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A máquina de protestos: projeto leva alunos à Inglaterra

Alunos da UFMG participam do Festival de Arquitetura de Londres

sexta-feira, 20 de junho de 2008, às 8h08

Alunos do 8º período da Escola de Arquitetura da UFMG viajam a Londres, com passagens e hospedagem pagas, para expor o trabalho “Dispositivo Espacial de Protesto” no pavilhão dedicado ao Brasil do Festival de Arquitetura, que começa hoje e vai até 20 de julho. Os estudantes venceram outras equipes brasileiras no desafio de propor um espaço de manifestações em Brasília. O trabalho vencedor é uma máquina gigante em formato de broca que perfura o solo e é movida pela energia dos gritos dos manifestantes que estão dentro dela. Os autores são Daniele Mendes, Igor Bernardes e Ligia Pinto, orientados pela professora Júlia Miranda.

O paradoxo de se pensar em um espaço de protestos em Brasília gerou a idéia. “Na verdade, não há como se projetar um lugar que determina onde as pessoas devem se manifestar. O protesto é, por natureza, imprevisível. Demarcar um lugar assim é uma contradição. Por isso, recorremos à abstração”, explica Lígia Pinto.

A função do dispositivo seria transportar os manifestantes para o espaço subterrâneo. Ele assume o formato de uma broca, que perfura o solo em movimentos calculados pela medida “rpm” (“re-voltas por minuto”). E o combustível da máquina seria a energia sonora gerada pelos gritos dos manifestantes. Para o grupo, “esta é uma metáfora que significa levar o protesto e a manifestação para um “não-lugar”, ou seja, o lugar negativo, que está afastado da lógica de tudo aquilo contra o que se está protestando”.

Versatilidade
Para a professora Juliana Torres de Miranda, coordenadora do concurso na UFMG, que envolveu 17 equipes, o projeto vencedor estava de acordo com o que foi proposto. “A idéia do concurso era instigar os alunos a pensar em uma arquitetura experimental e investigativa. Esperávamos trabalhos inventivos e, ao mesmo tempo, com postura crítica”, ela diz. O concurso teve ainda participantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Três grupos da UFMG foram pré-selecionados em duas etapas por um grupo de professores da própria Escola de Arquitetura, e seus trabalhos foram enviados a Londres.

Júlia Miranda destaca ainda a visibilidade internacional conquistada pela UFMG e os benefícios gerados pelo processo de discussão e motivação que envolveu alunos e professores. “O resultado final mostrou a versatilidade de nossos alunos, que se mostraram prontos também para uma missão pouco comum, de característica conceitual e combinada com outras áreas do saber”, ela afirma.


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