Lugar de encontros e reencontros
Em seu primeiro dia de Universidade, calouros falam de sonhos, projetos e expectativas e revitalizam o lema que há quase 100 anos move a instituição: 'Incipt vita nova'
Por Ewerton Martins Ribeiro
Na UFMG, a recepção aos calouros – realizada a cada semestre pela Reitoria, com breves palestras de orientação ministradas por pró-reitores e diretores – constitui um momento privilegiado de encontros e reencontros. De um lado, as atividades oferecem aos ingressantes a oportunidade de conhecer seus futuros colegas de curso e iniciar a formação de vínculos que, em muitos casos, vão acompanhá-los ao longo da vida. De outro, o evento também favorece o reencontro com “velhos amigos”: veteranos, colegas de cursinho preparatório e os conhecidos das redes sociais.
Foi o que aconteceu com Frederico Monteiro de Santana, de 22 anos, Letícia Luiza Faria dos Reis, 22, Mateus Gomes Giacomin, 20, e Caio Adriano Resende Ladeira, 23, calouros de Publicidade e Propaganda, curso oferecido na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich). Mateus e Caio se conheciam do cursinho preparatório; pelas redes sociais, acabaram se aproximando de Letícia. Então, procurando uns aos outros no turbilhão da recepção do evento, trombaram também com Frederico, outro dos novatos da PP.
Em uma conversa animada com o Portal UFMG, Frederico acabou se revelando meio calouro, meio veterano. “É que eu já estudava aqui. Entrei agora em Publicidade e Propaganda, mas, antes, cheguei a fazer seis períodos de Museologia”, conta o ex-veterano. “Dentro do curso, tive a certeza – inclusive por causa do contato que tive com as áreas de comunicação dos museus – de que o que eu queria mesmo era estudar na área de Comunicação Social”, conta o estudante. Decidido o novo curso, o jovem tentou a mudança por meio da Reopção de Curso. Na segunda tentativa, conseguiu.
Formada em História por uma instituição privada, Carla Laís Simões, 22, acabou de começar o curso de Ciências Sociais na mesma Fafich. “As Ciências Sociais me atraíram por isso. No curso, vou conseguir reciclar muita coisa que vi quando fiz História”, diz a caloura, que acredita que seu primeiro curso não foi suficiente para prepará-la para a carreira que quer seguir. “A UFMG traz isso, né; aqui, você pode aproveitar aquilo que se propõe a fazer. Quero absorver o máximo de conteúdo que eu puder sobre o assunto que eu gosto, que são as Ciências Humanas”, diz.
Carla veio de Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas, diferentemente de quem está chegando agora, ela já está ambientada à capital mineira. “É que me mudei para cá há quatro anos, para morar com minha irmã, quando vim fazer História. Para mim, então, foi mais fácil me estabelecer, já que eu já tinha família aqui. Não foi difícil me ambientar.” Mas, e quando se formar, o que pretende fazer? Docência, pesquisa… “Eu pretendo… Olha, a verdade é que eu pretendo ficar aqui até conseguir descobrir (risos). Seja com o que for, o que eu quero é me sentir realizada. Eu gosto muito de sala de aula, então é uma possibilidade.”
Caso parecido é o de Larissa Gabriela Carmo Gonçalves, 19, caloura do curso de Educação Física, oferecido pela Escola de Educação Física e Terapia Ocupacional (EEFFTO). De um lado, ela tem interesse em treinamento esportivo, preparação física, o clássico do curso. Porém, a jovem já foi mordida pelo mosquitinho da produção científica. “É que eu tive uma matéria no ensino médio de iniciação científica, e, nela, a gente realmente escrevia artigos científicos. Era muito legal. Essa experiência me deu uma introdução sobre o assunto e me gerou uma vontade de investir nessa área. É claro que deve ser diferente na Universidade, mas já deu para ter uma ideia de como seria.”
Por outro lado, Larissa não descarta o trabalho no campo profissional. “Na cidade em que morava, eu cheguei a trabalhar dois anos e meio em uma escola de vôlei. Foi também muito legal. E eu já tinha pesquisado algumas coisas antes de vir para cá, e na palestra descobri que no Centro Esportivo Universitário (CEU) tem umas quadras que eu não imaginava que tinha. Quadras de tênis, quadra de vôlei de areia… Acabou despertando uma vontade de conhecer mais.” Já sobre os colegas de turma… “Bem, por enquanto, ainda não fiz nenhuma amizade. É que cheguei em cima da hora, então fui direto para as palestras.”
