Exposição de Leonardo Barcelos transforma cinema documental em experiência sensorial inédita no Centro Cultural UFMG

Exposição de Leonardo Barcelos transforma cinema documental em experiência sensorial inédita no Centro Cultural UFMG

O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição individual ‘Polifonia da Presença’, do diretor, roteirista e produtor Leonardo Barcelos. Inédita em seu formato, a mostra é a primeira grande exposição imersiva a transpor integralmente uma trilogia cinematográfica para a linguagem expositiva. Ao reunir nomes centrais da performance contemporânea, a experiência propõe uma imersão profunda pelas camadas do corpo, da memória e da identidade. Trata-se de uma nova forma de experimentar o cinema documental: imagens, sons, gestos e atmosferas ganham espaço e convidam o espectador a ultrapassar a tela, integrando a própria obra. A abertura será realizada no dia 18 de setembro de 2026, sexta-feira, às 19 horas. As obras poderão ser vistas até 23 de outubro de 2026. A entrada é gratuita e tem classificação indicativa de 12 anos.

Projeto realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte.

Polifonia da Presença

A exposição nasce de uma pesquisa audiovisual desenvolvida por Leonardo Barcelos ao longo de mais de dez anos, em colaboração com roteiristas, pesquisadores e profissionais que integraram as obras da Trilogia do Corpo, entre eles os roteiristas Tiago Tereza, Laura Coggiola e Christiane Tassis, o produtor André Hallak, Joana Braga e o diretor de fotografia Vagner Jabour.

Dessa investigação nasceram os longas-metragens ‘Corpo Presente’ e ‘O Que Pode o Corpo?’, além da série documental ‘Cartografias do Corpo’. Juntas, as obras exploram o corpo como território de presença, memória, política e criação, e já circularam por festivais, mostras, instituições culturais e espaços de formação no Brasil e no exterior.

“A exposição parte de uma pesquisa artística desenvolvida ao longo de vários anos sobre o corpo no mundo contemporâneo, suas diferentes camadas, transformações, disputas e possibilidades. A pesquisa observa o corpo como matéria biológica, construção subjetiva, território político e espaço de invenção”, explica Leonardo Barcelos, diretor artístico da exposição.

O ineditismo do projeto está justamente na passagem do cinema para o espaço expositivo: pela primeira vez, uma trilogia cinematográfica é transposta, em sua totalidade, para uma linguagem imersiva e instalativa. Não se trata de simplesmente exibir filmes em um espaço cultural, mas de fazer com que suas imagens e sons ocupem fisicamente o ambiente e atravessem o próprio corpo do visitante.

“O objetivo é transformar essa pesquisa audiovisual em uma experiência corporal e sensorial. Mais do que transmitir conteúdos ou oferecer respostas fechadas, a exposição quer criar condições para que o público experimente essas questões por meio das imagens, dos sons, da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações”, afirma Leonardo.

Um percurso entre os núcleos

A exposição é organizada como um percurso contínuo, estruturado em quatro núcleos interligados — ‘A Origem’, ‘A Matéria’, ‘O Outro’ e ‘A Voz’ — que conduzem o visitante por diferentes configurações espaciais e intensidades sensoriais. Elementos visuais, sonoros e arquitetônicos estabelecem conexões entre os ambientes, fazendo da travessia uma parte fundamental da experiência.

“Ao se misturarem aos nossos próprios corpos, as imagens operam uma fricção constante entre matéria, memória e alteridade. Organizada em quatro eixos que se contaminam continuamente, a exposição propõe uma travessia sensível, convidando a dissolver as certezas do olhar e a experimentar o corpo como um território de invenção”, comenta Eduardo de Jesus, que assina o texto curatorial.

Em ‘A Origem’, uma grande projeção com imagens de ‘Corpo Presente’ funciona como um portal visual. Raízes atravessam paredes e piso, conduzindo o público até um espelho d’água, onde projeções, luz e fumaça se entrelaçam para criar um ambiente de passagem entre corpo, matéria e energia. O núcleo da obra explora a ancestralidade, a transformação e os ciclos da matéria.

‘A Matéria’ aproxima o corpo das ideias de gestação, criação, cuidado e transformação. Módulos circulares de tecido recebem projeções e iluminação cênica, enquanto uma cúpula de vidro, imagens e areia branca compõem um ambiente que remete, simultaneamente, a um útero, um organismo, um planeta ou ao próprio universo. O núcleo estabelece, ainda, um diálogo direto com a performance de Ludmilla Ramalho, que encerra a programação da exposição no dia 23 de outubro.

