lino Guedes. Ao final, o livro apresenta uma abordagem do romance Cidade de Deus, de Paulo Lins, lendo-o como uma espécie de Grande sertão: veredas das classes populares.

Vertente marxista
Na orelha do livro, Eneida Maria de Souza afirma que "a linha condutora da pesquisa de Eduardo de Assis Duarte, iniciada com a obra de Jacques Derrida, tem continuidade com a vertente marxista presente em vários escritores da década de 1930 e se atualiza na ênfase relativa às políticas de gênero e de etnias".

"Encontros literários e políticos entre escritores, como Neruda e Jorge Amado, o enlace entre antropofagia e marxismo, as redefinições de gênero em obras clássicas brasileiras, assim como as relações entre imprensa e folhetim negro, literatura e afro-descendência concorrem para nova leitura da historiografia literária no Brasil", finaliza Eneida.

O autor
Eduardo de Assis Duarte é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP e pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade (Neia) da UFMG. Publicou Jorge Amado: romance em tempo de utopia (1996) e organizou os volumes de ensaios 70 anos de modernismo (1994) e Graciliano revisitado (1995).

É ainda co-organizador de Múltiplo Mário: ensaios (1997); Gênero e representação: teoria, história e crítica (2002); Gênero e representação na literatura brasileira (2002); e Poéticas da diversidade (2002). Em 2004, trouxe a público a quarta edição de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, primeiro romance brasileiro escrito por uma afro-descendente.

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