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ciência e soberania

Primeira fase das obras do CNVacinas é concluída

Localizado no BH-TEC, prédio recebeu a visita da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e de autoridades do governo de Minas, parceiros da UFMG no empreendimento

Por Redação

Inauguração primeira etapa CNVacinas
Dezenas de pessoas, entre autoridades e pesquisadores da UFMG, visitaram as obras do CNVacinas, no BH-TEC
Foto: Raphaella Dias | UFMG

A UFMG, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o governo de Minas Gerais inauguraram, nesta segunda-feira, dia 16, as obras da primeira etapa do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), que está sendo erguido no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC). O ato, que contou com a presença da reitora Sandra Goulart Almeida, da ministra Luciana Barbosa de Oliveira Santos, do MCTI, e de autoridades estaduais e da Universidade, foi marcado por uma cerimônia no prédio institucional do BH-TEC e por uma visita ao prédio em construção.

Nessa primeira fase da obra, que teve início em 2022, foram realizadas a preparação do terreno e a construção da estrutura principal do edifício, com fundações profundas, muros de contenção, reservatórios, alvenaria e reboco. Na segunda etapa, que está se iniciando, serão feitos trabalhos de impermeabilização, instalação de esquadrias, acabamento e paisagismo, além de todas as atividades relacionadas às instalações prediais e farmacêuticas.

Terminada essa segunda etapa, o CNVacinas estará, em tese, pronto para entrar em funcionamento. A terceira e última fase compreenderá os trabalhos de qualificação e certificação dos ambientes controlados, com ensaios e vistorias, para que as atividades possam ser iniciadas com segurança e em conformidade com os critérios técnicos aplicáveis.

Inauguração primeira etapa CNVacinas
Sandra: projeto é resultado de parcerias estratégicas
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Projeto de Estado
O CNVacinas é o resultado de um convênio assinado em dezembro de 2021 pela UFMG, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – que aportou R$ 50 milhões no projeto – e pelo Governo do Estado de Minas Gerais, responsável por mais R$ 30 milhões em aportes. O complexo projetado para abrigar o Centro totaliza 8.670,30 metros quadrados de área construída, em um terreno de 4.639,78 metros quadrados.

A edificação de seis andares é composta de três blocos interligados. No primeiro estarão os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e o biotério. No segundo, funcionarão as atividades administrativas e os gabinetes de trabalho dos pesquisadores. O terceiro bloco, por sua vez, abrigará a planta de produção piloto dos produtos desenvolvidos na instituição.

“Este é um projeto do qual a gente se orgulha muito – não apenas pelo que representa em si mesmo, mas também pelo fato de ele ser o resultado das várias parcerias estratégicas que fizemos, nas esferas municipal, estadual e federal. O CNVacinas é um projeto coletivo, resultado do trabalho de várias instâncias em prol do país; é um projeto de Estado”, afirmou a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, em seu pronunciamento.

Inauguração primeira etapa CNVacinas
Luciana Santos: marco da ciência nacional
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Nesse contexto, Sandra Goulart fez questão de demarcar a universidade brasileira como instituição a serviço do país e da sociedade. “Hoje, 90% da pesquisa do país é realizada nas instituições públicas – 70%, nas universidades federais. Esse é um dado impressionante”, exemplificou. “E o CNVacinas, de sua parte, coloca Minas no centro do processo nacional de produção de vacinas, alinhado ao trabalho inestimável que já vem sendo feito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Isso não é pouca coisa. A gente se orgulha muito de fazer parte dessa história”, disse.

Seguindo a mesma linha, a ministra Luciana Santos destacou a UFMG como uma universidade que compõe “de maneira robusta” o sistema nacional de ciência e tecnologia, coordenado pelo ministério que dirige. “É uma alegria muito grande estar aqui mais uma vez, em Belo Horizonte, para celebrar esses dois marcos que simbolizam não só o presente, mas principalmente o futuro da ciência brasileira”, disse. Por “dois marcos”, a ministra referia-se ao mesmo tempo aos dez anos do CTVacinas – estrutura de pesquisa que está na origem do CNVacinas – e à conclusão da primeira etapa da obra.

“Aqui, estamos falando de um projeto estratégico para o país, que fortalece nossa capacidade científica e tecnológica em uma área essencial para o nosso desenvolvimento e para o cuidado com a nossa gente, o nosso povo. O Centro Nacional de Vacinas representa um novo patamar para a ciência brasileira, ao integrar pesquisa, desenvolvimento e produção-piloto de imunizantes, transformando conhecimento científico em soluções concretas para a saúde pública”, afirmou. Multiusuário, o prédio do CNVacinas também contará com área para laboratórios de empresas parceiras, startups e spin-offs.