Já ‘O Outro’ propõe uma experiência de encontro e alteridade. Em um percurso labiríntico formado por espelhos, vidros, superfícies reflexivas, materiais translúcidos e projeções, o visitante vê seu próprio corpo misturado às imagens de outras pessoas. A experiência desloca a percepção de identidade e convida à reflexão sobre reconhecimento, diferença e pertencimento.

No núcleo ‘A Voz’, o corpo deixa de ser apenas imagem para se afirmar também como discurso, memória e posição no mundo. Quatro telas apresentam eixos temáticos distintos, construídos a partir de trechos da série inédita ‘Cartografias do Corpo’, que reúne depoimentos, performances e fragmentos audiovisuais de artistas, pensadores, ativistas e personagens de diferentes gerações e contextos. Entrelaçando questões como identidade, gênero, raça, ancestralidade, território, tecnologia, opressão e emancipação, essas vozes constroem um campo de escuta onde experiências individuais se cruzam e ganham dimensão coletiva.

Entre os nomes presentes estão Marina Abramović, Ailton Krenak, Érica Hilton, Suely Rolnik, Zé Celso Martinez Corrêa, Ayrson Heráclito, Regina José Galindo, Carlos Martiel, Paulo Nazareth, Edgar Xakriabá, Zahy Guajajara, Jup do Bairro, Viktoria Modesta, ORLAN e Berna Reale. Mais do que reunir depoimentos isolados, o núcleo coloca essas falas em diálogo, fazendo emergir tensões, convergências e diferentes formas de resistência e reinvenção do corpo contemporâneo. É dessa sobreposição de presenças, discursos e experiências que nasce a polifonia que dá título à mostra. “As vozes não aparecem isoladamente: elas se cruzam e reverberam umas nas outras, formando a polifonia que dá nome à exposição”, destaca o diretor.

A exposição chega a Belo Horizonte em um momento de intensificação dos debates sobre corpo, identidade, território e representação. Corpos negros, indígenas, trans, LGBTQIA+, periféricos, com deficiência e outros historicamente marginalizados ocupam, hoje, espaços cada vez mais relevantes de produção de discurso e de disputa simbólica. Para Leonardo Barcelos, essas questões atravessam diferentes épocas e seguem urgentes: “muitas das reivindicações presentes nas obras – relacionadas ao feminismo, às populações negras e indígenas, às pessoas LGBTQIA+ e a outros corpos historicamente marginalizados – atravessam diferentes décadas e permanecem atuais. A exposição procura mostrar tanto a persistência desses conflitos quanto a capacidade desses corpos de criar novas formas de existência, representação e transformação”.

Nesse sentido, ‘Polifonia da Presença’ não pretende oferecer uma experiência exclusivamente racional ou explicativa: o corpo do visitante é parte constitutiva da obra. “A exposição não pretende funcionar apenas como uma explicação racional. O próprio corpo do visitante completa o trabalho”, afirma Barcelos. “Talvez o visitante não saia necessariamente com uma definição exata sobre tudo o que viu, mas poderá sentir essas questões e perceber como elas atravessam sua própria experiência no mundo”, completa o artista.

Pré-estreia de ‘Cartografias do Corpo’

A programação de Polifonia da Presença também marca a pré-estreia de ‘Cartografias do Corpo’, série documental criada e dirigida por Leonardo Barcelos, composta por 13 episódios de 26 minutos cada. Gravada no Brasil e em cidades como Nova York, Berlim e Paris, a série reúne artistas, pensadores, pesquisadores e ativistas de diferentes países e trajetórias em torno das relações entre corpo, identidade, território, performance, tecnologia e política.

A pré-estreia acontece no dia 8 de outubro, às 18h, no Auditório do Centro Cultural UFMG, com a exibição de dois episódios selecionados para apresentar alguns dos principais eixos temáticos e questões que atravessam a série. Entre os artistas e pensadores presentes em ‘Cartografias do Corpo’ estão Zé Celso Martinez Corrêa, Marina Abramović, Marco Paulo Rolla, Natacha Voliakovsky, Carlos Martiel, Paula Garcia, Suely Rolnik e Christine Mello, entre muitos outros.

Na sequência, das 19h às 21h, acontece o debate ‘O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira’, reunindo diferentes perspectivas sobre corpo, imagem, memória, performance e criação artística em diálogo com a exposição e com a série. A mesa será mediada por Eduardo de Jesus, pesquisador, curador e professor, e contará com a participação de Leonardo Barcelos, cineasta e diretor da exposição; Carlos Mendonça, pesquisador e professor com atuação nos estudos da performance; Hélio Lauar, psicanalista; e Ana Luisa Santos, artista, performer e pesquisadora.

