Agressivo, pinheiro-americano avança na Serra do Cipó e acende alerta
Pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade indicam riscos ecológicos, hídricos e econômicos; medidas de controle são necessárias
Com Comunicação do Centro de Conhecimento em Biodiversidade
O Centro de Conhecimento em Biodiversidade, que é coordenado pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, acaba de publicar um policy brief em que alerta para a invasão do pinheiro-americano (Pinus elliottii) na Serra do Cipó e seus impactos sobre a biodiversidade e os recursos hídricos locais. A espécie exótica, introduzida no Brasil para produção de madeira e resina, é descrita no documento como um invasor muito agressivo, capaz de formar adensamentos que sombreiam a vegetação nativa, simplificam a paisagem e aumentam o risco de incêndios.
Segundo o documento, focos dispersos indicam avanço da espécie a partir de indivíduos plantados há algumas décadas, com expansão ao longo de bordas de rodovias, trilhas e áreas degradadas, impulsionada pela eficiente dispersão de sementes pelo vento. Em escala de bacia hidrográfica, as invasões por pinheiros já são associadas à deficiência hídrica, o que torna o controle e a erradicação fundamentais diante da sensibilidade do campo rupestre e de outras formações campestres naturais da região.
Expansão silenciosa
O policy brief destaca que o pinheiro-americano figura hoje entre os principais invasores em restingas, campos e cerrado, favorecido por altas taxas de rebrotamento, banco de sementes persistente e alterações no solo que dificultam a regeneração da flora nativa. A serapilheira acumulada no solo, rica em resina, intensifica incêndios e contribui para mudanças na fauna, afastando invertebrados e afetando processos ecológicos essenciais.
Na Serra do Cipó, a presença da espécie em áreas onde não houve plantio direto caracteriza um processo de colonização de novas áreas naturais, com registros em encostas e ambientes abertos próximos à rodovia MG-10. Os pesquisadores alertam que, se nada for feito, focos pontuais tendem a se conectar e formar “linhas de infestação”, aumentando a dificuldade e o custo das ações de restauração.
Diretrizes de controle e papel da comunidade
Entre as recomendações, o documento sugere o controle precoce, com remoção de indivíduos antes da maturidade reprodutiva, e a erradicação em áreas densamente invadidas por meio de corte raso, manejo da serapilheira e monitoramento por ao menos seis anos. Em situações em que a regeneração natural seja insuficiente, o texto defende o plantio assistido de espécies nativas e o planejamento territorial para evitar novos plantios de pinus próximos a ecossistemas sensíveis, especialmente o campo rupestre.
O documento assinala que conter o pinheiro-americano na Serra do Cipó é uma escolha técnica, política e coletiva, que passa por suspender novos plantios, eliminar árvores que funcionam como fonte de sementes e engajar comunidades locais, proprietários rurais, gestores de unidades de conservação, pesquisadores e órgãos públicos na vigilância e no controle. De acordo com os pesquisadores, a ação rápida reduzirá custos financeiros, mitigará riscos de perda de biodiversidade e ajudará a evitar o comprometimento da água em toda a região.
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