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Memória e democracia

Faculdade de Direito exibe, nesta quarta, o documentário ‘Esperança equilibrista’

Produção da TV UFMG revisita episódio da condução coercitiva de gestores da Universidade em dezembro de 2017

Por Redação

Público acompanha a sessão de ‘Esperança equilibrista’ no auditório da Reitoria: um dos entrevistados foi o compositor João Bosco, que repudiou o uso de trecho da música de sua autoria para nomear a operação
Foto: Raphaella Dias | UFMG

O documentário Esperança equilibrista: um marco da luta da universidade em defesa da democracia, que estreou neste mês, será reexibido nesta quarta-feira, 1º de abril, a partir das 19h, na Sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFMG. A produção revisita um dos episódios mais traumáticos da história da instituição: a operação da Polícia Federal que, em 6 de dezembro de 2017, conduziu coercitivamente gestores da Universidade, sob o pretexto de investigar supostas irregularidades na execução do Projeto Memorial da Anistia Política do Brasil.

O filme estreou no dia 17 de março em sessão aberta à comunidade universitária, no auditório da Reitoria. Na última terça-feira, dia 24, ele foi exibido em Brasília, na sede da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

A sessão na Faculdade de Direito é uma iniciativa do professor Fernando Gonzaga Jayme e do Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP). De acordo com o professor, um dos entrevistados no documentário, o filme é um importante registro da memória e da história. “Disseminar esse tipo de registro é fundamental para que a história não se repita”, diz ele, acrescentando que as arbitrariedades relatadas no filme ocorreram durante o período democrático. A exibição contará com a presença da professora Sandra Goulart Almeida, reitora nas gestões 2018-2022 e 2022-2026 que foi levada à força à sede da Polícia Federal em 2017, quando era vice-reitora da UFMG.   

Ainda segundo Fernando Jayme, a exibição está conectada a duas efemérides: os 80 anos de nascimento do estudante José Carlos da Mata Machado, morto pela ditadura militar, e os 62 anos de deflagração do golpe militar de 1964. Discente do curso de direito da UFMG, Mata Machado projetou-se como grande liderança do movimento estudantil. Ele foi presidente do CAAP e chegou a ser vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mata Machado foi morto em outubro de 1973, sob tortura, nos porões do DOI-Codi de Recife juntamente com o companheiro de organização política Gildo Macedo Lacerda, também estudante da UFMG à época.

José Carlos da Mata Machado: memória reverenciada
Arquivo CNV

Os últimos anos da trajetória de Zé Carlos e sua relação com a militância, a esposa, os filhos e demais familiares foram retratados no filme , dirigido pelo professor Rafael Conde, da Escola de Belas Artes. O estudante era filho do jurista e professor da Faculdade de Direito Edgard da Mata Machado.

Traição de um desejo fundamental
Produzido pela TV UFMG, sob a direção dos jornalistas Olívia Resende e Tiago de Holanda, Esperança equilibrista foi o nome dado à operação que levou gestores da UFMG à força para depor na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele foi ironicamente inspirado em trecho da música O bêbado e a equilibrista, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc, que é considerada o hino da anistia política. O deboche gerou protesto do próprio João Bosco. “Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, escreveu o compositor à época, em nota de repúdio à operação da PF. Em entrevista à equipe do documentário realizada em sua casa, no Rio de Janeiro, o próprio músico leu a nota em uma das passagens mais marcantes do filme.

Em 90 minutos, Esperança equilibrista retrata os acontecimentos daquele dia na voz de seus protagonistas, como os então reitor Jaime Ramírez e vice-reitora, Sandra Goulart Almeida, além de juristas e cientistas políticos. Para os especialistas ouvidos, foi uma operação ilegal e arbitrária. “Nenhuma das pessoas conduzidas oferecia risco de fuga. Não havia indício de qualquer tipo de tentativa de obstrução no processo de investigação. Elas não se recusaram a colaborar com a investigação até porque não foram convidadas anteriormente”, lembrou a professora Marjorie Marona, do Departamento de Estudos Políticos da UniRio e coordenadora do Observatório da Justiça no Brasil e na América Latina.

Também figuram entre os entrevistados o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello e o matemático Acioli Cancellier de Olivo, irmão do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou após ser alvo de outra operação da PF, a Ouvidos moucos.

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Aparato
A operação da PF mobilizou dezenas de policiais federais e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Além das conduções coercitivas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no prédio da Reitoria da UFMG e em outros endereços.

“Com todo esse aparato, em momento algum cogitou-se resistir, não ceder à ordem da autoridade, ainda que diante de uma abusividade, de uma ilegalidade”, recordou Fernando Jayme em seu depoimento à produção do documentário. “É de lamentar, porque montar um aparato dessa grandeza, com dezenas de policiais militares, com inúmeras viaturas, significa desperdício de recurso, é jogar dinheiro público no lixo”, avalia.

O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais concluiu que a PF não havia comprovado a prática de crimes e pediu o arquivamento da investigação policial em junho de 2020. A decisão foi, posteriormente, homologada pela quinta Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que também arquivou o inquérito civil que apurava supostas irregularidades na implementação do Memorial da Anistia Política.

Além de resgatar um episódio traumático na vida da UFMG, Esperança equilibrista mostra que a operação não foi um fato isolado, mas parte de um modus operandi de um Estado policialesco que perseguiu universidades federais na segunda década deste século.

Assista ao trailer da produção:

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