Professora da Farmácia recebe prêmio internacional por contribuições para o estudo da trombose e hemostasia
Maria das Graças Carvalho foi laureada em congresso da ISTH, realizado neste mês, em Paris
Por Ewerton Martins Ribeiro
•Com International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH)
A professora emérita Maria das Graças Carvalho, da Faculdade de Farmácia, aposentada pelo Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Unidade, recebeu, neste mês, o Esteemed Career Award da International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH). Anualmente, a ISTH homenageia profissionais de todo o mundo que, na opinião de seus pares, fizeram contribuições significativas para a compreensão, tratamento, diagnóstico, pesquisa e educação na área de trombose e hemostasia.
“Cinco prêmios serão concedidos anualmente a indivíduos cujas contribuições ao longo de suas carreiras tenham colaborado significativamente para o avanço da compreensão ou do tratamento, pela comunidade científica, de doenças e distúrbios que afetam a hemostasia. Suas realizações são reconhecidas internacionalmente como modelos exemplares de excelência em pesquisa, prática clínica e mentoria”, informa-se no site da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia.
Além de Maria das Graças Carvalho, foram laureados na edição 2026 do prêmio os seguintes pesquisadores: Susan R. Kahn, da Universidade McGill, do Canadá; Michael Laffan, do Imperial College London, do Reino Unido; Paolo Prandoni, da Fundação Arianna de Anticoagulação, da Itália; e Philip Wells, da Universidade de Ottawa e do Hospital de Ottawa, do Canadá. “Temos orgulho de reconhecer suas contribuições coletivas, que exemplificam a excelência e a colaboração global que definem a comunidade da ISTH”, disse o presidente da ISTH, Pantep Angchaisuksiri, no evento de premiação.
“Nossa comunidade se enche de orgulho por ter alguém tão especial, cuja trajetória é marcada por excelentes resultados e exemplos inspiradores, sempre pautados pelo carinho, pelo respeito e pela igualdade no trato com todos”, comenta a professora Ana Paula Lucas Mota, diretora da Faculdade de Farmácia da UFMG, acerca do prêmio oferecido à colega de unidade. “É com grande orgulho e alegria que a diretoria da Faculdade de Farmácia parabeniza a professora Maria das Graças Carvalho”, afirmou. O prêmio foi entregue no último dia 13, em Paris, na França, durante o congresso anual da ISTH.
“Ser premiada com o prestigioso prêmio Carreira de Destaque da ISTH significa reconhecimento formal e apreço por especialistas renomados na área de hemostasia e trombose, bem como uma carreira inteiramente dedicada ao trabalho acadêmico e científico”, afirmou Maria das Graças ao site da ISTH. “Para mim, isso significa um incentivo à busca contínua por novos conhecimentos e à formação de importantes recursos humanos, sempre comprometidos com a ciência, a saúde e o bem-estar da população.”
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Maria das Graças Carvalho é graduada em Farmácia e Bioquímica (habilitação em Análises Clínicas, 1976) pela UFMG, mestre em Parasitologia (1983) pela UFMG e doutora em Hematologia pela Universidade de Southampton, no Reino Unido (1995). Fez também um pós-doutorado em Hemostasia pelo Departamento de Bioquímica da Universidade de Maastricht, na Holanda (2013).
Vinculada ao Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia, ela segue atuando como docente voluntária na Unidade, onde também tem longa tradição na orientação de pesquisadores no Programa de Pós-graduação em Análises Clínicas e Toxicológicas (PPGACT) da Faculdade de Farmácia, nos níveis de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Ali, já orientou dezenas de dissertações e teses, tendo publicado até o momento mais de duas centenas de artigos em revistas nacionais e internacionais. Maria das Graças também atua como professora visitante na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
“Maria das Graças Carvalho dedicou mais de três décadas ao avanço da ciência da hemostasia e da trombose, desde a construção de capacidade laboratorial até a mentoria da próxima geração de estudantes e profissionais de laboratório”, afirma-se no perfil feito de sua carreira no site da associação. “Sua ligação com a ISTH começou no início da década de 1990, quando seu orientador de doutorado a convidou para participar do Congresso da ISTH na cidade de Nova York. Ela participou de quase todos os Congressos da ISTH desde então”, conta-se.
Após concluir seu doutorado, a professora retornou ao Brasil com “um objetivo claro”: estabelecer uma infraestrutura laboratorial capaz de apoiar pesquisas avançadas em hemostasia na UFMG. “Com muito trabalho e persistência, conseguimos obter as condições mínimas para começar”, disse ela ao portal da ISTH. “Essa determinação lançou as bases para um ambiente acadêmico e de pesquisa próspero, focado em estados de hipo e hipercoagulabilidade”, informa-se.
“Atualmente, Carvalho está iniciando um estudo em saúde da mulher, com o objetivo principal de investigar os efeitos de diferentes contraceptivos orais e dispositivos intrauterinos no sistema hemostático e em outros sistemas. Prevê-se a possibilidade de desenvolver um escore preditivo para hipercoagulabilidade e hipofibrinólise com base nos perfis das participantes, o que poderia auxiliar os médicos a adequar as opções contraceptivas, principalmente para mulheres com maior risco de trombose”, detalha-se.
Leia mais: Professora Suely Rezende (CLM) recebe prêmio internacional da ISTH em Washington
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