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Estudos brasileiros

Escola de verão faz estudantes internacionais mergulharem na cultura do Brasil

Programa reúne mais de 40 alunos de 15 países na UFMG; eles terão duas semanas de imersão em Minas Gerais

Por Matheus Espíndola

Ao todo, participam 41 alunos estrangeiros de 25 instituições de ensino superior de diferentes continentes, além de 29 brasileiros
Participam 41 alunos estrangeiros de 25 instituições de ensino superior de diferentes continentes, além de 29 brasileiros
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Começou, nesta segunda-feira, dia 13, a edição de 2026 da Summer School on Brazilian Studies (SSBS). Promovido anualmente pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI), o programa se estenderá até o dia 24, reunindo estudantes de diversas partes do mundo para duas semanas de imersão acadêmica e cultural.

A solenidade de abertura da escola de verão contou com sessão especial conduzida pelo embaixador Marco Antonio Nakata, diretor do Instituto Guimarães Rosa (IGR), órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável pela diplomacia cultural do Brasil. De acordo com Nakata, a projeção internacional do Brasil tem sido impulsionada de forma estratégica por meio de ações que fortalecem a difusão da língua portuguesa e a cooperação acadêmica no exterior.

Ao fazer um balanço das ações da instituição, o diretor ressaltou o crescimento de mais de 350% nas vagas de graduação para estudantes estrangeiros de países parceiros, além de comemorar a marca de quase 4 mil beneficiários em solo nacional. “O PEC [Programa de Estudantes-Convênio] enriquece o Brasil como parte da nossa estratégia de internacionalização do ensino superior, o que chamamos de ‘internacionalização em casa’, pois amplia os horizontes culturais dos nossos próprios estudantes e aproveita o conhecimento e a experiência que os alunos estrangeiros trazem consigo”, afirmou.

Diretor do Instituto Guimarães Rosa, Marco Antonio Nakata defende ações estratégicas que fortaleçam a difusão da língua portuguesa e a cooperação acadêmica no exterior
Diretor do Instituto Guimarães Rosa, Marco Antonio Nakata defende ações estratégicas para fortalecer a difusão da língua portuguesa e a cooperação acadêmica no exterior
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Abordagem integrada
Nesta edição, o programa registra a participação de 41 alunos estrangeiros de 15 países, além de 29 brasileiros. Os estudantes internacionais estão vinculados a 25 instituições de ensino superior de diferentes continentes. A diretora adjunta de Relações Internacionais da UFMG, Bárbara Orfanó, explica que um curso sobre o Brasil deve necessariamente oferecer uma compreensão profunda da complexidade nacional. “Debater temas que vão da política à geografia contribui diretamente para construir uma visão mais crítica e fundamentada, superando os estereótipos que costumam ser difundidos no cenário internacional”, aponta.

Para o estudante Carlos Fajardo, oriundo da Johannes Gutenberg University, em Mainz, na Alemanha, o Brasil sempre foi motivo de fascínio – “especialmente seu povo, sua cultura e o português brasileiro. Desde que comecei a aprender idiomas, sonho em vivenciar outra cultura por dentro. Como meus estudos na minha universidade de origem focaram principalmente em perspectivas europeias, estou incrivelmente animado para expandir meus horizontes na UFMG, melhorar minhas habilidades no português brasileiro e criar memórias inesquecíveis enquanto aprendo com uma comunidade tão acolhedora e diversa”, declarou.

O sonho de visitar o Brasil também permeava o imaginário de Konstantina Kaiafa, da University of Warwick, da Inglaterra. “Fiquei muito intrigada em aprender mais sobre a cultura e a história brasileiras, além de praticar e aprimorar meu português com falantes nativos. É uma oportunidade incrível”.

A estudante síria Natasha Cantuaria, do King’s College, de Londres, se disse “especialmente ansiosa para conhecer estudantes de todo o mundo e ter muitas trocas culturais”, na região que considera “uma das mais tradicionais” do país. “Estou ansiosa para me envolver com as relações internacionais e diplomáticas do Brasil, aprender mais sobre sua rica história, como ela ainda se infiltra na sociedade e, especialmente, analisar as mudanças em tempo real na política, além de questões e sucessos contemporâneos”, revelou.

