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semana do servidor

Planejamento e reconhecimento são dimensões centrais na carreira TAE

Em mesa sobre o percurso funcional dos técnicos-administrativos, servidor da Ufes analisou o PGD, discutiu a implantação do RSC e indicou desafios para a valorização do trabalhador

Por Matheus Espíndola

Marcelo Rosa sustentou que a valorização dos TAEs passa por sua incorporação efetiva aos processos de planejamento e avaliação das universidades
Marcelo Rosa sustentou que a valorização dos TAEs passa por sua incorporação efetiva aos processos de planejamento e avaliação das universidades
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Na manhã desta terça-feira, dia 6, o auditório da Reitoria sediou a cerimônia que abriu a Semana do Servidor 2026. Uma mesa dedicada à carreira dos técnicos administrativos em educação (TAE) reuniu reflexões sobre planejamento institucional, avaliação de desempenho, Programa de Gestão e Desempenho (PGD), Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e perspectivas de atualização do percurso funcional.

Servidor técnico em estatística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) há mais de quatro décadas e integrante da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira, Marcelo Rosa sustentou que “a valorização dos TAEs passa por sua incorporação efetiva aos processos de planejamento e avaliação das universidades”, e não apenas pela execução de atividades previamente definidas.

A atividade foi transmitida pelo YouTube, no canal da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC), onde continua disponível.

Marcelo Rosa: "é urgente discussão de uma nova carreira para os técnicos"
Marcelo Rosa: “é urgente a discussão de uma nova carreira para os técnicos”
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Ao abordar o PGD, Rosa chamou a atenção para a dissociação que, segundo ele, muitas vezes existe entre as metas pactuadas pelas equipes e os objetivos mais amplos das instituições. Ele observou que o programa ganhou espaço no contexto posterior à pandemia e acabou fortemente associado ao teletrabalho, embora envolva mudanças mais profundas na organização e no acompanhamento do trabalho. “O principal desafio é evitar que metas sejam definidas apenas no âmbito imediato das equipes, sem conexão com o planejamento estratégico, a avaliação institucional e as necessidades das unidades”, resumiu.

O servidor defendeu que a avaliação de desempenho tenha caráter pedagógico e produza informações capazes de orientar planejamento, capacitação, dimensionamento da força de trabalho, melhoria de processos e ações de saúde coletiva. Nesse sentido, criticou uma concepção de PGD reduzida à aferição de entregas individuais ou ao controle da produtividade, especialmente quando os resultados não permitem compreender de que forma o trabalho realizado contribui para os objetivos da instituição. “Se o PGD não dialoga com o processo de avaliação de desempenho, a ideia que vem sendo construída pelo modelo gerencialista é que a avaliação do PGD substitua a avaliação por desempenho”, alertou.

Saberes adquiridos
Outra parte da exposição foi dedicada ao Reconhecimento de Saberes e Competências, cuja origem, segundo Marcelo Rosa, antecede em décadas sua regulamentação recente. De acordo com o servidor, o reconhecimento dos saberes adquiridos no trabalho já estivera presente em formulações históricas da carreira. O dispositivo, como explicou, passou a produzir efeitos remuneratórios, permitindo ao servidor alcançar nível de incentivo à qualificação correspondente a uma titulação acadêmica superior. “O instrumento busca atribuir valor institucional a conhecimentos e experiências produzidos ao longo da trajetória profissional, e figura como uma via alternativa ao incentivo vinculado à qualificação formal”, explicou.

Ao detalhar as regras do RSC, Marcelo Rosa ressaltou que a análise deve considerar a trajetória funcional do servidor ao longo da carreira em quaisquer instituições federais de ensino, e não apenas o cargo atual. Ele explicou ainda que cada fato utilizado na pontuação deve ser comprovado, que os pontos reconhecidos podem ser acumulados para requerimentos posteriores e que o processo exige formulário e memorial profissional. “Atividades realizadas fora das atribuições mais rotineiras do cargo constituem elementos relevantes para o reconhecimento dos saberes acumulados”, informou.

O servidor indicou questões ainda sensíveis na implementação do RSC, como o limite orçamentário, o teto de atendimento previsto na legislação, os prazos para análise dos processos, a possibilidade de indeferimentos e a necessidade de transparência e acompanhamento por comissões, sindicatos e administrações universitárias. Para Marcelo Rosa, esses desafios se somam a uma questão mais ampla: a atual estrutura da carreira já não seria suficiente para responder às mudanças ocorridas nas instituições federais nas últimas décadas. “É urgente que a gente comece a discutir uma nova carreira para os técnicos, incorporando novas formas de trabalho, desenvolvimento e reconhecimento profissional”, conclamou.

