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Atendimentos na Faculdade de Odontologia retornam aos níveis do período pré-pandemia

Unidade da UFMG mais impactada pela crise sanitária teve de executar uma série de intervenções em suas instalações durante e após a emergência do novo coronavírus

Por Ewerton Martins Ribeiro

A imagem mostra um edifício de cor rosa claro com janelas escuras e frisos cinzas, situado em uma área gramada. Um caminho de concreto com corrimão preto desce em rampa, levando a uma entrada que não está visível. Ao longo do caminho e ao redor do edifício, há árvores e arbustos verdes. Vários postes de luz com luminárias esféricas brancas estão espalhados pelo gramado. Ao fundo, uma paisagem urbana com prédios altos é visível sob um céu azul claro.
Fachada da Faculdade de Odontologia, no campus Pampulha
Foto: Foca Lisboa | UFMG

Passados pouco mais de três anos do fim oficial da pandemia, a Faculdade de Odontologia está finalmente retomando, neste segundo semestre de 2026, o seu funcionamento regular e pleno, semelhante ao que tinha antes da palavra “covid” dominar o noticiário. As duas turmas de cirurgiões-dentistas que se formaram no mês passado foram as últimas, entre as várias que tiveram suas rotinas impactadas pelas mudanças que a unidade teve de realizar em suas estruturas físicas e no funcionamento de suas turmas por causa da crise de saúde pública.

“Fomos a unidade da UFMG mais diretamente impactada pela pandemia”, afirma o professor João Batista Novaes Júnior, diretor da Unidade. “Isso é facilmente demonstrável: somos os profissionais que trabalham entre o nariz e a boca”, diz ele. Ao lado da professora Patrícia Valente Araújo, João Novaes assumiu a Unidade em 2024, dando sequência ao trabalho que vinha sendo realizado no mandato de Allyson Nogueira Moreira e Denise Vieira Travassos, diretor e vice-diretora que estiveram à frente da Unidade no epicentro da crise (a partir de 2020). Logo no início daquela gestão, tudo – aula, clínica, trabalho – teve de ser interrompido.

“Quando se instaurou a pandemia, tivemos de suspender completamente as atividades. Quando conseguimos voltar, o rigor de biossegurança era altíssimo; para atendê-lo, a unidade teve de priorizar apenas algumas turmas para dar aula, para reduzir a quantidade de gente reunida no local ao mesmo tempo”, conta João Novaes.

“Optamos então pelo nono e pelo décimo períodos, para que os que estavam mais perto do fim do curso pudessem se formar. Com isso, trabalhamos com poucos alunos e poucos pacientes, todos bem distribuídos pela faculdade. Por um lado, deu certo: não houve contaminação, e essas turmas se formaram. Porém, para isso, tivemos de segurar todas as outras”, relembra o diretor. Começava ali a saga do “cobertor curto” que seria vivida pela unidade nos vários anos seguintes.

Fotos das clínicas da Faculdade de Odontologia
Antes de depois: etapas da reforma das clínicas
Fotos: Faculdade de Odontologia | Arquivo

Turmas dobradas…
Por terem ficado em stand-by por um tempo, algumas das demais turmas, ao voltarem, acabaram se sobrepondo a novos grupos que no momento chegavam para cursar os mesmos períodos. Houve alguns acúmulos, de modo a haver sempre uma turma a mais em algum dos períodos. A Unidade se viu então obrigada promover uma força-tarefa para oferecer aulas para turmas “dobradas” para alguns determinados períodos, que iam sempre variando, por todos os anos seguintes.

Enquanto isso ocorria, paralelamente instaurava-se nas clínicas – locais em que os alunos têm aulas práticas, atendendo milhares de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) todo ano – uma política de biossegurança voltada para a mitigação das chances de contaminação. Contraditoriamente, o número de ambulatórios disponíveis para atendimento foi reduzido à metade para atender a um novo critério de segurança biológica.

…Metade da estrutura
Na prática, o que se precisou fazer para cumprir as regras de biossegurança e garantir a retomada das atividades no consultório foi desativar temporariamente um em cada dois ambulatórios, de modo a aumentar a distância entre eles, para diminuir ao máximo qualquer risco de contaminação. O efeito colateral da medida foi a redução da capacidade de atendimento de 24 para 12 consultórios.

“O desafio foi enorme. Para superá-lo, a unidade inteira precisou se unir”, lembra João Batista. Em 2024, a Vigilância Sanitária indicou a necessidade de implantar mais medidas de biossegurança para diminuir o risco de contaminação. Entre elas, estavam a atualização dos sistemas de ar-condicionado e novas reformas arquitetônicas, como a instalação de barreiras sanitárias de vidro entre os consultórios.

As intervenções começaram a ser feitas, e uma das providências tomadas foi o isolamento das salas de limpeza de instrumental situadas entre as clínicas. O trabalho foi realizado ao longo dos meses, consultório a consultório, de modo a não interromper o funcionamento de todos os ambulatórios ao mesmo tempo, mas apenas de um deles por vez. O objetivo era manter uma contínua capacidade – ainda que parcial – de atendimento das clínicas.

“Foi um novo desafio. Primeiramente, as oito clínicas se tornaram, na prática, quatro. Depois, para que as obras de adequação pudessem ocorrer, ficamos sempre com três, no máximo três clínicas e meia funcionando de cada vez, enquanto as obras de adequação iam ocorrendo na clínica interrompida da vez. E assim fomos avançando, fazendo as adequações ao mesmo tempo em que as aulas tinham de ocorrer muitas vezes com o dobro de alunos”, lembra João.

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Toda essa história teve um desfecho com a conclusão das obras da última clínica que faltava ser adequada, a clínica 8, ocorrida em maio, e da formatura, no fim deste primeiro semestre de 2026, das últimas turmas que vinham desenvolvendo seus cursos de forma “dobrada”. Ao todo, a Faculdade de Odontologia conta com oito grandes clínicas, cada uma com 24 consultórios/ambulatórios. Todas precisaram passar por uma série de adaptações durante e após a pandemia.

Há ainda na unidade um bloco cirúrgico, com outros 12 consultórios, e consultórios separados, focados em tratamentos especializados, como o de prótese bucomaxilofacial. Essa estrutura foi responsável por, exemplo, por 24.467 consultas e 8.473 atendimentos a pacientes somente no ano passado.

Neste ano, até 31 de julho, já haviam sido realizadas 9.527 consultas e 3.232 atendimentos nas clínicas, informa João Batista Novaes. Atualmente, a unidade tem quase 700 alunos matriculados em diferentes períodos de seu bacharelado. “Na prática”, ele lembra, a partir deste segundo semestre de 2026, a unidade finalmente volta ao seu “normal”. As obras de adequação foram viabilizadas por meio de emenda parlamentar de autoria do vereador Bruno Miranda.

Diretoria da Faculdade de Odontologia sob último ar-condicionado instalado na reforma da unidade
Diretores e professores da Odonto em ambiente sob ar-condicionado instalado durante a intervenção na unidade
Categoria: Institucional

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