Programação formativa

A experiência proposta pela mostra vai além das instalações, com uma programação paralela de atividades educativas, ações de mediação, exibições, conversas e performances, criada para aproximar o público dos temas centrais da Trilogia do Corpo: corpo, imagem, alteridade e política.

No dia 24 de setembro, das 18h às 20h, a exposição exibe o documentário ‘O Que Pode o Corpo?’ (2024, 73 min), criado e dirigido por Leonardo Barcelos em Minas Gerais. A obra investiga o corpo como expressão e território de debate público no mundo contemporâneo, articulando performance, identidade, cultura e política. Após a exibição, haverá uma conversa com o diretor.

As atividades cinematográficas continuam em 1º de outubro, das 18h às 20h, com a exibição de ‘Corpo Presente’ (2023, 79 min), também dirigido por Barcelos, o documentário explora o corpo como território de memória, expressão e resistência. Acompanhando a trajetória de uma artista que investiga a própria corporeidade, o filme entrelaça encontros com performers e pensadores que refletem sobre identidade, política e transformação. Com imagens de arquivo e performances inéditas, a obra propõe um olhar sensorial e crítico sobre os múltiplos significados do corpo na contemporaneidade. A sessão será seguida por um debate com Leonardo Barcelos e Ludmilla Ramalho.

A programação segue em 14 de outubro, das 18h às 20h, com uma nova exibição de episódios da série ‘Cartografias do Corpo’. Na ocasião, serão apresentados dois ou três episódios, ampliando o contato do público com a pesquisa documental que estrutura parte fundamental da exposição.

No dia 23 de outubro, às 17h, a artista multimídia Ludmilla Ramalho realiza uma performance que estabelece um diálogo entre imagens de sua gravidez, registradas no longa-metragem ‘Corpo Presente’, e sua presença atual ao lado da filha, hoje com seis anos. Em cena, mãe e filha compartilham o mesmo espaço de queda e cuidado. A partir do questionamento “quanto pesa um corpo que cuida?”, a performance investiga a maternidade como experiência de exaustão, vínculo e interdependência. “Existe um encontro entre diferentes tempos do mesmo corpo: o corpo grávido registrado no passado; o corpo da artista no presente; e a presença da filha como continuidade daquela experiência. A intervenção faz com que a imagem registrada deixe de ser apenas documento e volte a se tornar uma experiência viva”, explica Leonardo Barcelos.

Sobre o artista

Leonardo Barcelos é cineasta e roteirista com mais de 25 anos de atuação no audiovisual e nas artes contemporâneas. Radicado em Belo Horizonte, desenvolve narrativas híbridas que transitam entre cinema, performance e artes visuais. É bacharel em Comunicação Social pela UFMG e pós-graduado em Comunicação, Novas Tecnologias e Hipermídia pela UNI-BH. Membro fundador do Coletivo Teia, referência no audiovisual brasileiro contemporâneo, tem obras exibidas em mais de 40 países, em festivais, museus e instituições culturais da América Latina, Europa e Estados Unidos, incluindo Berlinale, Veneza, Toronto, Locarno, Rotterdam, Sundance e San Sebastián, além de espaços como MoMA, New Museum e Inhotim. Dirigiu os documentários ‘Balança Mas Não Cai’ (2012), ‘Corpo Presente’ (2023), com estreias na Mostra de Tiradentes e no Festival de Havana, e ‘O Que Pode o Corpo?’ (2024). Criou ainda a série documental ‘Cartografias do Corpo’ (13 × 26 min) e atualmente finaliza o longa híbrido ‘Territórios do Sensível’.

Ficha técnica
Produtora: Tandera Filmes; Co-produção: Trem Chic Cinevideolab; Direção e concepção artística: Leonardo Barcelos; Produção Executiva: Leonardo Barcelos; Produção Bárbara Burgarelli e Mariana Takamatsu; Arquitetura e Expografia: Nathália Larsen; Textos Curatoriais: Eduardo Jesus; Coordenação Técnica Audiovisual: Leandro Aragão; Montagem: Igor Hermont e Ana Katherine; Edição de vídeos: Tiago Tereza e Gabriel Penna; Designer gráfico: Alexandre Brandão; Redes Sociais: UMA Assessoria; Assessoria de Imprensa: Cristina Sanches (CS Comunicação e Arte); Performance: Ludmilla Ramalho; Convidados – Mesa de Debate ‘O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira’: Eduardo de Jesus; Ana Luísa Santos; Carlos Mendonça; e Hélio Lauar.

Exposição ‘Polifonia da Presença’ – Leonardo Barcelos
Abertura: 18 de setembro de 2026 | às 19h
Visitação: até o dia 23/10/2026
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Grande Galeria
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita

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