UFMG está entre as 15% melhores universidades do mundo, segundo ranking de impacto da THE
Levantamento mensura contribuição das instituições para alcance dos 17 ODS da ONU; UFMG é a melhor federal e a 62ª universidade do mundo que mais contribui para meta ‘fome zero'
Por Ewerton Martins Ribeiro
A UFMG obteve um resultado histórico na edição 2025 do ranking de impacto universitário em sustentabilidade da Times Higher Education (THE), divulgado na última terça-feira, 17. A Universidade saltou da faixa de posição global 401-600 para a faixa 301-400 e, na pontuação geral, subiu de 75,4 para 77 pontos.
“Considerando o tamanho da amostra, isto é, o número de instituições de ensino superior indexadas [2.318 instituições], essa mudança de faixa significa um salto das 25% melhores para as 15% melhores universidades do mundo”, comemora o professor Dawisson Belém Lopes, diretor do Escritório de Governança de Dados Institucionais (EGDI) da UFMG. “Foi um avanço muito expressivo. Se considerados os pontos médios das faixas de pontuação em 2024 e 2025, avançamos 150 posições no ranking, com melhoria sólida no cômputo geral, em um sinal de nossa consolidação institucional no cenário latino-americano”, afirma Dawisson, que é professor de política internacional e comparada da UFMG.
Esse forte avanço possibilitou que a UFMG se posicionasse no ranking como a melhor entre todas as universidades federais brasileiras, juntamente com a Federal do Pará (UFPA), ambas situadas na faixa 301-400. No contexto nacional geral, situam-se na faixa 301-400, além da UFMG e da UFPA, a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Por fim, no contexto latino-americano, UFMG e seu grupo situam-se na quinta posição geral. As quatro primeiras latino-americanas são a Universidade Nacional Autônoma do México, o Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, do México, a USP e a Universidade de Guadalajara, também do México.
Voltado para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), o THE Impact Rankings 2025 (que, a partir de 2026, passará a se denominar “Sustainability Impact Ratings”) “identifica e celebra universidades que demonstram excelência abrangente em sua contribuição para o desenvolvimento sustentável global”, como se informa no site do levantamento. “Ao se destacarem em diversos ODS, essas universidades demonstram seu compromisso em enfrentar os desafios mais urgentes do mundo por meio de uma articulação entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e crescimento econômico”, anota-se no site da instituição. Nesta edição do ranking, a UFMG passou a ser avaliada em todos os 17 ODS da ONU.
“O levantamento traz vários resultados para serem destacados, consolidando nossa posição de destaque no cenário nacional e internacional. Com o avanço consistente na pontuação e na posição global, a UFMG mostrou de maneira indiscutível o seu histórico compromisso com o impacto social e a sustentabilidade”, demarca a reitora Sandra Regina Goulart Almeida. “Chamo a atenção para o fato de que aparecemos entre as 200 melhores universidades do mundo em diferentes ODS: redução da pobreza, fome zero, energia limpa e acessível, água limpa e saneamento básico, trabalho decente e crescimento econômico, indústria, inovação e infraestrutura. O resultado reitera nossa vocação e nossa capacidade de formar profissionais e cidadãos conscientes dos desafios hoje enfrentados pela humanidade, além de engajados com o desenvolvimento social e a sustentabilidade do planeta”, destaca a dirigente.
“São resultados que, de fato, demonstram o crescimento contínuo e consistente da UFMG em sua performance internacional de impacto em sustentabilidade. A Universidade está hoje consolidada nesse campo”, avalia o vice-reitor, Alessandro Fernandes Moreira, coordenador do programa institucional UFMG Sustentável. “Chamo particularmente a atenção para o fato de que aparecemos entre as 200 melhores universidades do mundo em trabalho decente, com quase 100% de contratos estáveis [nota 97,5 nesse subindicador do 8º ODS, “Trabalho decente e crescimento econômico”] e com forte inserção de nossos estudantes em estágios. Estamos atingindo os nossos objetivos”, comemora o vice-reitor.
Atuação decisiva pela erradicação da fome
Em sua metodologia para gerar classificações gerais que reflitam o desempenho em sustentabilidade e o impacto geral das instituições, o ranking integra pontuações de todos os 17 ODS da ONU. De 2024 para 2025, a nota da UFMG elevou-se em 14 dos 17 ODS avaliados, numa demonstração do salto institucional vivido pela Universidade no que diz respeito ao seu compromisso global, ao seu impacto social e à transversalidade de suas ações acadêmicas.
“Um dado muito significativo foi o de que, pela primeira vez, a UFMG entrou para o top 100 de um ranking global. Foi no ODS 2, que é voltado para a meta da ‘fome zero’ e da agricultura sustentável. Hoje somos a 62ª instituição de ensino do mundo que mais contribui para a implementação desse ODS, segundo os critérios do ranking”, explica Dawisson.
Nesse ODS, destacou-se particularmente o desempenho alcançado pela Universidade nos subindicadores relacionados à contribuição ao combate à fome (nota 91,6) e ao combate à fome estudantil (nota 91,7), mais especificamente. Na visão dos gestores, esses resultados reafirmam o compromisso da instituição com o apoio social e se coadunam com uma das principais agendas do governo brasileiro, em sua plataforma política voltada para a redução das desigualdades. “Tudo isso reveste a conquista da UFMG com ainda mais importância e relevância estratégica no âmbito do projeto de país”, demarca o professor do Departamento de Ciência Política da Fafich.
Além do desempenho no ODS Fome zero e agricultura sustentável (2º), a UFMG ficou entre as 200 melhores universidades do mundo em outros cinco ODS: Erradicação da pobreza (1º), Água potável e saneamento (6º), Energia limpa e acessível (7º), Trabalho decente e crescimento econômico (8º) e Indústria, inovação e infraestrutura (9º).
No 1º e no 6º ODS, a federal mineira apareceu no topo do ranking, como a melhor universidade do Brasil. Já no ODS 9º, a UFMG atingiu a nota máxima (100 em 100) no indicador de registro de patentes, situando-se no topo do ranking mundial nesse quesito. “Referência em inovação e em transferência de tecnologia, a UFMG apresentou-se como um destaque absoluto em geração de spin-offs e em cooperação com o setor produtivo”, destaca Dawisson.
Os 17 ODS da ONU são Erradicação da pobreza (1º), Fome zero e agricultura sustentável (2º), Saúde e bem-estar (3º), Educação de qualidade (4º), Igualdade de gênero (5º), Água potável e saneamento (6º), Energia limpa e acessível (7º), Trabalho decente e crescimento econômico (8º), Indústria, inovação e infraestrutura (9º), Redução das desigualdades (10º), Cidades e comunidades sustentáveis (11º), Consumo e produção responsáveis (12º), Ação contra a mudança global do clima (13º), Vida na água (14º), Vida terrestre (15º), Paz, justiça e instituições eficazes (16º) e Parcerias e meios de implementação (17º).
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