Mudanças climáticas ameaçam apicultura na Bacia do Rio Doce
Estudo com participação da UFMG indica que a perda de habitat de abelhas deve se intensificar até 2050, com impactos na economia local e na polinização de cultivos agrícolas
Por Assessoria de Comunicação Social e Divulgação Científica do INCT Centro de Conhecimento em Biodiversidade
Uma cooperação científica entre a UFMG, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e o Centro de Conhecimento em Biodiversidade indica que as mudanças climáticas podem reduzir em 38% a área climaticamente adequada para a abelha Apis mellifera na Bacia hidrográfica do Rio Doce. O estudo, intitulado Projected climate‐suitable area for Apis mellifera (Apidae) and Its spatial overlap with a mining tailings footprint in South‐East Brazil, analisou os efeitos do aquecimento global em paralelo às áreas atingidas pelos rejeitos do rompimento da barragem da Samarco, em 2015.
Assinado por Flávio Mariano Machado Mota, Débora Lima-Santos, Walisson Kenedy-Siqueira, Kamilla Ingred Castelan Vieira e Geraldo Wilson Fernandes, o trabalho utilizou modelos preditivos para projetar a distribuição da abelha em cenários climáticos otimistas e pessimistas até 2050. Como A. mellifera é a espécie manejada mais difundida no mundo e tem papel central na economia regional, o mapeamento busca subsidiar estratégias de adaptação de produtores e da agricultura dependente de polinização.
Os resultados indicam que a proporção de área adequada para a espécie deve cair de 50% no cenário atual para 31% no futuro. A tendência aponta que a porção oeste e parte do centro da bacia devem se tornar quase totalmente inadequadas. “Apesar da plasticidade e da ampla distribuição da A. mellifera, nossos modelos projetam uma perda substancial de área”, afirma Flávio Mota, autor principal do estudo. Segundo ele, a contração está associada à sazonalidade das chuvas e à variação de temperatura, o que pode comprometer a polinização de cultivos e exigir a realocação de apiários.
O fator “lama de rejeito”
O estudo também identificou que, na área diretamente coberta pela lama de rejeito da Samarco, localizada sobretudo no leste da bacia, o modelo projeta declínio menor: cerca de 8%. O dado indica maior estabilidade climática relativa nesse recorte específico, ainda que fortemente alterado.
“Essa estabilidade climática no leste da bacia para uma espécie manejada, exótica e generalista como a A. mellifera deve ser tratada com muita cautela”, alertam os pesquisadores. Segundo eles, a dominância de espécies exóticas pode prejudicar abelhas nativas. Além disso, a estabilidade climática não implica recuperação ecológica, já que os rejeitos continuam afetando a química do solo e a diversidade da vegetação.
O Centro de Conservação da Biodiversidade é uma rede de pesquisadores de 25 instituições que atua nos seis biomas brasileiros. Seu comitê gestor é coordenado pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB).
Mais lidos
Semana
-
Enasam-U UFMG participa de diagnóstico inédito de saúde mental nas universidades brasileiras
Pesquisa envolve estudantes e servidores de 50 instituições públicas de ensino superior de todo o país; segunda etapa vai investigar população de fora das universidades
-
Programe-se UFMG aprova calendário escolar de 2026
Principais procedimentos e datas da rotina acadêmica estão estabelecidos em resolução do Cepe
-
A sorte é da banca Grupo de Probabilidades no Futebol une ciência, divulgação e combate à desinformação
Referência nacional, projeto do Departamento de Matemática da UFMG agora investe na produção de vídeos para as redes sociais para alertar sobre os riscos das apostas digitais
-
PROCESSO SELETIVO UFMG lança edital do Seriado 2026; inscrições começam no dia 15 de junho
Provas serão realizadas nos dias 12 e 13 de dezembro; Pouso Alegre, Teófilo Otoni e Uberlândia são as novidades entre as 10 cidades que receberão o concurso
-
MÉTODOS SUBSTITUTIVOS NA PESQUISA ‘Ciência caminha para o fim do uso de animais’, prevê embaixadora de laboratório europeu de alternativas à experimentação
Doutoranda Nathalia Oliveira, da Faculdade de Farmácia, vai apresentar exemplos práticos e implicações éticas dos avanços regulatórios na área em palestra na próxima terça-feira, dia 26
Notícias por categoria
Meio Ambiente
-
Biogeografia Presença de aves revela que a Amazônia é mosaico de histórias evolutivas
Estudo liderado pelo Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG analisou mais de 50 mil registros para entender como clima, solo e relevo moldam a biodiversidade na maior floresta tropical do mundo
-
Sustentabilidade Mudanças climáticas ameaçam apicultura na Bacia do Rio Doce
Estudo com participação da UFMG indica que a perda de habitat de abelhas deve se intensificar até 2050, com impactos na economia local e na polinização de cultivos agrícolas
-
Espécie invasora Agressivo, pinheiro-americano avança na Serra do Cipó e acende alerta
Pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade indicam riscos ecológicos, hídricos e econômicos; medidas de controle são necessárias
-
Eugenia florida Árvore da Mata Atlântica resiste a calor extremo e a solo com rejeitos de mineração
Pesquisadores do ICB concluíram que a pitanga-preta mantém alta eficiência fotossintética e ativa mecanismos de defesa em ambientes contaminados, com potencial para restauração ecológica
-
Serra do Espinhaço Estudo da UFMG revela os segredos das plantas que sobrevivem ao solo extremo da canga
Pesquisadores do INCT Centro de Conhecimento em Biodiversidade analisaram espécies mais comuns em três habitats típicos desse ecossistema, que se caracteriza pela combinação de fragilidade e resiliência
Feed RSS
Receba atualizações das últimas notícias publicadas.