A copa que revela talentos, consolida amizades e ‘dá match’
Atléticas disputam neste domingo, dia 7, as finais de uma das mais tradicionais competições organizadas por estudantes da UFMG
Por Enzo Beber
Chega ao fim neste domingo, dia 7, mais uma edição da Copa União, campeonato organizado e disputado por estudantes da UFMG com diversas modalidades esportivas. As finais reúnem centenas de jogadores e torcedores para acompanhar as disputas no futsal, handebol e vôlei feminino e masculino.
Durante quase quatro meses, participaram estudantes de nove das 15 atléticas da Universidade. As finalistas são as equipes da Fafich, Farmácia e Biomedicina (Medusa), Saúde, Arquitetura e Design, ICEx e Ciências Biológicas, que disputarão o primeiro lugar na Quadra Ponteio (Avenida Úrsula Paulino 1.422 – Betânia, Belo Horizonte), a partir das 10h30. A final do handebol terá lugar no Colégio Arnaldo (Rua Dom Vital, 80 – Anchieta, Belo Horizonte), no mesmo horário. As disputas de terceiros lugares estão programadas para este sábado, dia 6, no Centro Esportivo Universitário (CEU).
A competição teve início nos dias 20 e 21 de setembro, quando foram realizadas as modalidades de praia (vôlei de areia e futevôlei), que abrem o torneio. Desde então, os jogos dos esportes de quadra foram realizados no Centro Esportivo Universitário (CEU) da UFMG até as fases semifinais. As finais ocorrerão em ambiente externo devido à impossibilidade de uso do CEU, que não abrirá ao público em razão da Volta da Pampulha, também marcada para domingo. As provas de atletismo foram integralmente realizadas no Centro de Treinamento Esportivo, o CTE, no dia 16 de novembro.
Além de disputarem os primeiros lugares em cada modalidade, as atléticas lutam para alcançar outra conquista: a melhor colocação geral. No decorrer da competição, cada agremiação soma pontos de acordo com a posição de suas equipes nas diversas modalidades. Assim, o desempenho individual de cada time é fundamental para sua classificação no quadro geral.
Uma das organizadoras do campeonato é a estudante de História Pamela Cristini Alves Ribeiro, 25, ou apenas “Pam”, diretora da Atlética da Fafich. Apaixonada por futebol desde a infância, ela adorava brincar de jogar bola com os primos. No ensino fundamental, quando não teve tantas oportunidades de praticar futsal, descobriu uma nova paixão: o handebol. Na UFMG, Pamela identificou-se com outras modalidades. “Para quem é apaixonado pelo esporte, universitário ou profissional, não há nada melhor do que comentar ou dividir a mesma visão que um amigo sobre algum lance de uma partida, sobre algum jogador em específico. Isso, para mim, às vezes, é melhor até que terapia. Eu me sinto compreendida. Eu me sinto feliz, também, de dividir essas coisas. Para mim, as amizades, as relações que eu construí no meio esportivo são muito importantes.”
Pamela assumiu neste ano a organização do campeonato, que chegou a ser ameaçado de não ocorrer devido ao baixo número de atletas inscritos em algumas atléticas e à ausência do torneio de basquete, já que não houve equipes suficientes para competi-lo. Pamela, no entanto, vê a copa além da competição. “Novos talentos são descobertos, amizades surgem e diversas pessoas dos mais variados cursos se juntam para torcer por suas respectivas atléticas. É realmente um momento de união”, resume a estudante.
O Centro Esportivo Universitário é a principal sede dos jogos da Copa União. Trata-se de um espaço que, há mais de 50 anos, proporciona condições de lazer e esporte para a comunidade universitária em área de 120 mil metros quadrados ocupada por quadras, piscinas e ambientes arborizados. De acordo com a diretora, Ana Cláudia Porfírio Couto, o CEU é ambiente fundamental para a permanência qualificada na UFMG, uma vez que ela depende, além de questões financeiras, das relações interpessoais construídas no ambiente universitário e de condições psicológicas e emocionais favoráveis. A prática esportiva é crucial nesse contexto. “É um privilégio de nossa instituição dispor desse espaço. Os jogos acontecerem no âmbito da universidade, e a promoção da prática do esporte é fundamental para a manutenção da saúde do estudante, em todos os sentidos. É um espaço organizado e bem cuidado, que pode ser frequentado por todas as pessoas, independentemente de raça, condição socioeconômica e orientação sexual”, diz a diretora.
Gestão e paixão
A competição representa um desafio dentro e fora das quadras, com atletas em busca do pódio e as diretorias das atléticas mobilizando e organizando seus jogadores. Sophia Modesto Melle é uma poliatleta que participa das competições de futsal, vôlei e basquete. Bailarina, ela sempre esteve na linha de frente das quadras, mas agora enfrenta o desafio de atuar como secretária da Atlética da Faculdade de Farmácia e Biomedicina. “Está sendo bem desafiador. É realmente muita coisa pra lidar, liderar, organizar, decidir. Mas está sendo incrível, é muito legal, muito gratificante”, afirma.
Participar desse universo proporcionou uma experiência extra a Sophia. Foi durante os treinos e jogos realizados no CEU que ela se aproximou de seu namorado, Samuel Esteves, da Fafich. “A gente acompanhava os jogos um do outro”, diz a garota.
Também poliatleta, competidor nas modalidades de tênis de mesa, futebol, futsal e futmesa, “Samma”, como é chamado pelos amigos, aproveitou a oportunidade das finais da última edição do campeonato, em 2024, para apresentar a namorada a seus pais – e selou, de vez, a união dos dois.
