Filipe Chaves
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A versão traduzida por Jacyntho é a primeira em português brasileiro

Obra traduzida por Jacyntho Brandão é lançada em Belo Horizonte e Ouro Preto

quarta-feira, 15 de abril de 2009, às 9h47

A tradução do texto Como se deve escrever a história realizada pelo professor e diretor da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG, Jacyntho Lins Brandão, será lançada em Belo Horizonte e Ouro Preto.

Escrito por Luciano de Samósata no século 2, Como se deve escrever a história é o único texto antigo sobre o tema que chegou até os dias de hoje. A versão traduzida por Jacyntho Brandão é a primeira em português brasileiro. O original em grego só contava com traduções feitas em Portugal no século 18.

O livro, publicado pela Tessitura Editora, apresenta ainda ensaio sobre as diferentes interpretações e traduções que o texto recebeu ao longo da história, também de autoria de Jacyntho Brandão.

O lançamento em Ouro Preto acontece hoje, dia 15 de abril, às 20h, na livraria UFMG – Casa de Gonzaga (rua Cláudio Manuel, 61, Centro). Em Belo Horizonte, será realizado no próximo domingo, 18 de abril, às 11h, na Quixote Livraria e Café (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi).

Como escrever a história
Nascido sírio, nas bordas do Império Romano, e com formação grega, Luciano de Samósata foi um escritor satírico, que produziu de diversos gêneros de ficção a temas como filosofia e medicina. Foi muito criticado (chamado de gozador e falsário, entre outros adjetivos), mas nunca deixou de ser lido, porque a qualidade de sua escrita era reconhecida. No Ocidente, sua obra foi resgatada no Renascimento, na esteira do interesse pelos estudos da língua e da cultura gregas. “Luciano foi um dos primeiros autores traduzidos, e Como se deve escrever a história tornou-se um manual sobre o assunto”, conta Jacyntho Brandão, que é professor de Língua e Literatura Grega.

Na primeira parte do texto, Luciano de Samósata dedica-se à crítica dos historiadores que contavam a história com base no elogio ao Império Romano, civilizado, em luta contra a barbárie. “A partir de determinado ponto é que a obra ganha característica de tratado, com aplicação universal”, conta o professor da Fale. “O início é na verdade um panfleto, porque Luciano critica o poderio de Roma ao condenar a forma com que o Império é elogiado.”

Quando ensina a escrever história, o autor prega o que chama de “história justa”, marcada pela falta de compromisso com outros interesses. Esse modelo seria encarnado – solitariamente, segundo Luciano – por Tucídides, cronista da guerra do Peloponeso, no século 5 a.C. Jacintho explica que Tucídides tinha outra qualidade recomendada por Luciano: escrever bem. “Ele criticava os historiadores que escreviam como poetas e exageravam os fatos, mas não admitia linguagem vulgar. Preconizava um estilo médio, culto mas inteligível”, completa Jacyntho Brandão.

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