Larissa conversou com o Portal UFMG assim que o ciclo de palestras tinha terminado. No auditório, não conseguiu sentar junto de seus colegas de curso; ela entrou por um lado, eles estavam do outro, então não teve a oportunidade de conversar com ninguém. Porém, enquanto falava com a reportagem, ela via, do outro lado do pátio, a turma das atléticas reunida. Entre eles, alguns veteranos levantavam placas relativas a cursos da EEFFTO. “Olha, assim que acabarmos aqui eu vou lá, para ver se encontro alguém da minha turma”, disse a caloura, dando a deixa para a entrevista terminar. Imediatamente, ela correu para dar início à sua vida nova.
UFMG como extensão do ambiente familiar
“É uma felicidade receber vocês aqui, em nossa casa – casa que é a de vocês também”, disse a reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida, em uma das palestras da manhã. Ela e Alessandro Moreira, vice-reitor que assume a Reitoria da Universidade ainda neste mês, fizeram uma peregrinação pelos auditórios do CAD 3 para se apresentarem ao maior número possível de estudantes e darem a eles suas boas-vindas. (Confira, nesta outra matéria, a programação de palestras do turno da noite desta segunda-feira.)
“E a gente também quer pedir uma coisa para vocês: divulguem tudo de bom que tem nesta sua casa”, disse Sandra, convocando os estudantes a se engajarem nas centenas de oportunidades – seja no ensino, seja na pesquisa, seja na extensão, seja no lazer e na cultura – que se abrem aos estudantes no dia a dia da Universidade, para além da rotina de aulas. “Acompanhem a vida da instituição e divulguem para os colegas, para a família, este patrimônio do nosso país. A pesquisa, a extensão, o lazer. Vivam a Universidade.”
“Olha, eu vou confessar uma coisa, eu estava com saudade. Eu não via a hora de esse campus estar novamente cheio como agora”, disse Alessandro, enquanto caminhava apressado de um auditório para outro, tentando encontrar o máximo de alunos possível. “Porque é um prazer ver a Universidade assim, cheia de vida. É toda uma energia de boas expectativas. Em resumo, o que a gente quer é que a Universidade seja, para o aluno, uma extensão do espaço familiar. Esse é o nosso plano.”
Mais de quatro mil novos estudantes estão ingressando na UFMG neste semestre. Para orientar essa turma sobre seus primeiros passos na Universidade, os dirigentes promovem, no evento de recepção aos calouros, uma série de palestras de 15 minutos. Participam como expositores pró-reitores das áreas de ensino, pesquisa, extensão, cultura, além de dirigentes responsáveis por intercâmbio, internacionalização, programas de permanência estudantil, entre outras frentes institucionais. As atividades ocorrem em três auditórios do CAD 3 e serão aplicadas no horário noturno. O formato possibilita que cada ingressante escolha, a cada horário, as palestras de que deseja participar, de acordo com seus interesses.
É ‘rolê’ ou ‘rolé’?
As atividades de recepção aos calouros seguem no decorrer da semana. Um dos destaques da programação dos próximos dias é o “Rolê na UFMG”, o já tradicional tour pelo campus Pampulha, feito em ônibus disponibilizados gratuitamente pela Universidade. É o momento perfeito para conhecer colegas e caminhos, atalhos; receber orientações dos veteranos sobre os macetes do dia a dia e ver as belas paisagens arquitetônicas e naturais do principal campus da UFMG, um dos mais bonitos do país.
Os rolês (ou “rolés”, como dizem os mais velhos) ocorrerão em dois momentos nesta terça-feira, 3 – um com concentração às 9h e outro às 17h. Serão vários passeios em cada turno, com saídas de meia em meia hora, tempo médio de duração das viagens.
“A atividade é uma oportunidade de conhecer os diferentes prédios e espaços do campus Pampulha, incluindo seus bosques e gramados, e a Estação Ecológica”, comenta Vanessa Veiga, diretora de políticas de apoio a projetos de estudantes da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae). A concentração, ela explica, ocorrerá na entrada da Praça de Serviços, em frente ao teatro de arena – ali onde ficam os food trucks, no encontro da avenida Mendes Pimentel com a rua Eduardo Frieiro.
As demais atividades da Prae de recepção aos calouros podem ser consultadas em seu perfil no instagram. Lá há informações, por exemplo, sobre a Tenda da Prae, que estará montada na terça e na quarta-feira, 4, durante todo o dia, das 9h às 20h, na Praça de Serviços. “É também um ambiente para o calouro conversar com o veterano, tirar suas dúvidas e aprender sobre como ele pode ser apoiado pela política de permanência”, explica a diretora.
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