Semana do Conhecimento premia projetos de todos os segmentos acadêmicos
Mais de 3 mil trabalhos foram apresentados, e 77, reconhecidos como destaque nesta sexta, 17
Por Itamar Rigueira Jr.
Setenta e sete trabalhos, produzidos no âmbito dos diversos segmentos acadêmicos, foram premiados, na tarde desta sexta, dia 17, durante a cerimônia de encerramento da Semana do Conhecimento 2025, que reuniu estudantes, técnicos e professores no auditório da Reitoria.
“Foi uma semana muito produtiva, com apresentações brilhantes dos autores”, exaltou o pró-reitor de Pesquisa, Fernando Reis, a quem coube abrir o encontro. “Devemos nos orgulhar da qualidade e da abrangência dos projetos inscritos. Essa iniciativa é mais uma forma de a Universidade prestar contas à sociedade e de renovarmos o nosso compromisso com a formação de pessoas aptas a pensar e reinventar o mundo”, continuou.
A escolha dos destaques foi feita pelas pró-reitorias de Pesquisa, Extensão, Graduação, Recursos Humanos e Assuntos Estudantis (nesse caso, apenas para a fase de apresentação), pela Diretoria de Relações Internacionais e pelo Núcleo de Acessibilidade e Inclusão.
Estes são os números de trabalhos inscritos e premiados na Semana do Conhecimento:
Pesquisa/Graduação: 1.998 inscritos; 20 premiados
Pesquisa/Tecnológicas: 62; 3
Pesquisa/IC Jr.: 172; 4
Extensão/Graduação: 743; 28
Extensão/Pós-graduação: 110; 6
Graduação: 188; 6
Acessibilidade e inclusão: 23; 1
Relações internacionais: 48; 3
TAEs: 33; 6
Assuntos Estudantis: 37 (não há premiação)
Neste sábado, 18, o evento UFMG nas ruas, que já ocorreu em Montes Claros, terá lugar amanhã na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, das 10h às 14h. Leia mais em matéria que anuncia a programação do sábado.
Agroindústria no quilombo, efeitos da químio, Sisu e evasão
Sai o minhocuçu, entra o pequi
Aluna do 8º período do curso de Ciências Biológicas, Amanda Reis participa há pouco mais de um ano do Projeto Pequi, ação de extensão que visa contribuir para a sociobiodiversidade na comunidade quilombola da Pontinha, em Paraopeba, na região central de Minas.
A iniciativa, liderada pela professora Maria Auxiliadora Drumond, a Dodora, do ICB, está prestes a atingir plenamente seu objetivo mais específico: viabilizar a utilização do pequi como atividade econômica da comunidade, em substituição à extração do minhocuçu – minhoca que pode passar de 60 cm de comprimento e tem diâmetro de até 1,5 cm –, vendido como isca para pesca. Uma das razões para a necessidade de substituir essa fonte de renda é a proximidade da extinção do minhocuçu na região.
Amanda conta que o trabalho realizado pelo projeto levou à construção da uma agroindústria integralmente sustentável, envolvendo capacitação dos moradores e programas de educação ambiental. “Hoje eles são autônomos, formam um grupo produtivo, e os resultados estão alinhados com os esforços de conservação daquele trecho de Cerrado”, comemora a estudante.
Amanda Reis acrescenta que o prêmio reconhece muita dedicação, traz visibilidade para as comunidades e incentiva projetos do gênero, que têm papel importante para o futuro de todas as espécies, incluindo a humana. “Também valoriza os saberes tradicionais e gera participação social”, completa Amanda.
Quimioterapia com efeitos colaterais atenuados
Em suas atividades na iniciação científica, Ana Luiza Castro, do 4º período do curso de Nutrição, integra esforço para reduzir efeitos colaterais da quimioterapia no combate ao câncer colorretal. O objetivo final é descobrir quais nutrientes suplementares serão capazes de atenuar esses efeitos.
O primeiro passo foi procurar as dosagens de dois fármacos que sejam suficientes para induzir o câncer em camundongos. Essas quantidades já estão definidas, mas serão testadas mais uma vez. Depois de três meses, os animais precisam ser sacrificados para a retirada de órgãos e análise que confirma se o câncer se instalou. Nas próximas fases, serão induzidos o câncer e o medicamento quimioterápico em novos camundongos, e chegará o momento de experimentar o papel de nutrientes, como vitaminas, para diminuir os efeitos e o sofrimento causado pelo tratamento.
“A participação no evento mostra a importância da ciência e que ela pode ser feita desde a graduação, quando a vida profissional parece ainda distante”, diz Ana Luiza. “O prêmio me aproxima da vida acadêmica e profissional e dá ainda mais tranquilidade e confiança quando penso no futuro”, acrescenta a pesquisadora aprendiz, que é orientada pela professora Simone Vasconcellos Generoso, da Escola de Enfermagem.
Sisu, evasão e desempenho
O contador da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) Glaysson Araújo foi um dos destaques no segmento dos servidores técnico-administrativos. O trabalho apresentado na Semana é derivado de sua pesquisa de doutorado, cujo objetivo foi identificar a influência do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e também da motivação para a escolha do curso sobre a evasão e o desempenho acadêmico de estudantes do curso de graduação em Ciências Contábeis da UFMG.
Um dos achados do estudo é que, a partir da adesão ao Sisu, estudantes motivados intrinsecamente no momento da escolha do curso (aqueles que escolhem a graduação pelo interesse na área) passaram a ter maior probabilidade de evadir do curso, o que seria um contrassenso do ponto de vista teórico, levando em consideração o possível fator protetivo da motivação intrínseca. Esse tipo de resultado, segundo Glaysson, “lança uma nova perspectiva sobre os mecanismos de ingresso, os quais devem ser revistos e acompanhados”.
Glaysson observa que o tema da pesquisa dialoga com muitas das ações desenvolvidas pela Prograd e reafirma o que se tem perseguido como responsabilidade institucional. “Esse reconhecimento é uma honra que não só valida o esforço dedicado à pesquisa, mas também destaca a relevância da temática abordada”, diz o contador, que é mestre e doutor em Controladoria e Finanças pela UFMG.
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