As aulas teóricas serão ministradas nas manhãs de segunda a quinta-feira. No período da tarde, os participantes terão aulas de Português como Língua Adicional, modalidade que funciona como porta de entrada para a compreensão das sutilezas e da herança cultural do país. Segundo os organizadores do evento, o currículo do curso foi desenhado para oferecer um panorama multifacetado da realidade nacional, com um mosaico de disciplinas ministradas em inglês por professores da UFMG.

Os conteúdos programáticos abrangem história, sociedade e raça, arquitetura, política, direito, relações internacionais, geografia, economia e cinema, além das atividades de linguagem. A abordagem integrada tem o objetivo de apresentar os motores da economia, as dinâmicas sociais da comunidade latino-americana e a inserção do Brasil como potência emergente em um cenário global interconectado e multipolar.

Para Bárbara Orfanó, o contato direto com especialistas de diferentes áreas do conhecimento fortalece o papel da universidade como espaço de produção e difusão de conhecimento qualificado, favorecendo a formação de futuros pesquisadores e profissionais capazes de estabelecer cooperações internacionais pautadas pelo respeito à diversidade, pelo pensamento crítico e pela compreensão das especificidades brasileiras. “Trata-se, portanto, de uma estratégia de internacionalização que amplia o conhecimento sobre o país e fortalece sua projeção acadêmica e científica no cenário internacional”, avalia.

Bárbara Orfanó: "compreensão das especificidades brasileiras"
Bárbara Orfanó: “compreensão das especificidades brasileiras”
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Imersão cultural
O aprendizado em sala de aula será complementado por uma programação cultural em cenários famosos de Minas Gerais. Os estudantes farão visitas de campo à cidade histórica de Ouro Preto, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco por sua arquitetura colonial, e ao Instituto Inhotim, um dos maiores museus a céu aberto do mundo. A programação conta ainda com atividades de integração como cineclube e luau, todas planejadas para contextualizar os debates acadêmicos.

Bárbara Orfanó destaca que as atividades de imersão cultural representam uma dimensão essencial da aprendizagem, pois possibilitam que os estudantes relacionem os conteúdos discutidos com experiências concretas. A gestora avalia que a ida a Ouro Preto aprofunda o entendimento sobre a formação histórica e a mineração, enquanto o circuito em Inhotim evidencia a convergência entre arte contemporânea, patrimônio ambiental, sustentabilidade e inovação. “Essas experiências favorecem o desenvolvimento da competência intercultural ao estimular a observação, a reflexão crítica e o diálogo com diferentes manifestações culturais e sociais. Ao vivenciarem o cotidiano de Minas Gerais, os participantes não apenas ampliam seus conhecimentos acadêmicos, mas também desenvolvem uma compreensão mais contextualizada do Brasil e do nosso estado”, conclui a diretora adjunta de Relações Internacionais.

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Instituições participantes
Entre os países e centros de estudo parceiros nesta edição, representam a América Latina o Instituto Politécnico Nacional e a Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo, localizados no México, a Universidad Nacional de Asunción, no Paraguai, e a Universidad César Vallejo, no Peru. Já a América do Norte é representada pelas instituições norte-americanas Framingham Public Schools e Virginia Commonwealth University.

O continente europeu marca presença com a Freie Universität Berlin e a Johannes Gutenberg University Mainz, da Alemanha; a Mykolas Romeris University, da Lituânia; o King’s College London, a University of Kent, a University of Leeds e a University of Warwick, do Reino Unido; a Financial University, a Kazan Federal University e a Moscow State University, da Rússia; o KTH Royal Institute of Technology, da Suécia; e a Université de Neuchâtel, da Suíça. A Turquia também é representada no programa por meio da Atatürk University.

Também participam acadêmicos da Coreia do Sul, com a Busan University of Foreign Studies, e da China, com estudantes da Beijing International Studies University, da Chinese University of Hong Kong (Shenzhen) e da Huazhong University of Science and Technology. A Austrália está representada pela Griffith University.

Os estudantes terão o aprendizado em sala de aula complementado por uma programação cultural em cenários famosos de Minas Gerais
Estudantes terão o aprendizado em sala de aula complementado por programação cultural em Ouro Preto e no Inhotim
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Categoria: Internacional

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