Inauguração primeira etapa CNVacinas
Luciana Santos e Sandra Goulart descerram a placa alusiva à conclusão da primeira fase das obras
Foto: Raphaella Dias | UFMG

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SpiN-TEC: símbolo de união estratégica
Além da reitora Sandra Goulart e da ministra Luciana Santos, o evento de inauguração da primeira fase das obras reuniu o presidente da Fundep Jaime Arturo Ramírez, responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto e pela execução da obra; o presidente da Fapemig, Carlos Alberto Arruda de Oliveira; o vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira; a secretária adjunta de Saúde de Minas Gerais, Poliana Cardoso Lopes; o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil; e o presidente do BH-TEC, Marco Crocco.

“Esse é um desafio em que o Brasil é característico: nós temos um país que está na 14ª ou 13ª posição [global] na produção de ciência, mas que, ao mesmo tempo, está apenas na 52ª ou 51ª posição nos indicadores de inovação”, lembrou Arruda. Em sua fala, o dirigente buscava situar essa união de esforços que resultou no CTVacinas – instituição voltada à transformação da inovação científica em serviços e produtos – como o caminho para superar essa disparidade.

Croqui-aquarela do projeto do prédio do CNVacinas, atualmente em construção
Croqui-aquarela do projeto do prédio do CNVacinas, atualmente em construção
Imagem: Fundep | Divulgação

Quando estiver concluído, o CNVacinas vai absorver e ampliar as atividades do CTVacinas – órgão responsável, entre outras inovações, pela SpiN-TEC, a vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida atualmente pela UFMG. Convidado para a cerimônia, o ex-prefeito Alexandre Kalil, que comandou Belo Horizonte de 2017-2022, foi responsável por liberar um aporte de cerca de R$ 33 milhões para os estudos. Parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e da bancada mineira no Congresso Nacional garantiram outros R$ 17 milhões.

A SpiN-TEC – símbolo do esforço estratégico da ciência brasileira para ampliar a autonomia do país no desenvolvimento de imunizantes – está na terceira e última fase de sua pesquisa (a fase 2, relativa aos testes clínicos, foi concluída com sucesso em maio de 2025). Desenvolvida por pesquisadores da UFMG e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vacina contra a covid-19 será a primeira integralmente desenvolvida com tecnologia e insumos nacionais e financiada por instituições brasileiras.

Poliana Cardoso Lopes, secretária adjunta de Saúde de Minas Gerais, lembrou que UFMG e governo de Minas Gerais desenvolvem projetos em várias frentes e que a “intenção é expandir cada vez mais essa parceria”. Sobre o CNVacinas, Poliana o qualificou “como uma estrutura muito importante para a saúde pública não só de Minas, mas do Brasil”.

A ministra Luciana Santos definiu o desenvolvimento da Spin-TEC como um marco na trajetória brasileira por autonomia e soberania. “A gente vive, no mundo, o recrudescimento das ameaças da guerra, da imposição pela força, a troca da diplomacia pela guerra. Para fazer frente a isso, nós precisamos ter mais autonomia, ter mais soberania. Quanto mais vulnerabilidades externas nós tivermos, mais seremos reféns desse tipo de política agressiva”, lembrou a ministra.

“De nossa parte, nós queremos um mundo compartilhado, queremos um mundo multilateral. Um dos aspectos mais importantes e centrais para o fortalecimento do multilateralismo é o fomento da nossa soberania por meio do domínio tecnológico. Precisamos dar passos largos nessa direção”, defendeu a ministra. “O MCTI investiu milhões no desenvolvimento dessa vacina, apoiando todas as etapas da pesquisa, desde os estudos clínicos até as fases clínicas. Ainda há um ciclo a cumprir, mas ela já é, hoje, um marco histórico da ciência nacional”, concluiu.

Atualmente, o CTVacinas conta com cerca de 100 profissionais. Convertido em CNVacinas, esse contingente deverá ser triplicado, conforme informou o professor Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, em entrevista à imprensa, ao fim do evento.

Ministério da Saúde
No fim do dia, as obras do CNVacinas foram visitadas pelo secretário executivo e ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda. Acompanhado da reitora Sandra Goulart e de pesquisadores do CTVacinas, Massuda enalteceu o projeto que, segundo ele, pode transformar o CNVacinas em um polo nacional e internacional de produção de vacinas. As duas visitas foram acompanhadas pela TV UFMG. Assista à reportagem:

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