ENTREVISTA
O esporte ajuda a criar vínculos e laços afetivos, diz psicólogo
A prática esportiva pode ajudar a combater a ansiedade, a depressão e o estresse, transtornos cada vez mais comuns entre os jovens contemporâneos. O diagnóstico é do professor Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista, do Departamento de Psicologia da Fafich, que também avalia que as modalidades esportivas (em especial as coletivas) contribuem para a formação de um espírito de coesão e comunidade, que é muito importante para os estudantes que deixam suas famílias e comunidades de origem e precisam estabelecer novas relações.
Leia trechos da entrevista.
Os alunos se organizam, ao menos uma vez por semestre, para promover os jogos universitários, incluindo diversas modalidades coletivas e individuais e mobilizando centenas de pessoas, tanto como atletas como coordenadores e torcedores. Como o senhor enxerga a importância dessa prática na vida acadêmica?
Sobre a organização dos alunos em torno do esporte, existem várias pesquisas em psicologia que mostram que a prática de atividades físicas contribui bastante para a saúde mental da comunidade universitária. Em geral, quando se pesquisa a saúde mental de universitários, o que os estudos costumam avaliar são os transtornos comuns – ansiedade, depressão e estresse. E há muitas pesquisas que sugerem que a comunidade universitária apresenta níveis desses três transtornos acima da média, com vários fatores associados.
Ingressar na universidade significa, para muitos jovens, sair da casa dos pais, das suas cidades de origem, e isso foi se intensificando com a mudança nos vestibulares e, agora, com o Sisu. Isso gera uma mobilidade maior, o que é um novo estressor. O jovem deixa para trás a comunidade de origem e precisa se inserir em uma nova comunidade. Quando não se consegue criar laços afetivos, sobretudo, na universidade, isso pode ser fator de abandono do curso universitário.
De que maneira o esporte influencia na saúde mental?
A prática esportiva, sobretudo das modalidades coletivas, exerce impacto relevante na vida dos universitários. A atividade física, por si só, já tem efeitos significativos sobre transtornos comuns, como ansiedade, depressão e estresse. E há outro elemento presente nas modalidades coletivas, a coesão de grupo, a formação de relações em torno de um objetivo comum, a ideia de equipe. Isso contribui para a inserção dos estudantes em uma comunidade, para a criação de laços afetivos, de vínculos.
Há também uma relação direta entre o desempenho acadêmico e a saúde mental. A boa saúde mental contribui para a qualidade do desempenho acadêmico; no sentido inverso, o desempenho acadêmico cai em razão da saúde mental comprometida. A atividade física contribui para a qualidade de vida e para a saúde mental boa dos estudantes.
Que contribuição o esporte traz para a construção da própria identidade do jovem em formação?
Os universitários vinculam as pessoas em torno de um grupo comum. Elas abraçam, defendem o seu curso, a sua faculdade. Isso cria uma coesão, uma liga, que é muito significativa. O esporte universitário é campo de criação de relações afetivas em torno do objetivo esportivo das equipes e dos participantes. Ele também mobiliza aqueles que assistem e torcem, produzindo um fenômeno parecido com o observado nos esportes de alto rendimento, como o futebol e outras modalidades. O espectador também participa: ele se sente parte do processo. Essa experiência contribui para fortalecer o sentimento de pertença, essencial para que o estudante universitário preserve sua saúde mental e não corra o risco de abandonar o curso.
Mais lidos
Semana
-
Processo seletivo Sisu 2026: UFMG ofertará 6.552 vagas em 87 cursos de graduação
Inscrições serão realizadas de 19 a 23 de janeiro; guia lançado pela Universidade orienta candidatos
-
Ensino de excelência Curso de Medicina da UFMG recebe conceito máximo no Enamed
Exame substituiu o Enare e o Enade na avaliação dos cursos de medicina do país; instituições públicas foram destaque no levantamento
-
Programe-se UFMG aprova calendário escolar de 2026
Principais procedimentos e datas da rotina acadêmica estão estabelecidos em resolução do Cepe
-
Acesso ao ensino superior Divulgado resultado do Enem 2025
Nota do exame é usada pelo Sisu, principal modalidade de ingresso nas universidades federais; UFMG oferece 6.552 vagas em 87 cursos na edição de 2026
-
Qualidade Avaliação da Capes consolida excelência da pós-graduação da UFMG
Quase 30% dos programas subiram de patamar no quadriênio 2021-2024; 58% dos cursos de doutorado obtiveram notas 6 e 7
Notícias por categoria
Esporte e Lazer
-
TV UFMG Da discriminação ao reconhecimento: a inclusão feminina nos esportes
Proibidas de praticar determinadas modalidades no século passado, atletas brasileiras alcançam êxito e inspiram novas gerações, contando, inclusive, com suporte da estrutura esportiva da UFMG
-
Esporte universitário A copa que revela talentos, consolida amizades e ‘dá match’
Atléticas disputam neste domingo, dia 7, as finais de uma das mais tradicionais competições organizadas por estudantes da UFMG
-
UNIVERSIDADE ‘Domingo no campus’ reúne 500 visitantes em Montes Claros
Brincadeiras, atividades inclusivas e contato com os animais movimentaram o Instituto de Ciências Agrárias na manhã de ontem, dia 18
-
LAZER ‘Domingo no campus’ vai oferecer 26 atividades à comunidade de Montes Claros
Evento gratuito e aberto ao público será realizado no dia 18 de maio
-
ESPORTE Atletas que representaram a UFMG nos Jogos Universitários Mineiros são recebidos na Reitoria
Campeã geral da competição, delegação da Universidade trouxe 69 medalhas, sendo cinco de ouro