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Um paraíso estranho

Ulrich Mücke, de Hamburgo, fala na UFMG sobre a inserção de trabalhadores cubanos na antiga Alemanha Oriental

Em palestra, que será realizada no dia 25, professor analisará o contraste entre a abordagem historiográfica, centrada nas evidências de opressão, e a memória edulcorada de homens e mulheres que vivenciaram a experiência

Por Redação

Bandeira da antiga República Democrática da Alemanha, que recebeu 27 mil trabalhadores cubanos entre 1978 e 1990
Imagem: Domínio Público

De 1978 a 1990, cerca de 27 mil cubanas e cubanos desembarcaram na República Democrática da Alemanha (RDA), a antiga Alemanha Oriental, para trabalhar na indústria local. A Alemanha socialista precisava suprir sua carência de mão de obra, enquanto a Cuba interessava receber, em sua moeda, parte dos salários pagos aos trabalhadores, em uma dinâmica muito semelhante à do programa Mais médicos, por meio do qual os profissionais do país que atuaram no Brasil de 2013 a 2018 também destinavam uma parcela dos seus vencimentos ao regime cubano.

A historiografia registra que os cubanos eram explorados, estavam submetidos a condições de trabalho precárias e sofriam todo tipo de discriminação por parte da população e da polícia alemã. Essa abordagem, no entanto, contrasta com a visão extraída das mais de 60 entrevistas que o historiador alemão Ulrich Mücke, da Universidade de Hamburgo, realizou com trabalhadores que participaram da empreitada – muitos chegaram a descrever a experiência na RDA como a “melhor época” de suas vidas e referiam-se ao país socialista como um “paraíso”.

Mücke estará na UFMG na próxima terça-feira, dia 25, para ministrar a palestra Um paraíso estranho. Trabalhadores cubanos na RDA (Alemanha Oriental), 1978-1990, a convite do Laboratório de História do Tempo Presente (LHTP), vinculado ao Departamento de História da Fafich. A atividade será realizada no auditório Bicalho, da Fafich, a partir das 17h.

Muecke: história x memória
Foto: Arquivo pessoal

Em sua exposição, o historiador, que falará em espanhol, partirá de algumas perguntas: como explicar esse contraste entre a visão da historiografia e as memórias dos trabalhadores? A historiografia está errada ao buscar uma narrativa historicamente correta? Ou o passado é idealizado nas memórias dos cubanos?  “Vamos tentar explicar como os cubanos podem se lembrar de sua estada na RDA de forma muito positiva, sem que os aspectos negativos de sua vida sejam negados. Para isso, analisaremos as características concretas de sua passagem na Alemanha com base tanto em documentos existentes em arquivos quanto nos recursos oferecidos pela história oral“, antecipa o professor.

A atividade é apoiada pelo Departamento de História da Fafich e pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI), em cujo site está disponível o formulário de inscrição. A participação renderá certificado.

O palestrante
Doutor pela Universidade de Hamburgo, Ulrich Mücke foi docente assistente nas universidades de Erfurt e Jorge Augusto de Göttingen, também na Alemanha, e, por duas vezes, atuou como professor convidado da Universidade Nacional Maior de San Marcos, de Lima, no Peru. Desde 2007, é professor titular de história da América Latina na Universidade de Hamburgo. Ele coordenou a edição do diário de Heinrich Witt (1799-1892) em 10 volumes (The Diary of Heinrich Witt, Brill 2015) e vários livros sobre pensamento conservador, escrita autobiográfica e outros temas. Desde 2023, pesquisa a história dos cubanos na RDA.

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