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Obituário

Missa de sétimo dia da professora Lená Cervinho de Assis, do CP, será nesta quinta, 12 de março

Docente do antigo Colégio de Aplicação da UFMG e primeira mulher a se graduar em Ciências Sociais em Minas Gerais, ela faleceu no último dia 6

Por Redação

Lená trabalhou por 35 anos na universidade, dividindo-se entre o Colégio de Aplicação e o Centro Pedagógico
Lená trabalhou por 35 anos na universidade, no Colégio de Aplicação e, posteriormente, no Centro Pedagógico
Foto: acervo da família

Será realizada nesta quinta-feira, 12 de março, às 19h, a missa de sétimo dia em memória da professora Lená Cervinho de Assis, do antigo Colégio de Aplicação e do Centro Pedagógico (CP) da UFMG, que faleceu em Belo Horizonte na última sexta-feira, dia 6, aos 94 anos. A cerimônia ocorrerá no Santuário Nossa Senhora de Fátima, na Praça Carlos Chagas (Praça da Assembleia), no bairro Santo Agostinho.

Filha de Lená, Solange Godoy, professora da Escola de Enfermagem, compartilha, com emoção, detalhes da personalidade mãe, que também foi sua professora no CP. “Naquele espaço, ela assumia plenamente a postura de educadora, e eu tinha a oportunidade de admirá-la também nesse papel. Um dos momentos mais marcantes da minha vida foi quando, na oitava série, tive o privilégio de ser sua aluna de História. Em sala de aula, ela era a professora dedicada, exigente e profundamente apaixonada pelo ensino. Em casa, era a mãe amorosa que sempre nos ensinou o valor do conhecimento, da ética e do respeito. Assistir às suas aulas era perceber o quanto ela acreditava na educação como instrumento de transformação. Falava sobre a História com entusiasmo, despertando em seus alunos a curiosidade, o senso crítico e o respeito pelo passado e pelo presente. Para mim, além do aprendizado, havia também o orgulho de ver o carinho, a admiração e o respeito que seus alunos sentiam”, relatou Solange Godoy.

Sua neta, a advogada Daniela Bicalho Godoy, também ressaltou a importância da avó para a memória da instituição. “Lená marcou de forma pioneira a história da Universidade. Sua vida será lembrada pelo compromisso com a educação e deixará um legado importante”, escreveu a advogada, que estudou Direito na UFMG, em mensagem à comunidade acadêmica.

Em 1953, Lená figurou nos jornais por ter sido a primeira mulher graduada em Ciências Sociais no estado
Em 1953, Lená se tornou a primeira mulher graduada em Ciências Sociais no estado

Profundamente apaixonada
Lená Cervinho de Assis iniciou sua carreira lecionando Matemática no antigo Colégio de Aplicação da UFMG. Mais tarde, passou a ensinar História, área na qual consolidou sua vocação para a formação humanística de jovens estudantes. Sua atuação estendeu-se ao Centro Pedagógico (CP), unidade onde trabalhou até sua aposentadoria.

Lená Cervinho de Assis, que esteve a serviço da UFMG durante 35 anos, marcou a história acadêmica de Minas Gerais ao se formar em Ciências Sociais pela UFMG em 21 de dezembro de 1953, tornando-se a primeira mulher a concluir esse curso no estado. Na ocasião, o feito recebeu destaque da imprensa: o jornal Diário de Minas registrou o marco da “primeira moça” graduada na área.

Firmeza e carinho
Mais do que ensinar conteúdos, a professora Lená ensinava valores. Sua relação com os alunos era permeada pelo respeito, pela escuta atenta e pelo incentivo constante ao pensamento crítico. Em sala de aula, demonstrava que educar é também acolher, orientar e acreditar no potencial de cada estudante. Muitos alunos lembram-se dela não apenas como professora, mas como alguém que acompanhava suas trajetórias com interesse verdadeiro, estimulando sonhos e despertando curiosidade intelectual.

'A professora Lená tinha algo de mãe'
Lená era considerada como uma mestra firme e acolhedora ao mesmo tempo
Foto: acervo da Apubh

Para o ex- aluno Júlio Esteves, “além de excelente professora, capaz de dar vida aos episódios da História, a professora Lená tinha algo de mãe, algo de muito familiar e, portanto, aconchegante”. “Tinha, mais ou menos, a idade de minha mãe. Talvez fosse esse um dos fatores pelos quais nós, alunos, adolescentes nos anos 1970, gostávamos tanto dela. Era aquela que repreendia, mas dava acolhida e carinho. Sem perder a firmeza, inspirava proximidade, concedia certa liberdade até mesmo para brincarmos com ela”, relembra. “Era muito amiga dos alunos, e chegou a ir aos nossos encontros de ex-alunos”, lembra Aída Ferrari, egressa do Colégio de Aplicação.

“Entre os colegas, era reconhecida pela generosidade, pela ética e pelo espírito colaborativo. Sempre disposta a dialogar, compartilhar conhecimentos e contribuir para o fortalecimento do projeto pedagógico da escola, Lená participou ativamente da construção de um ambiente acadêmico comprometido com a qualidade da educação pública. Sua presença era inspiradora: combinava rigor intelectual com uma postura profundamente humana. Sua carreira foi marcada por seriedade, compromisso social e amor pela docência. Ao longo de décadas, acompanhou diferentes gerações de estudantes, adaptando-se às mudanças da educação sem perder a essência de sua prática: formar cidadãos críticos, sensíveis e conscientes de seu papel na sociedade. Falar da professora Lená Cervinho de Assis é falar de uma educadora que transformou vidas através do conhecimento e do afeto. Seu legado permanece vivo na memória de seus alunos, no respeito de seus colegas”, completa a professora Solange Godoy.

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