Alamanda Kfouri defendeu que a comunicação baseada no cuidado com as pessoas é fundamental para transformar as práticas na universidade protegendo a qualidade de vida do servidor
Alamanda Kfoury: inclusão e cuidado como dimensões fundamentais
Foto: Raphaella Dias | UFMG

‘Pessoas que transformam’
Durante a mesa de abertura, realizada mais cedo, a vice-reitora Alamanda Kfoury disse que a Semana do Servidor é uma oportunidade de reconhecer a contribuição cotidiana dos milhares de técnicos-administrativos, docentes e trabalhadores terceirizados que tornam possíveis as atividades de ensino, pesquisa, extensão, assistência, inovação e gestão da Universidade. Ela destacou que essa extensa rede de profissionais atua em praticamente todos os espaços institucionais e não se limita a oferecer suporte às atividades acadêmicas, mas participa diretamente da construção da UFMG e de sua história. “Por trás de cada aula, de cada laboratório, de cada projeto de pesquisa, de cada ação de extensão, de assistência, de cada estudante acolhido, de cada atendimento à comunidade, existe uma enorme rede”, reconheceu.

A vice-reitora também associou a valorização dos servidores à criação de condições para que sua experiência e sua formação especializada tenham presença crescente no planejamento, na inovação e na tomada de decisões da Universidade. Segundo ela, procedimentos claros, comunicação baseada em escuta e diálogo, inclusão e cuidado com as pessoas são dimensões complementares de uma instituição capaz de transformar suas práticas sem perder de vista a qualidade de vida. Ao comentar o papel das novas tecnologias e das mudanças nos processos institucionais, Alamanda Kfouri ressaltou que a inovação deve estar subordinada às necessidades humanas e à construção coletiva. “São as pessoas que transformam os processos, as relações e as instituições”, argumentou a vice-reitora.

Carla Spagnol: "participação, saúde e bem-estar"
Carla Spagnol: “participação, saúde e bem-estar”
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Para a pró-reitora de Recursos Humanos, Carla Aparecida Spagnol, a celebração da Semana do Servidor deve funcionar como espaço de acolhimento, reconhecimento, encontro e reflexão sobre o papel das pessoas que sustentam cotidianamente a Universidade. Ela lembrou que prédios, laboratórios, bibliotecas, equipamentos, sistemas e tecnologias só cumprem suas funções graças ao trabalho de quem ensina, pesquisa, realiza atividades de extensão, administra serviços e cuida dos diferentes espaços e públicos. “Quando celebramos na Semana do Servidor, estamos celebrando a própria UFMG”, sintetizou.

Carla Spagnol acrescentou que a valorização dos servidores precisa ultrapassar as atividades comemorativas e se traduzir, durante todo o ano, em políticas de desenvolvimento profissional, participação, saúde, bem-estar e reconhecimento. Entre as iniciativas da Pró-reitoria, mencionou ações de formação continuada e qualificação, a revisão do programa de qualidade de vida no trabalho e o aperfeiçoamento das formas de organização das atividades, com ênfase em planejamento e resultados. Spagnol defendeu ainda uma gestão construída com participação efetiva de docentes e técnicos-administrativos. “A gestão de pessoas não se faz apenas para as pessoas, mas precisa ser feita com pessoas”, ressaltou.

A coordenadora-geral da Fasubra Sindical e do Sindifes, Cristina del Papa, recuperou a origem da Semana do Servidor e destacou a importância de preservar a memória institucional num período marcado pela chegada de novos trabalhadores e pela saída de profissionais experientes. Segundo ela, o Sindifes idealizou e realizou as primeiras edições da Semana antes de a Universidade assumir o compromisso de institucionalizá-la, e a renovação das equipes exige mecanismos de transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.

Na mesma perspectiva, a pró-reitora adjunta de Recursos Humanos, Leônor Gonçalves, relacionou a preservação desses saberes à necessidade de tornar processos de trabalho mais claros, reduzir conflitos e reconstruir espaços de convivência presencial. Segundo ela, a falta de instruções e objetivos bem definidos observada em outros momentos provocava desentendimentos desnecessários. “Por isso, estruturamos oficinas que reúnem trabalhadores de áreas semelhantes, inclusive servidores aposentados com experiência acumulada. Precisamos recuperar essa convivência dialógica”, defendeu Leonor Gonçalves.

Carreira e qualidade de vida
Sob o lema Gente que transforma: procedimentos claros, comunicação eficaz e cuidado com o servidor, a Semana celebra o Dia do Servidor Público com o propósito de debater a carreira, a qualidade de vida profissional e a otimização dos processos institucionais. No âmbito do tema da Semana, a UFMG vem promovendo oficinas práticas com vista à elaboração de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para as principais áreas da Universidade. Esses conteúdos darão origem a manuais a serem disponibilizados em repositórios eletrônicos, servindo de suporte para a disseminação do conhecimento, a integração de novos servidores, o engajamento institucional e a troca de saberes.

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