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UFMG participa de primeiro ensaio randomizado na América Latina sobre prevenção do declínio cognitivo

Com 1.065 voluntários, estudo demonstrou que mudanças no estilo de vida de idosos podem diminuir o risco de desenvolvimento de demências

Por Ramiro Zuccolo | Minerba Corporate Communication

No Brasil, estima-se que 2,46 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivam com demência
No Brasil, estima-se que 2,46 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivam com demência
Imagem: Matheus Espíndola (com uso de IA)

O estudo Multidomain lifestyle intervention for the prevention of cognitive decline in at-risk older adults in Latin America (LatAm-FINGERS): a single-blind, multicentre, randomised controlled trial, primeiro ensaio clínico multicêntrico randomizado realizado na América Latina para avaliar estratégias de prevenção do declínio cognitivo, demonstrou que mudanças no estilo de vida podem melhorar significativamente a saúde cognitiva de idosos sob risco de desenvolver demência. 

Desenvolvida em 11 países latino-americanos, entre eles o Brasil, a pesquisa demonstrou que participantes submetidos a uma intervenção baseada em atividade física, alimentação saudável, treinamento cognitivo, socialização e controle clínico e cardiovascular apresentaram melhora 55% superior na cognição global em comparação àqueles que receberam apenas orientações gerais de saúde. 

Participaram do estudo pela UFMG os professores Paulo Caramelli, Leonardo Cruz e Maira Tonidandel, da Faculdade de Medicina, e a pesquisadora Jéssica Tosatti, da mesma unidade, além de Karina Braga, docente da Faculdade de Farmácia, e Gustavo Peixoto, pesquisador do Grupo de Neurologia Cognitiva da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO).

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Memória, atenção e funções executivas
O estudo reuniu 1.065 participantes, com idades entre 60 e 77 anos, distribuídos por centros de pesquisa dos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai. Ao final dos dois anos de intervenção, 82,3% dos voluntários concluíram o acompanhamento.

Os resultados foram apresentados durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, realizada em Londres, principal evento científico mundial sobre Alzheimer e outras demências, e publicados simultaneamente na revista The Lancet, uma das mais prestigiadas publicações científicas da área. Além da melhora na cognição global, os participantes submetidos à intervenção estruturada apresentaram avanços em funções cognitivas essenciais, como memória, atenção e funções executivas, após dois anos de acompanhamento.

No Brasil, estima-se que 2,46 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivam com demência, número que poderá triplicar até 2050. O cenário é agravado pelo subdiagnóstico: cerca de 80% das pessoas que convivem com a doença ainda não receberam diagnóstico formal. O envelhecimento populacional e a elevada prevalência de fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias sem controle adequado, tornam a prevenção ainda mais relevante.

Segundo o professor Paulo Caramelli, pesquisador principal do LatAm-FINGERS em Belo Horizonte e membro do comitê diretivo do estudo, a pesquisa evidencia o potencial das estratégias preventivas na realidade latino-americana. “No continente, partimos de uma realidade diferente da de outros países: temos mais fatores de risco, menos controle e menor acesso a programas de promoção da saúde. Isso faz com que a janela de oportunidade para a prevenção seja enorme, e é exatamente o que o estudo demonstrou”, destaca.

Leia a íntegra da reportagem no site da Faculdade de Medicina.

Categoria: Saúde

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